Tom Cruise, em <i> Top Gun: Maverick </i> | Foto: Divulgação
Tom Cruise, em Top Gun: Maverick | Foto: Divulgação

Maverick é a esperança ocidental

Eis o que o telespectador vai encontrar ali: heroísmo, bravura, sacrifício, espírito de equipe, meritocracia, busca por excelência, redenção, senso de dever, patriotismo, amor, família, amizade

Ocinema respira. Enquanto a audiência do Oscar despenca a cada ano, por excesso de “lacração”, de vez em quando surge um filme que corre “por fora”, bate recorde de bilheteria e alimenta nossa fé não só nessa arte, como na civilização. É o caso de Top Gun: Maverick, que já é o filme de maior sucesso do Tom Cruise na largada. E não é para menos.

O filme é um retorno aos anos 1980, quando foi rodado o primeiro Top Gun, uma década de esperança que terminou com a queda do Muro de Berlim. Não há qualquer intuito de “lacrar” ali. Apenas uma história emocionante, efeitos especiais de tirar o fôlego e ótimo entretenimento por algumas horas. Não por acaso a crítica desprezou. Teve um que chegou a falar em “machismo tóxico” e anatomia fálica dos jatos.

Tom Cruise | Foto: Divulgação

Mas eis o que o telespectador vai encontrar ali: heroísmo, coragem, bravura, sacrifício, espírito de equipe, meritocracia, busca por excelência, redenção, senso de dever, patriotismo, amor, família, amizade. A missão é quase impossível, mas ela precisa ser feita, pela nação, por eles, pela liberdade. O capitão altamente condecorado, mas que permaneceu capitão para sempre, é uma espécie em extinção, talvez. Mas ele mesmo rebate: “Não hoje”. E enquanto homens de verdade puderem existir, é isso que importa, pois haverá uma luz no fim do túnel.

Em The War on the West, Douglas Murray fala da guerra cultural em curso contra todos os valores que definiram a sociedade ocidental. Ele explica: “Nos últimos anos, ficou claro que há uma guerra em andamento: uma guerra contra o Ocidente. Isso não é como as guerras anteriores, onde os exércitos se chocam e os vencedores são declarados. É uma guerra cultural, e está sendo travada impiedosamente contra todas as raízes da tradição ocidental e contra tudo de bom que a tradição ocidental produziu”.

Todos nós podemos perceber isso no dia a dia, mesmo sem se aprofundar no tema. As pessoas começaram a falar de “igualdade”, mas não pareciam se importar com direitos iguais. Elas falavam de “antirracismo”, mas soavam profundamente racistas e segregacionistas. Elas falavam de “justiça”, mas pareciam significar “vingança”.

Pôster do filme Top Gun: Maverick | Foto: Reprodução

E esses radicais disfarçados de moderados possuem um só objetivo: detonar o legado ocidental. Um dos instrumentos preferidos para isso, além de cuspir em tudo que vem do Ocidente enquanto ignora os defeitos de outras civilizações, é mudar a demografia dos países, escancarando suas fronteiras e alegando que é preciso absorver o mundo todo em nome dos “crimes” passados. Essa turma age na base do sentimento de culpa incutido nas pessoas.

Apenas os países ocidentais, espalhados por três continentes, foram constantemente informados de que, para ter alguma legitimidade — para serem considerados decentes —, deveriam alterar rápida e fundamentalmente sua composição demográfica. Os argumentos estavam sendo feitos não por amor aos países em questão, mas por um ódio mal disfarçado por eles. O Ocidente é o problema, e sua destruição seria a solução.

Por isso esses radicais nada falam dos abusos contra as liberdades básicas na China ou no Oriente Médio, sobre a total ausência de direitos das minorias nesses países, à exceção de Israel, uma democracia parlamentar nos moldes ocidentais, e ironicamente o país mais atacado pelos “progressistas” na região. Eles partem da premissa de que há um apreço global por tais valores, ignorando que foi apenas no Ocidente que eles surgiram de verdade. Eles cospem nas bases morais e religiosas que tornaram possível o surgimento desses valores. E, mesmo quando não é possível negar a ausência deles em outras civilizações, os radicais dão um jeito de culpar… o Ocidente por isso!

As novas gerações aprendem essa visão ignorante da história. Elas recebem uma história das falhas do Ocidente sem gastar um tempo correspondente em suas glórias

O racismo terrível existe atualmente em toda a África, expresso por africanos negros contra outros africanos negros. O Oriente Médio e o subcontinente indiano estão repletos de racismo. Viaje para qualquer lugar do Oriente Médio — até mesmo para os Estados “progressistas” do Golfo — e você verá um moderno sistema de castas em ação. Na Índia até hoje existem os “intocáveis”. Mas misteriosamente é o Ocidente a civilização condenada por ser “estruturalmente racista”. Enquanto o Ocidente é agredido por tudo o que fez de errado, agora não recebe nenhum crédito por ter feito algo certo.

