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Política

Resposta a tarifas de Trump vai ser apresentada a Lula esta semana, diz Haddad

O ministro da Fazenda afirmou que a aplicação da Lei da Reciprocidade só será considerada como último recurso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante a cerimônia Nova Indústria Brasil - Missão 4: Indústria e Revolução Digital, no Palácio do Planalto | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro Fernando Haddad ressaltou que a prioridade é buscar diálogo e evitar qualquer medida que represente retaliação | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo brasileiro deve definir a resposta ao tarifaço dos Estados Unidos sobre importações do Brasil nos próximos dias, com um plano de contingência elaborado por uma equipe coordenada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin.

O pacote de medidas será submetido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana, segundo adiantou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista à rádio CBN, nesta segunda-feira, 21.

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O ministro afirmou que o grupo de trabalho avalia alternativas que incluem a aplicação da Lei de Reciprocidade aprovada em abril, mas destacou que essa possibilidade só será considerada como último recurso.

“Nosso objetivo não é retaliar”, disse Haddad, acrescentando que o foco está em negociar com o governo dos Estados Unidos a revisão da sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros.

Haddad diz que retaliação não é prioridade

Entre as propostas em análise está a concessão de linhas de crédito para segmentos mais prejudicados, como o setor de pescados.

“Pode ser que nós tenhamos que recorrer a instrumentos de apoio aos setores que, injustamente, estão sendo afetados”, declarou Haddad.

O ministro ressaltou que a prioridade é buscar diálogo e evitar qualquer medida que represente retaliação direta a empresas ou cidadãos americanos.

Circulou, no fim de semana, a possibilidade de retaliação a interesses americanos, depois da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar a tarifa, com início em 1º de agosto.

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“Isso não está na ordem de consideração do Brasil”, disse Haddad. “Nós não podemos pagar na mesma moeda uma coisa que nós consideramos injusta.”

O ministro frisou que o objetivo brasileiro é demonstrar à Casa Branca os impactos negativos da medida para os próprios Estados Unidos, como o enfraquecimento de cadeias produtivas e o aumento do custo para consumidores americanos.

“Não vamos sair da mesa de negociação”, completou. Ele informou que os canais diplomáticos seguem ativos para tentar reverter a decisão.

Ministro culpa Bolsonaro por tarifaço

Sem citar as queixas do presidente norte-americano sobre abusos do Judiciário brasileiro e a perseguição política a opositores da esquerda, Haddad reforçou a narrativa do governo, que culpa o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo tarifaço de Trump.

“Temos uma força política dentro do nosso país que está lutando contra os interesses nacionais”, disse o ministro em referência ao ex-presidente.

Leia mais: “Soberania para roubar”, artigo de J.R. Guzzo publicado na Edição 278 da Revista Oeste

O ministro atribuiu a decisão americana a fatores pessoais, já que, segundo ele, não há justificativas econômicas para a tarifa.

Haddad destacou ainda que a presença de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos desde março e seus contatos com autoridades americanas agravam o quadro.

“Essa é a nossa principal vulnerabilidade”, afirmou o ministro. “Se a gente não botar o dedo nessa ferida, vai ser mais difícil negociar.”

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