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Política

'Recebia um troco', admite assessor da Conafer à CPMI do INSS

Cícero Marcelino de Souza Santos foi ouvido pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito nesta quinta-feira, 16

Assessor da Conafer presta depoimento à CPMI do INSS
Assessor da Conafer presta depoimento à CPMI do INSS | Foto: Reprodução/TV Senado

Movimentações financeiras de R$ 300 milhões que envolvem a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer) vieram à tona durante depoimento prestado por Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor da entidade, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nesta quinta-feira, 16.

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O profissional reconheceu que recebia parte dos valores ao intermediar transferências da Conafer por meio de suas empresas. Ele descreveu o montante como “um troco”.

Durante a oitiva na CPMI do INSS, Santos detalhou que recebia planilhas da Conafer com listas de pagamentos e realizava repasses a centenas de pessoas, organizados por categorias diversas, como “gado”, “indígenas” e “secretarias”.

“Vinham valores, vinham planilhas de pagamentos diretamente da Conafer, e eu fazia os pagamentos”, afirmou à CPMI. “Então, aí tem uma lista de 200, 300 pessoas. E aí me sobrava um troco. Era realmente isso.”

CPMI do INSS trabalha com possibilidade de lavagem de dinheiro

cpmi inss
Momento de sessão da CPMI do INSS | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, ressaltou que os recursos transferidos tinham origem suspeita e passavam pelas empresas de Santos, de modo a classificar o assessor como um possível canal para lavagem de dinheiro. O parlamentar disse que os principais envolvidos permanecem “blindados” enquanto Santos assume a responsabilidade.

A investigação ocorre em desdobramento da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal para apurar irregularidades nos repasses da Conafer a prestadores de serviço. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras mostraram transações atípicas entre as empresas ligadas ao assessor. Esses fatos reforçam indícios de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

Durante a sessão, o relator frisou a diferença entre o patrimônio declarado de Santos e o volume movimentado. Dados da Controladoria-Geral da União revelam que 97,6% dos R$ 300 milhões transferidos para as empresas do assessor teriam origem fraudulenta.

Apesar disso, Santos declarou renda de apenas R$ 14 mil em 2022 e bens modestos, incluindo carros antigos. “O patrimônio não condiz com a quantidade de dinheiro recebida”, afirmou Gaspar.

Leia também: “A nova caixa-preta de Brasília”, reportagem de Silvio Navarro publicada na Edição 291 da Revista Oeste

Documentos vistos pela CPMI mostram que as empresas ligadas ao assessor receberam valores elevados da Conafer para efetuar pagamentos a centenas de destinatários. O relator sugeriu que essas empresas funcionavam para disfarçar a origem dos recursos, com movimentações circulares e devoluções rápidas de valores sem justificativa contábil. “Há trocas de valores entre contas que não têm justificativa econômica”, disse Gaspar. “Isso é típico de lavagem de dinheiro.”

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