Para Murray, passamos de apreciar e avaliar o que há de bom na cultura ocidental para dizer que cada parte dela deve ser desmantelada, que está tudo errado. Somos hoje incapazes de reconhecer o diferencial positivo do Ocidente. Em poucas décadas, a tradição ocidental passou de celebrada a constrangedora e anacrônica e, finalmente, a algo vergonhoso. Passou de uma história destinada a inspirar as pessoas e alimentá-las em suas vidas para uma história destinada a envergonhar as pessoas.

A crítica histórica e o repensar nunca são uma má ideia. No entanto, a busca por problemas visíveis e tangíveis não deve se tornar uma busca por problemas invisíveis e intangíveis, argumenta Murray. Especialmente se for realizada por pessoas desonestas com as respostas mais extremas. Se permitirmos que críticos maliciosos deturpem e sequestrem nosso passado, então o futuro que eles planejam com base nisso não será harmonioso. Será um inferno.

A cultura que deu ao mundo avanços incríveis na ciência, na medicina e um mercado livre que tirou bilhões de pessoas ao redor do mundo da pobreza e ofereceu o maior florescimento de pensamento em qualquer lugar do mundo é interrogada através de lentes da mais profunda hostilidade e simplicidade. E o duplo padrão salta aos olhos: as demais culturas não podem ser julgadas pela mesma régua, pois isso seria “etnocentrismo”.

As novas gerações aprendem essa visão ignorante da história. Eles recebem uma história das falhas do Ocidente sem gastar nada como um tempo correspondente em suas glórias. E elas existem! E são muitas! Parece que estamos matando a galinha dos ovos de ouro, constata Murray. E é nesse contexto que devemos celebrar o sucesso de Top Gun: Maverick, além de ser bom entretenimento. O filme resgata esses valores que os “lacradores” querem enterrar. Todos saem com orgulho dos heróis, emocionados pelo sacrifício, pela camaradagem, pela bravura e pelo senso de dever daqueles patriotas. Por isso o filme incomodou tanto a elite “progressista”. E por isso também foi esse estrondoso sucesso de bilheteria. O Ocidente respira.

Tom Cruise | Foto: Divulgação

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24 comentários Ver comentários

  1. Exatamente isso Consta. Não assisti o filme ainda, mas pude sentir em seu texto o calor dos valores que querem enterrar. Claro, o ser humano, descendente que é, de algo maior, grandioso, Deus, quando vê ressoar em seu intimo valores que o inspiram em direção ao Criador se regozija de alegria e com certeza vai buscar ser uma pessoa melhor, ter mais comprometimento, reconhecer a importância do trabalho em equipe, etc. Nem tudo está perdido. Parabéns pelo texto.

  2. Você descreveu bem oq a gente sente. Hoje (ainda n dormi) assisti e foi exatamente isso, ficamos emocionados com o sacrifício, a camaradagem, pela bravura e pelo senso de dever daqueles patriotas heróis. Fora nos, mulheres q somos apaixonadas por aquela masculinidade “tóxica” maravilhosa do Tom Cruise. Eu amei!

  3. Boa, Constantino! Tenho assistido quase um filme por noite, variando entre filmes antigos e filmes recentes. Sei que sou antigão (70 anos) e a tendência é ser saudosista, pois os filmes antigos me emocionaram mais, por serem novidade para mim na época. Hoje em dia às vezes vejo algum filme atual que eu já assisti em duas versões anteriores. Normalmente só ficam na nossa mémória os melhores filmes (músicas, cantores, poemas, políticos, professores, etc), daí ser comum dizer: ‘no meu tempo que era bom’! Dos filmes novos, tenho assistido alguns que eu vou até o final, desejando que em algum momento melhore. Mas estes devem estar entre os 70% de filmes não tão bons, como parece ocorrer em qualquer época, descontando-se a qualidade do meu gosto pessoal e idade. ‘Maverick’ eu colocaria na outra porcentagem, mesmo sendo uma nova versão de roteiros parecidos (qual estória não é a recontagem de mitos e lendas antigas?), interpretado, dirigido, fotografado e dispondo de efeitos especiais de grande qualidade, criando um ótimo entretenimento. O resgate de valores tão caros na minha juventude me faz respirar fundo, aliviado. Não rejeito a priori novos valores, comportamentos e tecnologias. Mas sempre me pergunto: por quê e para quê?

  4. Além de todas as suas ponderações, pertinentes na minha opinião, pontuo sobre a qualidade do enredo bem amarrado com o primeiro filme, além de uma atuação pra lá de emocionante de Tom Cruise, sem aquele ufanismo boçal que me incomodava em alguns filmes de Hollywood. Uma verdadeira obra prima da categoria ação, que raramente se vê nos dias de hoje, sem nenhuma propaganda identitária ou progressista.

