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Política

Senado quebra jejum de 132 anos ao rejeitar Jorge Messias para o STF

Pela primeira vez desde 1894, senadores exercem poder de veto contra indicado da Presidência da República

jorge messias
O ministro Jorge Messias foi rejeitado nesta quarta-feira, 29, por 42 votos a 34 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

O Senado Federal encerrou nesta quarta-feira, 29, um hiato histórico que durava mais de um século. Ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) por 42 votos a 34, a Casa voltou a barrar um nome escolhido pelo Palácio do Planalto, algo que não ocorria desde 1894.

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O último precedente ocorreu em 1894, quando o Senado negou a cadeira ao médico Candido Barata Ribeiro, indicado pelo marechal Floriano Peixoto. Desde então, a Casa havia aprovado todos os nomes apresentados por diferentes presidentes para o STF.

O caso de Barata Ribeiro, há 132 anos, ocorreu porque os parlamentares da época consideraram que o médico não possuía o “notável saber jurídico” exigido pela Constituição de 1891.

Naquela época, Barata Ribeiro chegou a atuar como ministro por 10 meses antes da votação definitiva. O parecer que o removeu do cargo foi taxativo: seria um “absurdo” ter um tribunal composto por profissionais alheios à ciência do Direito.

O recorde de Lula e Floriano Peixoto

Com o resultado desta quarta-feira, Luiz Inácio Lula da Silva se tornou o único presidente no período republicano moderno a ter uma indicação ao STF recusada. Antes dele, apenas o marechal Floriano Peixoto sofreu derrotas semelhantes, ao acumular cinco rejeições em um único ano.

A sabatina de Messias

Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Messias enfrentou uma votação apertada que se estendeu por oito horas. O advogado-geral da União tentou uma demonstração de força ao chegar com os ministros José Múcio Monteiro (Defesa) e Jader Filho (Cidades).

Em sua fala inicial, Messias buscou reduzir as resistências com acenos à “autocontenção” do STF. Ele defendeu a necessidade de discutir o “aperfeiçoamento” da atuação dos ministros e afirmou que o Judiciário não deve agir como “protagonista ou substituto” de legisladores.

Leia mais: “Messias repete discurso de Moraes em sabatina ao defender contenção do Judiciário

“Cortes constitucionais devem ser cautelosas em operar mudanças divisivas na sociedade”, declarou Messias. “O STF deve ser autocontido em relação a prerrogativas de outros Poderes.”

A base governista projetava entre 46 e 48 votos favoráveis, mas Messias alcançou apenas 34 apoios no plenário. O advogado-geral da União aguardava a sabatina desde 20 de novembro, data de sua indicação por Lula. Com a rejeição, o presidente deverá apresentar um novo nome para ocupar a cadeira vaga desde a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso.

Leia mais: “Messias, sobre Inquérito das Fake News: ‘Ninguém pode ser investigado a vida toda’


*Com informações da Agência Senado

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