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Política

TCU vê indícios de superfaturamento em espaços da COP30

O órgão cobra explicações sobre os critérios de precificação e as medidas adotadas para evitar abusos

Sede do Tribunal de Contas da União, em Brasília: alerta de irregularidades e risco de novo prejuízo aos cofres públicos
Fachada da sede do Tribunal de Contas da União, em Brasília | Foto: Divulgação/Portal de imagens do TCU

Auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) identificaram práticas irregulares e possíveis preços inflacionados na negociação de espaços das áreas Green Zone e Blue Zone, da 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, (COP30). O evento está marcado para ocorrer em novembro em Belém, capital do Pará.

O órgão cobra do governo federal explicações sobre os critérios usados na definição dos valores e as medidas adotadas para evitar abusos. O relatório técnico, de 11 páginas, recomenda que a Secretaria Extraordinária da COP30 preste esclarecimentos.

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O documento examina dois contratos firmados em 2 de junho entre o Consórcio Pronto RG e a organização do evento, voltados à comercialização dos espaços. A apuração foi aberta após representação de membros da oposição.

Indícios de superfaturamento na COP30

Presidente Lula e Helder Barbalho, governador do Estado do Pará, durante cerimônia de anúncio da realização da COP30 no município de Belém (17/6/23) | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula e Helder Barbalho, governador do Estado do Pará, durante cerimônia de anúncio da realização da COP30 no município de Belém — 17/6/23 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A equipe do TCU vê “plausibilidade jurídica robusta” nas suspeitas de superfaturamento e subsidiação cruzada, apontando diferenças de até mil por cento entre os preços cobrados e os valores de mercado.

Um dos exemplos citados é o de uma cadeira vendida por R$ 1,6 mil, enquanto o valor médio seria de R$ 150. O mesmo padrão aparece em itens como impressoras (R$ 3 mil ante R$ 400) e frigobares (R$ 1,4mil ante R$ 500).

Segundo os auditores, o edital “impede que os licitantes apresentem propostas que reflitam o valor econômico total da contratação”, por não prever mecanismos de controle sobre os preços cobrados pela empresa vencedora.

Seleção e próximos passos

O Consórcio Pronto RG foi escolhido pela Organização dos Estados Ibero-Americanos, contratada pelo governo federal sem licitação. Depois das críticas, o valor do contrato foi revisado.

Com base nas conclusões do relatório, caberá ao ministro Bruno Dantas, do TCU, decidir se os contratos serão suspensos ou se o governo será apenas instado a se explicar. A tendência no TCU é pela segunda opção, para evitar atrasos na COP30.

Leia também: “A COP dos absurdos”, reportagem publicada na Edição 266 da Revista Oeste

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