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Óvnis invadem o Senado!

Registros de naves misteriosas e seres fantásticos estão presentes desde 5 mil anos antes de Cristo

No dia 24 de junho de 1947, o piloto amador Kenneth Arnold estava pilotando seu pequeno CallAir A-2 sobre a cidade de Mineral, Estado de Washington, EUA. Arnold, que estava a caminho do Estado de Oregon, resolveu sobrevoar o Monte Rainier, a maior montanha dos Estados Unidos.

E então veio o flash. E logo já não era mais apenas um flash, mas nove, piscando em sequência. Os objetos se moviam de um lado para o outro, girando e inclinando-se como “a cauda de uma pipa chinesa”. Eram duas vezes mais velozes que o som. Nenhum humano tinha voado a essa velocidade até então. Arnold pousou seu avião e declarou aos repórteres do jornal East Oregonian que os objetos pareciam “um pires que você faz quicar sobre a água”.

Kenneth Arnold | Foto: Reprodução

Nascia a expressão “flying saucer”, que foi traduzida em português para “disco voador”. Depois nasceu a expressão mais precisa, UFO — óvni para nós, ou objeto voador não identificado. Pela primeira vez, uma dessas misteriosas naves era descrita com tanta objetividade técnica que não havia como considerar a testemunha como um louco.

O medo do ridículo

No próximo dia 26, a estranha história de Kenneth Arnold vai completar 75 anos. O Congresso dos EUA convocou militares a testemunharem sobre o assunto, numa audiência em 17 de maio, depois de mais de 50 anos de silêncio oficial. Funcionários do Pentágono exibiram a imagem de uma misteriosa bola brilhante voando ao lado de um caça FA-18 da Força Aérea dos Estados Unidos.

O comitê concluiu que não havia nenhuma prova de vida extraterrestre nos avistamentos desses UFOs. Mas foram informados também que pilotos evitavam testemunhar sobre fenômenos, por medo de ser ridicularizados. 

Suposto óvni, fotografado em 1952, nos EUA | Foto: Reprodução Wikipedia

O Senado brasileiro também vai realizar uma sessão especial sobre ufologia, no dia do 75° aniversário do caso de Kenneth Arnold. A sessão foi requerida pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE). Girão se destacou por apoiar a Operação Lava Jato e já defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ele produziu um filme chamado Área Q, misturando ficção científica com mensagem espírita. A audiência foi previamente ridicularizada por muitos como uma perda de tempo sobre um fenômeno que, segundo esses críticos, nem existe.

O próprio Velho Testamento em vários momentos parece se transformar num livro de ficção científica

No dia 19 de maio de 1986, nada menos que 21 óvnis, alguns com até 100 metros de diâmetro (segundo a BBC Brasil) foram avistados por “dezenas de testemunhas, civis e militares, em quatro Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás”. Cinco caças da FAB tentaram perseguir os objetos sem sucesso, pois eles podiam se movimentar à inacreditável velocidade de 15 vezes a velocidade do som. 

Radares da defesa aérea brasileira detectaram os 21 objetos, provando que existiam de verdade e que não eram apenas ilusões de ótica. O incidente envolveu até um ex-presidente da Petrobrás. Estariam todos vivendo uma alucinação coletiva? O programa Fantástico, da Rede Globo, realizou uma reportagem detalhada sobre o incidente.

O tema parece despertar em cada pessoa uma reação única, que projeta a visão de mundo de quem a emite. Há os que não acreditarão em óvnis nem que um extraterrestre pouse no seu jardim e toque a campainha de sua casa. Outros apostam que os discos voadores trazem os mensageiros da nova era, seres de bondade absoluta que nos redimirão de nossos pecados e nos transportarão para planetas paradisíacos.

O homem-anfíbio e o navio voador

Acreditando ou não em UFOs, não pense que o testemunho de objetos voadores não identificados nasceu com Kenneth Arnold, em 1947. Registros de naves misteriosas e seres fantásticos estão presentes desde 5 mil anos antes de Cristo.

