publicidade
Política

STF decide se regras da Lava Jato vão valer a outras empresas com leniência

Em agosto, Supremo avalia se companhias que fecharam acordos sem intermediação do Executivo federal vão gozar de condições favoráveis

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)
Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília | Foto: Divulgação/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para decidir, em agosto, se as condições favoráveis concedidas a empreiteiras da Lava Jato poderão ser estendidas às demais empresas que fecharam acordos de leniência, mas sem intermediação dos órgãos do Executivo federal.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

Entre as empresas potencialmente beneficiadas, está a J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista. Ela firmou acordo com o Ministério Público Federal e assumiu multa de R$ 10 bilhões.

Atualmente, apenas companhias que negociaram leniência com a Advocacia-Geral da União (AGU) e com a Controladoria-Geral da União (CGU) receberam descontos em multas. Essa situação não contempla a J&F, por exemplo.

O julgamento do STF pode alterar esse cenário. Se ampliar o entendimento, a Corte pode favorecer empresas que fizeram acordos apenas com o Ministério Público. O debate surgiu com a renegociação de contratos, que começou no ano passado, por empreiteiras como UTC, Braskem, OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Nova Participações e Odebrecht.

Possíveis impactos do julgamento do STF

Ministro André Mendonça em sessão plenária do STF (5/6/2025) | Foto: Gustavo Moreno/STF

Segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), essas renegociações resultaram em abatimento de R$ 5,7 milhões nos valores originalmente devidos pelas empresas.

Leia mais: “A Boba da Corte”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 276 da Revista Oeste

O processo em análise pode ampliar a validade desses descontos para outras empresas, inclusive as que firmaram acordo exclusivamente com o Ministério Público Federal ou Estadual.

Relator do caso, o ministro André Mendonça agendou o início do julgamento virtual para 8 de agosto, com término em 18 de agosto. O juiz pretende resolver não só a legalidade das renegociações feitas pela AGU e CGU, mas também decidir se a interpretação poderá alcançar outros acordos celebrados fora do Executivo federal.

Leia também: “O malabarismo jurídico da PGR”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 278 da Revista Oeste

Os partidos Psol, PCdoB e Solidariedade ingressaram com uma ADPF no STF, em 2023, pela suspensão das multas para empresas investigadas na Lava Jato até agosto de 2020. Eles argumentaram que os acordos prejudicaram as empresas e solicitaram revisão judicial para evitar o que classificam como “hermenêutica punitivista e inconstitucional do lavajatismo”.

Mendonça criou, no início de 2024, uma mesa de conciliação, mas apenas empresas com acordos junto à AGU e CGU participaram das novas tratativas. Companhias como a J&F, que negociaram apenas com o Ministério Público, não se beneficiaram dos ajustes nos termos dos acordos.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.