publicidade
Política

Relator chama PEC das Prerrogativas de ‘porta aberta para o crime organizado’

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou parecer na CCJ da Casa pela rejeição da proposta; texto deve ser ‘enterrado’ pelos parlamentares

pec das prerrogativas-alessandro vieira-Jefferson RudyAgência Senado
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi escolhido como o relator da PEC das Prerrogativas na CCJ | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da chamada PEC das Prerrogativas (PEC 3/2021), apresentou nesta terça-feira, 24, seu parecer pela rejeição da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. 

+ Com PEC das Prerrogativas em pauta, CCJ do Senado deve rejeitar a proposta

Receba nossas atualizações

O texto da PEC das Prerrogativas prevê que deputados e senadores não possam ser processados criminalmente sem autorização prévia de suas respectivas Casas Legislativas e ainda estabelece a volta do voto secreto em casos de autorização de processo e prisão em flagrante.

Em seu relatório, Vieira foi categórico ao revelar que a proposta representa um retrocesso: “A PEC, que formalmente aponta ser um instrumento de defesa do Parlamento, é, na verdade, um golpe fatal na sua legitimidade, posto que configura portas abertas para a transformação do Legislativo em abrigo seguro para criminosos de todos os tipos”.

“Blindagem”

Vieira relembrou que, até a Emenda Constitucional n° 35, de 2001, parlamentares só podiam ser processados com licença prévia da Câmara ou do Senado. Na prática, segundo ele, essa regra “funcionava como um ardil para perpetuar a impunidade”.

“De 1988 a 2001, quase 300 pedidos de investigação chegaram ao Congresso e apenas um foi autorizado”, relembrou o parlamentar. “Todo o restante era simplesmente engavetado.”

+ Ciro Nogueira sugere limitar PEC das Prerrogativas a ‘crimes de opinião’

Para o senador, a aprovação da PEC das Prerrogativas significaria “um gigantesco passo atrás” em relação às conquistas de transparência e moralidade obtidas nos últimos 24 anos. 

“Estamos tentando retroceder o erro de 24 anos. Ao contrário, a apuração de ilícitos penais cometidos por parlamentares fortalece a legitimidade do Parlamento”, destacou.

Voto secreto na PEC das Prerrogativas

O relator também criticou o dispositivo que restabelece o voto secreto em decisões sobre processos e prisões de parlamentares: “Prever voto secreto em deliberações sobre abertura de processo criminal traduz-se em violação da própria ideia de democracia representativa, que obriga o representante a prestar contas ao representado”.

Vieira ressaltou que, em 2013, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional n° 76, que aboliu o voto secreto em casos de perda de mandato e análise de vetos, justamente para ampliar a transparência. 

“Os nossos eleitores têm o pleno direito de saber como votamos, até para que possam exercer o seu digno e justo controle social”, declarou o relator da proposta.

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    Quem não faz o dever de casa , não tem direito de bancar o paladino da moral !
    Quero ver ele provar que não come na mão do governo !

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade