publicidade
Política

Oposição formaliza pedido de anulação da delação de Mauro Cid

Parlamentares recorrem ao Supremo Tribunal Federal contra benefícios concedidos ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

Arruda resistiu em exonerar Mauro Cid, nomeado para posto de comando em Goiânia | Foto: Divulgação/Agência Brasil
O tentente-coronel Mauro Cid é ex-ajudante de ordens da Presidência da República | Foto: Arquivo/Agência Brasil

A oposição na Câmara dos Deputados pediu, nesta sexta-feira, 13, que o Supremo Tribunal Federal (STF) anule o acordo de delação premiada firmado entre o tenente-coronel Mauro César Cid e a Procuradoria-Geral da República. O militar foi ajudante de ordens da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro.

A medida se baseia em mensagens divulgadas pela revista Veja. Segundo os parlamentares, os registros revelam “mentiras deliberadas, contatos ilegais e sabotagem do processo judicial”.

Receba nossas atualizações

Deputados apontam perfil falso e ataques ao STF


No requerimento enviado ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, os deputados Luciano Zucco (PL-RS) e Ubiratan Sanderson (PL-RS), respectivamente líder e vice-líder da oposição na Câmara, afirmam que Mauro Cid usou uma conta falsa no Instagram.

Com ela, segundo os parlamentares, ele comentou o acordo, manteve diálogo com investigados e atacou o STF.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Portanto, os parlamentares pedem quatro providências à Suprema Corte. Primeiro, a anulação do acordo com o tenente-coronel. Segundo, o cancelamento de todos os benefícios obtidos por Cid. Terceiro, a exclusão das provas baseadas exclusivamente em sua delação. E, por fim, a comunicação ao Ministério Público para eventual apuração de falso testemunho.

“A permanência de um acordo de colaboração firmado com base em premissas inverídicas e mantido por um colaborador que atuou com má-fé compromete não apenas a validade dos atos processuais derivados”, escrevem os líderes da oposição no documento. “Mas também a imagem e a autoridade desta Suprema Corte perante a sociedade brasileira.”

Cinco irregularidades reforçam o pedido

A denúncia da oposição menciona cinco irregularidades principais. São elas:

  1. uso de rede social clandestina;
  2. quebra de sigilo;
  3. contato com alvos da investigação;
  4. ataques ao Judiciário; e
  5. falso testemunho.

O texto informa que as mensagens foram trocadas de janeiro a março de 2024. Segundo os parlamentares, Cid usou o perfil falso @gabrielar702. Com isso, segundo Zucco e Sanderson, ele teria tentado driblar a Justiça. Essa atitude, conforme os deputados, reforça a má-fé do colaborador.

Contradições desmontam versão de Mauro Cid, dizem deputados


Além disso, os parlamentares afirmam que Cid mentiu ao STF. O tenente-coronel declarou, durante audiência nos dias 9 e 10 de junho, que não utilizava redes sociais nem mantinha contato com terceiros. Portanto, para a dupla da oposição, as novas evidências desmontam completamente essa versão.

O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS), vice-líder da oposição, é signatário ao pedido | Paulo Valadares / Câmara dos Deputados
O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS), vice-líder da oposição, é signatário ao pedido que defende a anulação do acordo de delação premiada de Mauro Cid | Paulo Valadares/Câmara dos Deputados

“Tais fatos, em conjunto, além de juridicamente relevantes, comprometem a integridade da colaboração premiada como instrumento legítimo da investigação penal”, afirmam os deputados.

Outro ponto da acusação destaca que Cid atacou ministros do Supremo. Além disso, ele afirmou que sua “pena já estava decidida”.

Esse comportamento, segundo o requerimento, revela tentativa de desmoralizar o processo. Ao mesmo tempo, mostra, segundo o pedido, que Cid tentou simular cooperação apenas para obter benefícios.

“O colaborador utiliza o canal clandestino para desacreditar o Supremo, alegando parcialidade dos ministros, sugerindo perseguição política e inclusive afirmando que sua pena já estava decidida”, diz a denúncia. “Essa manifestação colide com a boa-fé processual e contribui para deteriorar a imagem do Poder Judiciário, além de revelar um comportamento de dupla face: cooperação formal nos autos e sabotagem do processo nos bastidores.”

2 comentários
  1. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    Não tem como não anular essa delacao caso contrario prova mais a tese desse sistema agir totalmente fora da lei e ai seria motivo para impeachmar os ministros que continuam condenando esse enredo de golpe de quinta categoria.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.