Movimentações financeiras de R$ 300 milhões que envolvem a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer) vieram à tona durante depoimento prestado por Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor da entidade, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nesta quinta-feira, 16.
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O profissional reconheceu que recebia parte dos valores ao intermediar transferências da Conafer por meio de suas empresas. Ele descreveu o montante como “um troco”.
Durante a oitiva na CPMI do INSS, Santos detalhou que recebia planilhas da Conafer com listas de pagamentos e realizava repasses a centenas de pessoas, organizados por categorias diversas, como “gado”, “indígenas” e “secretarias”.
O assessor da Conafer Cícero Marcelino de Souza Santos declarou à CPMI do INSS que recebia parte dos valores ao intermediar transferências da entidade por meio de suas empresas. Ele descreveu o montante como “um troco”. pic.twitter.com/Ui4cuP1Ex3
— Revista Oeste (@revistaoeste) October 17, 2025
“Vinham valores, vinham planilhas de pagamentos diretamente da Conafer, e eu fazia os pagamentos”, afirmou à CPMI. “Então, aí tem uma lista de 200, 300 pessoas. E aí me sobrava um troco. Era realmente isso.”
CPMI do INSS trabalha com possibilidade de lavagem de dinheiro

O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, ressaltou que os recursos transferidos tinham origem suspeita e passavam pelas empresas de Santos, de modo a classificar o assessor como um possível canal para lavagem de dinheiro. O parlamentar disse que os principais envolvidos permanecem “blindados” enquanto Santos assume a responsabilidade.
A investigação ocorre em desdobramento da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal para apurar irregularidades nos repasses da Conafer a prestadores de serviço. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras mostraram transações atípicas entre as empresas ligadas ao assessor. Esses fatos reforçam indícios de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.
Durante a sessão, o relator frisou a diferença entre o patrimônio declarado de Santos e o volume movimentado. Dados da Controladoria-Geral da União revelam que 97,6% dos R$ 300 milhões transferidos para as empresas do assessor teriam origem fraudulenta.
Apesar disso, Santos declarou renda de apenas R$ 14 mil em 2022 e bens modestos, incluindo carros antigos. “O patrimônio não condiz com a quantidade de dinheiro recebida”, afirmou Gaspar.
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Documentos vistos pela CPMI mostram que as empresas ligadas ao assessor receberam valores elevados da Conafer para efetuar pagamentos a centenas de destinatários. O relator sugeriu que essas empresas funcionavam para disfarçar a origem dos recursos, com movimentações circulares e devoluções rápidas de valores sem justificativa contábil. “Há trocas de valores entre contas que não têm justificativa econômica”, disse Gaspar. “Isso é típico de lavagem de dinheiro.”
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