  5. Jornalista e escritor Rodrigo Constantino. Não é de hoje, que acompanho, pela Internet os seus judiciosos e espetaculares comentários e artigos. Te considero, atualmente, o mais importante jornalista, não só por sua investigação profunda dos fatos, mas por sua operacionalidade na defesa de valores que estão sendo suprimidos da sociedade, por forças hostis, carcomidas e de facções criminosas que desejam destruir a Civilização Judaico Cristã. que certa feita foi salva na Europa por Carlos Magno, no ano 900 d.C. Abraço fraterno.

  6. Meu critério pra escolher filmes pra assistir de agora em diante será ver aqueles reprovados por esses “críticos”, se não gostam então é bom.

  7. Todo mal do ocidente são os próprios ocidentais que embalaram a semântica da linguagem intelectual dos esquerdistas de plantão que de progressistas não tem nada, progresso é a evolução do próprio universo e a tecnologia é quem resolve, não a retórica

  8. Parabéns, análise perfeita. Essa foi a sensação que senti após assistir o filme (ontem 3.6), e o povo, na sua esmagadora maioria se identificou com a mensagem proposta pelo filme: exaltação do valores morais e éticos do ser humano, daí a pecha de machista em excesso. Aliás, essa foi a melhor propaganda que os lacradore poderiam fazer do filme. Mais uma vez, o tiro saíu pela culatra. O filme, ao contrário da proposta dos esquerdoapatas, reavivou os sentimentos morais dos homens livres.

  9. Maravilha de texto. Ainda há esperança. O sucesso do filme mostra que as pessoas aprovam e querem a volta de valores . Quem sabe, o sucesso do filme seja um marco, para que outros do mesmo estilo comecem a pipocar e ofereçam um norte de dignidade para as novas gerações.

  10. Alexandre de Morais ,quando se referiu aos imbecis errou de público, eles estão aí , se fazem de entendidos de tudo e querem transformar, uma civilização que deu certo, em uma aberração que irá condenar as próximas gerações à uma vida insípida , desprovida de sentimentos e calcada em falsos e hipócritas valores.
    A minoria deseja se impor à maioria. Um filme incomoda tanto porque nós, os apreciadores desse modelo, somos mais numerosos, e podemos manifestar nosso interesse em algo real que faz parte do mundo que conhecemos.
    Parabéns , Constantino, você tem sido uma voz lúcida e importante.

  11. Nāo me lembro da última vez que entrei em uma sala de cinema. Abandonei esse cistume por nāo mais suportar o politicamente correto hollywoodiano. Agora tenho um bom motivo para ir ao cinema.

  12. Parabéns, Constantino! A civilização ocidental é, sem dúvida, a mais brilhante de todas que existem e já existiram. Embora o seu setor ibérico (Espanha, Portugal e TODAS suas ex-colônias, sem excessão) seja o mais atrasado e que menos contribuiu com o progresso do pensamento e da ciência, e não dá sinais de querer sair da mediocridade, nós, brasileiros, devemos agradecer a sorte de nos fazer nascer em um país ocidental.

  13. Constantino, vOcê sempre lavando nossa alma, nossos espíritos. Parabéns. Eu ainda era adolescente quando lançaram o primeiro Top Gun. Não tínhamos essa de racismo, feminismo, ‘consciência política’. Trabalhávamos e estudávamos. Sabíamos que somente os melhores teriam chances. Sem coitadismo. Procuro passar isso para minha filha (e sabe, até que vem dando certo, passou na Poli em engenharia elétrica aos 17 anos – obviamente, sem quotas, ou seja, na raça, porque assim é que se vence. AVANTI

  14. Nesses dias em que as pessoas são obrigadas a dizer que são a favor do aborto, a favor de crianças LGBT, a favor do bandido, a favor de ladrão de celular, a favor da censura e outras coisas aparecer um filme assim é um perigo para a civilização ocidental. Hoje fazer uma tatuagem no butico rende elogios, mas cantar música sertaneja é sacrilégio. Aqui no Brasil, jm tal de Mierovit da Folha já está até exigindo impeachment do C(K)assio Nunes. O mundo virou de ponta cabeça. Isso vai dar “ruim”.

    1. Olha isso, foi em Londres, ilustra e assusta.
      https://www.contrafatos.com.br/video-pastor-cristao-de-71-anos-e-preso-por-pregar-o-casamento-biblico-heterossexual/

      1. Bom dia, Andre Mendonça.
        Sugiro que reveja (ou recicle) seus conhecimentos e informações sobre o que denomina “setor ibérico e suas ex-colônias”. Vivo em Portugal há 30 anos, e cada vez que vou ao Brasil constato o que afirma, porém em sentido inverso, pois cada vez mais sinto, com imensa tristeza, o desinteresse do nosso povo brasileiro por sair da mediocridade em que vive, entretanto a demonstrar um ufanismo imaginário, ao intitular-se como o melhor do mundo. Podia ser, mas não o é, ainda. E, a proceder assim, talvez nunca o venha a ser.
        Talvez, por um ato falho, as suas considerações reflitam exatamente isso, uma vez que, ao frisar TODAS as ex-colônias, o nosso Brasil nelas se inclui.
        Cumprimentos.

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