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Política

Quebra de confiança por agentes públicos exige 'repressão', diz Mendonça

O ministro do STF defendeu, em congresso na Alemanha, mecanismos de prevenção e correção quando a relação é quebrada

Ministro André Mendonça, em sessão plenária do STF — 5/6/2025 | Foto: Gustavo Moreno/STF
Ministro André Mendonça, em sessão plenária do STF — 5/6/2025 | Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso do Banco Master na Corte, afirmou, na última quinta-feira, 5, que cabe a agentes públicos preservarem a relação de confiança com a sociedade. A fala aconteceu durante o encerramento de um congresso de Direito em Frankfurt, na Alemanha.

“Acho que cabe a nós, no nosso dia a dia”, declarou Mendonça, segundo um áudio obtido pela emissora CNN, “não agirmos de forma a romper essa relação de confiança que a sociedade deposita em nós”.

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O ministro acrescentou que “o povo confia nos agentes, e não nas instituições”, e que, quando essa confiança é quebrada, se tornam necessárias medidas de prevenção ou de repressão.

Com a saída de Toffoli e a entrada de Mendonça, caso Master pode ter novos rumos no STF | Foto: Gustavo Moreno/STF
André Mendonça substituiu Dias Toffoli na relatoria do caso Master | Foto: Gustavo Moreno/STF

“Eu sou agente — um agente público, como muitos que estão aqui também. E esse povo confia nos seus agentes, nas suas instituições”, afirmou o ministro. “E, quando essa relação de confiança é quebrada, ou diante da possibilidade de quebra, é preciso ter mecanismos de prevenção ou, se ela for quebrada, mecanismos de operação.”

Fala de Mendonça aconteceu depois de notícias sobre mensagens de Moraes e Vorcaro

No momento da declaração, já haviam sido divulgadas diversas mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que indicariam proximidade dele com parlamentares e, especialmente, com o ministro do STF Alexandre de Moraes, cuja mulher firmou um contrato de R$ 129 milhões com o dono do Master.

A interlocutores, porém, Mendonça afirmou que suas declarações não foram dirigidas a nenhuma pessoa específica. Segundo ele, trata-se de ideias que costuma apresentar em aulas introdutórias sobre boa governança em cursos de mestrado e doutorado — um chamado à responsabilidade individual e institucional dos agentes públicos.

Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes: diálogos entre o banqueiro e o ministro do STF | Foto: Montagem sobre reprodução/X
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes: diálogos entre o banqueiro e o ministro do STF | Foto: Montagem sobre reprodução/X

Em sua fala, o ministro também sugeriu que mecanismos de compliance amplamente utilizados no setor privado poderiam ser aplicados ao setor público. “Estão aí os programas de compliance, na prevenção; estão aí os mecanismos de proteção aos minoritários, de proteção aos acionistas”, disse. “E essa teoria é transportada para o direito público.”

De acordo com Mendonça, o elemento central no direito público é a confiança das pessoas em seus representantes. “No direito público, o principal é o povo — cada um de nós enquanto povo —, que deposita confiança nos seus agentes”, afirmou.

Para ele, quando agentes públicos rompem essa relação de forma recorrente, o efeito pode ser uma espécie de paralisia social. “Quando o agente, ou um sistema de agentes, quebra de forma rotineira e sistemática essa relação de confiança, isso gera uma inação coletiva.”

André Mendonça STC caso Master Vorcaro PGR
Mendonça lamentou pela postura da PGR em relação às investigações da PF no caso Master | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Ele concluiu ao afirmar que a quebra generalizada de confiança leva à deterioração do comportamento social.

“Se todo mundo faz errado, o povo pergunta: ‘Por que eu vou fazer o certo?’ E aí se gera um problema de ação coletiva. Penso que nós precisamos, ao mesmo tempo, nos preocupar com a relação de confiança que você, dirigente de uma empresa privada, recebe do seu acionista; e que nós, servidores públicos, recebemos da população. Nós precisamos nos preocupar também em não perder a perspectiva de que, se todos nós buscarmos fazer o certo, vai valer a pena.”

Leia também: “Vá em frente, ministro“, reportagem de Augusto Nunes e Carlo Cauti publicada na Edição 312 da Revista Oeste

1 comentário
  1. IVAN SEVERO DA SILVA
    IVAN SEVERO DA SILVA

    STF já não representa o povo ,ou talvez nunca tenha representado.

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