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A Polícia Federal deve concluir em agosto o inquérito sobre fraudes no Banco Master, investigando um esquema para evitar sua liquidação e facilitar a venda ao Banco de Brasília (BRB). O controlador Daniel Vorcaro, preso, será indiciado por fraude bancária, e políticos, incluindo o senador Ciro Nogueira, estão sob análise por possíveis ligações com a emenda que beneficiaria o banco.
A Polícia Federal (PF) deve concluir, em meados de agosto, o primeiro inquérito sobre as fraudes atribuídas ao Banco Master. A investigação apura um esquema que teria sido montado para evitar a liquidação da instituição e viabilizar sua venda ao Banco de Brasília (BRB).
O controlador do banco, Daniel Vorcaro, preso na Papudinha, será indiciado por suspeita de fraude bancária. O relatório também poderá incluir políticos que atuaram em defesa dos interesses da instituição.
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Entre os nomes sob análise está o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Investigadores apuram se uma emenda apresentada por ele, que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), teria como objetivo beneficiar o Master. O parlamentar nega a acusação e afirma que a proposta não foi elaborada para favorecer Daniel Vorcaro.

O inquérito também examina o impacto financeiro provocado pela atuação do banco sobre o FGC. Segundo a investigação, o prejuízo estimado chega a R$ 50 bilhões. O Master teria atraído investidores ao oferecer Certificados de Depósito Bancário com rentabilidade considerada irreal, utilizando como garantia a cobertura do fundo em caso de quebra da instituição.
O FGC é uma entidade privada mantida pelos bancos para proteger depositantes e investidores dentro dos limites estabelecidos em caso de intervenção ou falência de instituições financeiras.
Venda do Master ao BRB está no centro da investigação
A principal linha de investigação envolve a venda de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master ao BRB, por meio da empresa Tirreno. De acordo com a PF, há suspeitas de que parte desses ativos não existia ou não possuía lastro suficiente, o que teria inflado artificialmente o valor negociado.
Carteiras de crédito reúnem empréstimos e financiamentos concedidos por instituições financeiras e podem ser negociadas entre bancos para reforçar o caixa. No caso investigado, a suspeita é de que os créditos comercializados fossem fraudulentos.

Os investigadores também identificaram o uso de uma rede de fundos de investimento, que, na época, não era submetida à fiscalização do Banco Central (BC). Segundo a PF, essa estrutura teria servido para inflar os ativos e o patrimônio do Master de forma fictícia, criando uma aparência de solidez financeira para evitar a liquidação e facilitar a venda ao BRB.
No momento da liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central, o Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, enquanto acumulava obrigações superiores a R$ 100 milhões, segundo a investigação.
A liquidação extrajudicial é um procedimento adotado pelo BC quando uma instituição perde as condições de continuar operando. Nessa situação, a administração é afastada e um liquidante assume a condução do processo de encerramento das atividades.

Além das fraudes bancárias, a PF mantém investigações paralelas sobre a suposta contratação de influenciadores digitais e jornalistas para atacar o BC e desafetos de Daniel Vorcaro. Também são apuradas suspeitas de pagamento de propina ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa para facilitar a aquisição das carteiras de crédito sob investigação.
Segundo as apurações, líderes do centrão pressionaram o Banco Central para aprovar a venda do Master ao BRB. A operação, contudo, não recebeu aval da autoridade monetária, que decidiu pela liquidação da instituição financeira.
Daniel Vorcaro ainda tentou negociar, em duas ocasiões, um acordo de colaboração premiada. As propostas, contudo, foram rejeitadas tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República.
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