Os sumérios registraram em tábuas de argila a história de Uanna, um deus-anfíbio que deu aos homens o “entendimento nas letras, nas ciências e em todas as espécies de artes”, segundo a narrativa do sacerdote babilônio Berossus. “Ensinou-lhes a construir casas, fundar templos e explicou-lhes os princípios do conhecimento geométrico.” Na mesma época, foi registrada no barro a história de Gilgamesh, “o homem para o qual todas as coisas eram conhecidas, dois terços deus, um terço homem”. A Biblioteca de Assurbanipal incluía uma tábua descrevendo em detalhes a chegada de um “navio voador com a forma de um escudo que pousou numa praça atrás do palácio real, circundado por um redemoinho de chamas”.

Deuses-anfíbios da Babilônia, com uma nave voadora | Foto: Reprodução


O carro resplandecente de Minerva

A mesma narrativa basicamente se repete na história de diversas civilizações. Seres poderosos (geralmente vindos do céu) surgem entre populações primitivas, passam aos humanos ensinamentos avançados e partem. Como dizia o autor suíço Erik Von Däniken em seu best-seller, seriam os deuses astronautas?

O próprio Velho Testamento em vários momentos parece se transformar num livro de ficção científica. “Olhei e vi uma tempestade que vinha do norte”, narra o Livro de Ezequiel logo em seu primeiro capítulo. “Uma nuvem imensa, com relâmpagos e faíscas, cercada por uma luz brilhante. O centro do fogo parecia metal reluzente, e no meio do fogo havia quatro vultos que pareciam seres viventes (…) Os seres viventes iam e vinham como relâmpagos. Enquanto eu olhava para eles, vi uma roda ao lado de cada um deles (…) Cada roda parecia estar entrosada na outra. (…) Quando os seres viventes se moviam, as rodas ao seu lado se moviam; quando se elevavam do chão, as rodas também se elevavam.”

Até hoje as pirâmides egípcias estão cercadas de mistério. O Livro dos Mortos, registrado em papiros, cita o “barco voador” de Amon-Rá, o deus-sol, e os “marinheiros divinos do céu”. Lendas gregas falam em deuses se deslocando rapidamente pelo ar. Homero descreve na Ilíada a deusa Minerva em seu “carro resplandecente, arrastado pelos caminhos etéreos, cortando o céu líquido a grande velocidade sobre a Grécia, para aterrissar perto de Troia”. Em Roma, o historiador Livio fala (em 218 a.C.) de “navios fantasmas brilhando no céu” e “visões de homens em trajes brilhantes”.

Milenares manuscritos hindus em sânscrito fazem várias referências aos vimanas, “um aparelho que se move por força interna, como uma ave, sobre a terra, dentro da água ou no mar”. Sinais estranhos de presenças “exóticas” aparecem na história da China, entre os incas, os maias e os astecas nas Américas, entre os dogons na África Ocidental, em pinturas rupestres da Argélia. Tudo isso é uma farsa, fruto da mistificação? Todos esses historiadores do passado são idiotas que nos contam histórias fantásticas criadas pela ignorância?

A parábola de John Frum

Durante a década de 1930, um aparelho voador ruidoso com asas pousou numa das ilhas do Arquipélago de Vanuatu, no Pacífico Sul. O aparelho era um avião cargueiro. A população ainda selvagem da ilha nunca tinha visto nada parecido na vida.

Para espanto geral, do avião desceu o piloto, que se identificou como “John from America”. Para os nativos de Vanuatu, o avião era um óvni. E seu piloto, um ET. Aquele homem distribuiu à tribo mantimentos e mercadorias que eles nem imaginavam que pudessem existir. Em minutos, deram um salto de civilização. Suas crianças conheceram o chocolate e a Coca-Cola. Os doentes receberam medicamentos. Alimentos saíam de um objeto chamado “lata”. 

Com a partida do piloto, os nativos criaram um culto ao “semideus”. John from America passou a ser chamado de “John Frum”. O culto dura até hoje. Rituais pedem para que John Frum traga mais maravilhas desconhecidas à tribo. Em 2007, o movimento completou 50 anos e seu líder declarou à BBC que John Frum era “nosso deus, nosso Jesus”. E que um dia retornaria à ilha que o adorava. Um avião de palha foi erigido como “altar”.

Pelé e os discos voadores

O fenômeno dos óvnis sacudiu a imaginação coletiva. H. G. Wells escreveu A Guerra dos Mundos em 1898. Nos anos 1950 e 1960, dezenas de filmes de baixa qualidade e orçamento ínfimo levavam títulos que terminavam com um ponto de exclamação, como Monstros Vampiros de Vênus!. Mostravam marcianos pousando na Terra para nos dominar, nos devorar ou até para roubar nossas mulheres.

No Brasil, a TV Excelsior produziu uma novela em 1969 chamada Os Estranhos. Na trama da escritora Ivani Ribeiro, seres do planeta Gama Y-12 (entre eles Regina Duarte) chegavam à Terra e eram descobertos por um escritor interpretado por… Pelé. 

Foto: Reprodução Editora Abril

Os personagens da novela eram bem-intencionados. Mas a tendência no cinema era apostar em extraterrestres cruéis, babões e famintos. Essa regra foi quebrada em 1951, com o surpreendente O Dia em que a Terra Parou, dirigido por Robert Wise, com roteiro de Edmund H. North. Nesse longa-metragem, o alienígena Klaatu chega à Terra para pedir aos terrestres que brequem a descontrolada corrida armamentista do início da Guerra Fria. É uma mensagem de maturidade e responsabilidade. O filme foi refeito em 2008.

Steven Spielberg fez enorme sucesso com alienígenas bonzinhos. Em 1977, surpreendeu o mundo com Contatos Imediatos de Terceiro Grau, misturando realismo com tons místicos. O personagem de Richard Dreyfuss é levado para o espaço por ETs amigáveis depois de uma inesquecível comunicação com as naves através de luzes e sons.

Cinco anos depois, Spielberg produziu ET – O Extraterrestre, com um alienígena infantil, frágil, tímido e assustado, que fazia os espectadores chorarem aos borbotões nas cadeiras de cinema. 

A era dos extraterrestres cruéis e poderosos voltou às telas em 2006, com Independence Day, obra de Roland Emmerich, o rei do apocalipse. Alienígenas voltavam a ser gosmentos e merecedores da extinção. Outras variantes surgiram nas telas, misturando óvnis com linguística, demagogia política e até faroeste.

Quem são eles?

Levando-se em consideração que os óvnis existem, de onde vêm? Quem os comanda? A resposta mais simplista é “de outro planeta”. Mas existem outras hipóteses. Como a de que essas naves viajam no tempo. Seriam parte de um futuro em que se descobriu uma maneira de voltar ao passado. Outra possibilidade é que as naves habitam outras dimensões. Nesse caso, estamos falando de física quântica, quando um corpo pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. 

São apenas especulações baseadas no fato de que essas naves misteriosas aparecem do nada e somem de repente. Mas são possibilidades já aceitas na teoria. Apenas nos falta a evolução tecnológica que nos permita explorar esse conhecimento na prática. 

Luta de classes em Marte

Um dia, quando eu “estudava” ciências sociais na Universidade de São Paulo, tentei conversar sobre óvnis com um colega trotskista. Seu único comentário a respeito foi: “Se fazem discos voadores em Marte, existem os detentores dos meios de produção. Portanto, existem os patrões e os empregados. E portanto existe a luta de classes entre os marcianos. O que torna os princípios marxistas válidos também em Marte”.

É cômodo viver sob o telhado racional das certezas absolutas. É um mundo sem janelas, onde tudo o que não pode ser explicado é deletado por nossa prepotência. Mas, como poderia se dizer na série Arquivo X, a verdade está lá fora da casinha. É no céu aberto e misterioso do imponderável que a vida se torna mais rica e podemos evoluir.


