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Política

STF analisa recurso que pede mudanças no foro privilegiado

PGR solicita a definição de critérios mais claros para os processos

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Fachada da sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília | Foto: SCO/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, na sexta-feira 12, um recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) que pede ajustes no entendimento da Corte sobre o foro privilegiado. A análise ocorre no plenário virtual e deve se encerrar em 19 de dezembro, às 23h50, salvo pedido de vista ou destaque para julgamento presencial.

Em março, o STF ampliou o alcance do foro especial por prerrogativa de função. A Corte decidiu que crimes funcionais — ligados ao exercício do cargo — continuam sob a competência dos Tribunais Superiores mesmo depois do fim do mandato.

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Pela tese fixada neste ano, investigações e ações penais contra autoridades permanecem no tribunal competente quando os fatos têm relação com o cargo ocupado, ainda que o processo comece depois do término da função pública.

Na prática, isso impede que casos retornem à primeira instância apenas porque o investigado deixou o cargo.

O que a PGR solicita sobre foro privilegiado

Gonet
O titular da Procuradoria-Geral da República, Paulo Gonet | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Procuradoria-Geral da República não indaga o mérito da decisão, mas pede a definição de balizas mais claras. Segundo a PGR, a falta de critérios pode gerar morosidade, instabilidade processual e risco de prescrição.

Um dos pedidos é a criação de regras de transição. A proposta prevê que processos já na fase final — com instrução encerrada e prazo aberto para alegações finais — permaneçam nas instâncias inferiores.

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Para o Ministério Público, remeter esses casos aos Tribunais Superiores pode causar retrocesso investigativo e atrasar julgamentos. A PGR sustenta que a manutenção dos processos evita prejuízos ao devido processo legal.

O procurador-geral Paulo Gonet argumenta que ações nessa etapa devem seguir no órgão que já conduzia o caso.

Mandatos cruzados

Outro ponto em debate envolve os chamados “mandatos cruzados”, quando a autoridade ocupa cargos distintos em sequência. A PGR defende a ideia de que o foro seja definido conforme o cargo exercido à época dos fatos.

Se o crime ocorreu durante o mandato de governador, por exemplo, a competência seria do Superior Tribunal de Justiça. A exceção vale para crimes continuados, que atravessam diferentes mandatos — nesses casos, a instância mais elevada julgaria o processo.

Os ministros vão decidir se acolhem o recurso da PGR e ajustam a tese fixada em março. Para haver mudança, são necessários ao menos seis votos nesse sentido.

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