Renan, Doria e os heróis da nova esquerda

'Ser de esquerda ficou de graça no Brasil. Mais que isso. Não apenas não há mais o menor perigo para quem entra no 'campo progressista' como, na maioria das vezes, foi se tornando muito mais proveitoso', afirma J. R. Guzzo na Revista Oeste
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Renan Calheiros e João Doria são os novos queridinhos de parte da esquerda brasileira
Renan Calheiros e João Doria são os novos queridinhos de parte da esquerda brasileira | Foto: Edição de Arte/Oeste

Em sua coluna na Edição 60 da Revista Oeste, J. R. Guzzo constata um fenômeno em curso na política brasileira. Passou a haver tanta gente supostamente identificada com a esquerda que o próprio Luiz Inácio Lula da Silva, provável candidato do PT à Presidência da República em 2022, começou a ficar incomodado e deu para dizer que é “de centro”.

“Ser de esquerda ficou de graça no Brasil. Mais que isso. Não apenas não há mais o menor perigo para quem entra no ‘campo progressista’ como, na maioria das vezes, foi se tornando muito mais proveitoso, e certamente mais seguro, dizer para o máximo possível de gente: ‘Eu sou uma pessoa de esquerda'”, afirma Guzzo.

Leia outro trecho

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“No corrente momento, porém, ficou tão fácil ser de esquerda, mas tão fácil, que rigorosamente qualquer um pode proclamar no meio do Viaduto do Chá ou no horário nobre da televisão que está plenamente integrado nas lutas populares etc. etc. Não importa o que o indivíduo faça, ou tenha feito, na realidade da sua vida política, social ou profissional. A única exigência para receber a certidão de ‘pessoa de esquerda’ é autodeclarar-se como tal, ou nem isso; para simplificar as coisas, basta dizer que você é contra ‘o Bolsonaro’, ou escolher uma opção qualquer do menu apresentado abaixo. Pronto — fica tudo resolvido. […]

O senador Renan Calheiros, por exemplo: acredite se quiser, mas ele é tratado pela imprensa, pelo mundo político e pelas classes intelectuais como um dos mais notáveis gigantes da atual ‘resistência’ ao fascismo e, por via de consequência, como um homem de esquerda em estado puro. O governador João Doria ou o apresentador de televisão Luciano Huck também são de esquerda, neste Brasil de hoje. Nunca planejaram nada parecido, mas ficaram do ‘lado certo da contradição’ — ou seja, ficaram contra Bolsonaro —, e isso é mais do que suficiente, nas presentes condições de temperatura e pressão, para transformar até Donald Trump num campeão das lutas democráticas e populares. A coisa ficou de um jeito que tem até banqueiro de investimento dizendo que é ‘de esquerda’. (No Rio de Janeiro há pelo menos um; pode haver outros, escondidos.)”

Revista Oeste

Além do artigo de J. R. Guzzo, a Edição 60 da Revista Oeste traz reportagens especiais e textos de Silvio Navarro, Guilherme Fiuza, Ana Paula Henkel, Dagomir Marquezi, Rodrigo Constantino, Ubiratan Jorge Iorio, entre outros.

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