publicidade
Política

PL aciona TSE contra Lula por ‘discurso de ódio e racismo’

Partido acusa o petista de propaganda eleitoral antecipada e discurso discriminatório depois de declarações sobre ‘hegemonia branca’ durante agenda em Santa Catarina

Lula
As falas de Lula ocorreram em um evento em Santa Catarina | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Partido Liberal (PL) protocolou nesta terça-feira, 30, uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido acusa o petista de propaganda eleitoral antecipada, discurso de ódio e discriminação contra a população de Santa Catarina durante um evento oficial realizado na última sexta-feira, 26, em Itajaí. 

Na ação, o partido sustentou que Lula utilizou uma agenda custeada com recursos públicos para promover sua pré-candidatura e atacar adversários políticos, além de atribuir características discriminatórias aos catarinenses.

Receba nossas atualizações

+ Jorginho Mello acusa Lula de xenofobia

Na petição, o PL pede que o TSE aplique multa ao presidente, determine que ele se abstenha de repetir declarações semelhantes em eventos oficiais e encaminhe o caso ao Ministério Público Eleitoral e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apuração de eventuais responsabilidades.

O pedido tem como principal fundamento um trecho do discurso em que Lula afirmou que os catarinenses “não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo” e fez referência à existência de uma suposta “hegemonia branca” no Estado.

Durante seu discurso Lula falou que “não tem porque um cara que é branco é melhor do que o que é negro, o cara que é nordestino é pior do que o do Sul do país. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou”.

Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o evento em Santa Catarina | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Extrapolação do debate político

Para o PL, as declarações extrapolaram o debate político e generalizaram toda a população catarinense ao associar o Estado ao racismo e ao nazismo. 

A legenda analisou que Lula “atribuiu a uma coletividade inteira — definida exclusivamente por sua procedência geográfica, os habitantes de Santa Catarina — a prática, atual e generalizada, de preconceito racial, sem qualquer individualização, prova concreta ou contraditório”.

A ação também sustenta que o discurso teve conteúdo eleitoral. De acordo com o partido, Lula utilizou uma cerimônia institucional para pedir, ainda que de forma indireta, apoio à sua pré-candidatura e rejeição a adversários políticos.

“O discurso do representado ultrapassou, com larga margem, os limites da prestação de contas administrativa, da exposição de realizações governamentais ou da manifestação política genericamente permitida em pré-campanha”, ressaltou o PL. 

+ Marinha batiza nova fragata de guerra

Para o partido, o presidente construiu “uma mensagem eleitoral completa, dirigida ao eleitorado catarinense, em ano de eleição presidencial”, além de ter repetido diversas vezes expressões como “compare”. Lula teria afirmado que os eleitores deveriam avaliar “quem fez e o que fez”, concluindo que seria possível identificar “quem é bom para Santa Catarina” e “quem é bom para o Brasil”. 

Na avaliação do partido, trata-se de um “pedido de voto por equivalência semântica”, vedado pela legislação eleitoral antes do início oficial da campanha.

Falas sobre Jorginho Mello

Outro trecho citado na representação envolve críticas direcionadas ao governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). O partido afirmou que o presidente utilizou o evento oficial para desqualificar um adversário político ao interpelar “qual é a qualidade da massa encefálica que ele tem na cabeça?”, o que reforçaria a caracterização de propaganda eleitoral negativa antecipada.

A petição também invoca dispositivos da Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes resultantes de discriminação, além de regras da legislação eleitoral. Segundo os advogados, a própria Resolução nº 23.610/2019 do TSE classifica como conteúdo de risco “o comportamento ou discurso de ódio, inclusive promoção de racismo, homofobia, ideologias nazistas, fascistas ou odiosas contra uma pessoa ou grupo por preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade, religião e quaisquer outras formas de discriminação”.

Jorginho Mello deve ter Adriano Silva, do Novo, como vice-governador | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Lula também atacou Jorginho Mello | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Na conclusão, o PL afirmou que a ausência de uma resposta da Justiça Eleitoral poderia incentivar a repetição de condutas semelhantes durante a pré-campanha. 

“Trata-se de situação que reclama resposta firme desta Justiça Especializada, mormente porque a ausência de sanção em situações como esta acaba por estimular a repetição do ilícito, o que é absolutamente incompatível com a lisura do processo democrático, por comprometer a liberdade de escolha do eleitor”, sustentou a representação.

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade