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Política

O que a PF encontrou no celular de Bolsonaro, apreendido em 2023

Conteúdo extraído ressalta contatos estratégicos, desabafos e reações a investigações

bolsonaro interrogatório
Rebelo considera que a medida não se sustenta nem como precaução | Foto: Antonio Augusto/STF

Mensagens obtidas do celular de Jair Bolsonaro, apreendido pela Polícia Federal (PF) em maio de 2023, revelam as movimentações políticas do ex-presidente depois de deixar o Palácio do Planalto.

A troca de áudios e textos mostra tentativas de articulação no Congresso, contato com ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), apoio a aliados e preocupação com sua imagem pública.

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Em um dos diálogos, Bolsonaro orientou o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) a assinar um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito contra integrantes do STF, incluindo Alexandre de Moraes.

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Em outro episódio, o ex-presidente incentivou o filho o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a articular a derrota do PL das Fake News na Câmara. Como resultado, o texto foi retirado de pauta no mesmo dia.

A agenda de contatos de Bolsonaro guardava o número antigo de Moraes. Contudo, não há registro de mensagens trocadas com ele. Por sua vez, o ministro Luiz Fux recebeu duas mensagens no dia 1º de maio de 2023, incluindo um vídeo do ex-presidente ovacionado durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

Fux não respondeu. Na Corte, ele tem assumido posições divergentes das de Moraes, como no caso da tornozeleira eletrônica imposta a Bolsonaro.

Os áudios revelam que Bolsonaro interveio em disputas regionais do Partido Liberal. Na Paraíba, posicionou-se a favor do deputado Wellington Roberto. No Recife, deu respaldo ao ex-ministro Gilson Machado, que viria a disputar a prefeitura local.

“Gilson, vamos lá, a batalha se ganha por partes”, escreveu Bolsonaro. “A legenda é tua lá em Recife, não se discute esse fato, tá ok. É o primeiro passo da vitória pra nós aí. Tá ok. O resto vai trabalhando aí.”

Gilson perdeu a eleição e, meses depois, foi preso por suposto envolvimento em tentativa de obtenção de passaporte português para Mauro Cid. Ele negou participação.

Bolsonaro reagiu às acusações e analisou conteúdos

Em conversa com o ex-secretário de Comunicação Social Fábio Wajngarten, o ex-presidente mostrou irritação com suspeitas de peculato no caso das joias sauditas.

“Ô Fábio, anota aí né”, disse Bolsonaro. “Indícios de desvio de recurso público. Que que é isso? Onde é que inventou isso, pô? Indícios pra me incriminar com peculato? É uma piada realmente. Valeu.”

Além disso, o político demonstrou cautela ao encaminhar vídeos que poderiam gerar polêmicas. Desta forma, pedia que seu assessor Tércio Arnaud checasse a veracidade das imagens antes de divulgá-las.

Em um dos casos, quis compartilhar um vídeo que sugeria infiltração nos atos do 8 de janeiro. Tércio o alertou: “Pode ser verdade, mas eles vão dizer que está compartilhando fake news”.

Presença na Agrishow e vínculos com o agro

Os dados extraídos pela PF mostram o empenho de Bolsonaro em preservar o apoio do agronegócio. Durante a Agrishow, ele se hospedou em uma fazenda emprestada pelo empresário Paulo Junqueira, citado em outra investigação. Recebeu visitas de aliados e articulou participações no evento.

+ Leia também: “Mesmo com tornozeleira eletrônica, Bolsonaro vai à motociata em Brasília”

Os registros ressaltam que Bolsonaro buscava manter sua rede ativa, mesmo fora do cargo de presidente da República. Nenhum dos conteúdos acessados, até o momento, indica prática criminosa nem conexão direta com os inquéritos em andamento.

2 comentários
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Essa turminha não respeita nada. Caso típico de pesca probatória. Estamos sob um regime comandado por gente que é capaz de fazer esse tipo de coisas.

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