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Guedes é novo alvo no governo Bolsonaro após saída de Moro

Ministro da Economia vem se desentendendo com outras pastas por querer manter política de ajuste fiscal na retomada pós-pandemia.
Alan Santos / PR
Alan Santos / PR

Ministro da Economia vem se desentendendo com outras pastas por querer manter política de ajuste fiscal na retomada pós-pandemia

Alan Santos / PR

Por ocasião do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira, 24, os ministros Paulo Guedes, da Economia, e Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, se encontraram e tiveram uma discussão a respeito do Programa Pró-Brasil.

O novo plano econômico, que será conduzido pelo general Walter Braga Netto, foi anunciado pelo governo na última quarta-feira, 22, como forma de ajudar o País na retomada pós-crise do coronavírus, mas não foi discutido com a equipe econômica.

Paulo Guedes, que até pouco tempo gozava da fama de superministro, entrou no que muitos chamam de processo de “fritura”,  por uma ala do governo por insistir no discurso de manutenção da sua política de ajuste fiscal.

Com um orçamento previsto de R$ 30 bilhões em investimentos, o Pró-Brasil é exatamente o que Guedes não imaginava para o Brasil na saída da pandemia. Por isso, ele acusou Marinho, seu ex-auxiliar,  de atrapalhar a atuação do Banco Central na crise e na política de juros.

Como mostra a matéria de capa da quinta edição de Oeste, Bolsonaro parece agora querer se aliar politicamente ao Centrão fisiológico de Brasília. Ao buscar apoio de partidos como Progressistas, PL, PSD, MDB, que simpatizam muito mais com o programa apoiado pelo ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, do que com a política liberal clássica do atual ministro da Economia, o governo sinaliza que está disposto negociar.

Nessa conta, Paulo Guedes é colocado como alguém que pouco se importa com os pobres. Ele tem se defendido, dizendo que partiu dele a ideia do auxílio emergencial de R$ 600 para os trabalhadores que ficaram sem ter como trabalhar durante o confinamento social.

Tanto Luiz Henrique Mandetta, quanto Sergio Moro deixaram seus ministérios por não aceitarem intervenções do governo em suas pastas. A questão agora é se o titular da Economia vai se dobrar.

Paulo Guedes tem afirmado que não deixará seu cargo, mas que não vai aceitar mudar sua política de conseguir investimentos por meio da iniciativa privada, e não de dinheiro estatal.

E aí se encontra outro problema, visto que o Pró-Brasil conta não apenas com o dinheiro do Estado, mas também com um afrouxamento fiscal que Guedes considera inaceitável.

Leia também sobre o Programa Pró-Brasil no artigo de Alexandre Borges nesta edição de Oeste. 

O ministro da Economia chama o novo plano do governo de “PAC do Marinho”, usando como referência o Plano de Aceleração de Crescimento criado pelos governos petistas e que resultaram no desastre econômico que culminou no impeachment de Dilma Roussef. Isso porque, foi o ministro do Desenvolvimento Regional quem criou o plano. Marinho, no entanto, nega que esteja rompido com o ex-chefe.

MAIS: OS PERIGOS DO PROGRAMA PRÓ-BRASIL

Dentro do governo, a expectativa é a de que todos consigam convergir e chegar ao consenso de que é necessário que o Estado invista no período pós-pandemia, como está sendo feito em todos os outros países do mundo.

 

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11 comentários

  1. É com verdadeiro horror e tristeza q vemos o governo abandonando todas as diretrizes básicas q o elegeram.
    Voltar a permitir maior intervenção estatal na economia, depois de toda a farra de gastos e despesas extraordinárias com o covid, é capitular de vez, voltar ao populismo e irresponsabilidade tão desejadas pelo centrão. O desastre é previsível.
    O semblante sombrio de Guedes sexta-feira à tarde sugeria o seguinte pensamento: “o barco está fazendo água”.

  2. Bolsonaro para Moro: quero que você ataque o STF, me proteja, investigue os meus inimigos, peite o Alexandre de Morais, proteja meus filhos, ache alguém que mandou o Adélio me matar, me mande relatórios sigilosos da PF. Moro achou demais e saiu. Bolsonaro para Guedes: não entendo nada de economia, mas quero um PAC bolsonarista que injete mais 30 bilhões, além dos 150 bilhões que será o rombo depois da pandemia, não acredito no investimento privado, agora quem dá as cartas é o Estado, o nosso projeto liberal vai para a gaveta. Guedes vai achar demais e vai sair.

      1. Acabamos de bater no meio do iceberg, com o motor a todo o vapor. Já estamos afundando.

  3. O governo que a população elegeu está chegando ao fim. A saída de Guedes selará o seu fim… Pergunta que não quer calar: Mourão manterá o compromisso de manter a configuração original ou vai descambar pro lado PAC Pró Brasil, de controle social e Pró China? Uma carta aos brasileiros seria providencial.

  4. E as reformas anticrime (já que o congresso transformou em pó a projeto do Mouro, que previa, inclusive, a prisão em segunda instância), tributária, administrativa, PEC emergencial e pacto federativo? Vamos voltar pro jogo?

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