Dagomir Marquezi, colunista de Oeste, é autor do e-book História Aberta: Alienígenas, OVNIs e outros Enigmas da Antiguidade

Leia também “Um país fora dos trilhos — Parte 2” 

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9 comentários Ver comentários

  1. Penso que foi em 1986 que também vi objetos luminosos que se moviam rapidamente por algum tempo no espaço que parecia próximo e lembro que foi muito comentado e que ocorreu a tentativa da FAB identificar porque no radar do aeroporto de Congonhas também detectaram. Morava nas imediações do aeroporto.

  2. RickBrazil
    sex., 3 de jun. 08:33 (há 7 dias)
    para mim

    Sobre esse assunto, aconselho a todos assistirem aos vídeos do Professor Laércio Fonseca no YouTube que destrincham todas as perguntas relacionadas aos extraterrestres, em resumo:

    – Primeiro ponto, a par dos milhões de ciclos evolucionais por eles vivenciados, não existem ETs do mal. Sob a nossa ótica, os extraterrestres já estão “mortos”, por não estarem encarnados e não mais necessitarem de novos ciclos reencarnacionais para evoluir;

    – Segundo ponto, na maior parte do tempo, habitam as dimensões (ou planos astrais) superiores, podendo transitar livremente entre todas as sete existentes em nosso Universo. Se utilizam de trajes meramente operacionais (do tipo avatar) para poderem se manifestar nos planos materiais mais densos;

    – Terceiro ponto: são espíritos evoluídos, com conhecimento e sabedoria de bilhões de anos a nossa frente e, do ponto de vista material, as suas essências poderiam ser definidas como bolas de luz, com auras muito superiores a nossa;

    – Quarto ponto, até o final deste Século vão se apresentar à humanidade, na forma de uma nave gigante (80 quilômetros quadrados de área em sua base e 30 quilômetros de altura) que vai se materializar (sem trajetória prévia de encontro) no céu noturno da Terra, em órbita estacionária, e terá luz equivalente a uma lua cheia para lá permanecer para sempre. Após um ano, vão se manifestar fisicamente, em evento transmitido mundialmente, na presença de governantes de todo mundo;

    – Quinto ponto, os extraterrestres foram os responsáveis pela processo de formação da Terra e por todo o seu bioma desde o início, incluindo nossos corpos orgânicos e a estabilidade geofísica e climática do planeta, de forma a possibilitar as nossas encarnações;

    – Sexto ponto, os objetivos dos seres extraterrestres, ao se apresentar à humanidade, se resumem a, basicamente, três: que existe vida pós morte; que somos seres que evoluem mediante diversos ciclos reencarnacionais (e em diversos planetas); e, que uma nova era, baseada em harmonia e paz, será alcançada, em breve, na Terra. Dessa forma, as três perguntas primordiais da humanidade passam a ter respostas simples e diretas: 1) De onde viemos? De outros planetas; 2) Qual o sentido da vida? Viver experiências reencarnacionais, buscando aquisição de conhecimento, de sabedoria e de elevação moral e ética; 3) Para onde iremos? Para continuidade da nossa jornada evolucional em outros planetas; e

    – Sétimo ponto, onde relata a existência, em volta do planeta Terra, de cinco planos astrais: 1- física/umbral (mais denso, no qual estamos); 2 – penumbral (onde se localizam as cidades celestes, destinadas ao planejamento das futuras reencarnações); 3 – dos espíritos superiores (onde se operacionaliza o chamado Conselho Cármico); 4 – dos ascensionados (espíritos que não são mais obrigados a reencarnar e que prestam ajuda para a evolução do planeta); e, 5 – do comando planetário da Terra (menos denso de todos, também chamado de Comando Ashtar), de hierarquia superior, que se encarrega de manter todas as condições operacionais para o funcionamento das outras quatro dimensões inferiores.

  3. Tudo é possivel..A 500 anos falar em viagem a lua era coisa de paranoia.. Em ciencias o homem evoluiu muito, pena que fratenalmente e socialmente nada!!!

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