Manifestações que ocorreram no Dia da Independência do Brasil (7/9/22) em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília | Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução
Manifestações que ocorreram no Dia da Independência do Brasil (7/9/22) em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília | Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução

Sem margem de erro

Em manifestações pacíficas e portentosas, multidões de brasileiros celebram o Bicentenário da Independência, apoiam a reeleição de Bolsonaro e exigem respeito às normas impostas pela Constituição

As comemorações do Bicentenário da Independência na quarta-feira, 7 de Setembro, deixaram claro que é impossível falsificar no Brasil ao menos uma coisa: o povo nas ruas. Multidões jamais vistas cobriram o país de verde e amarelo em uma grande festa cívica, democrática e, sobretudo, pacífica. Foi também o dia em que a esquerda e o consórcio de imprensa entraram em pane.

Duas conclusões podem ser extraídas do 7 de Setembro. A primeira é que as multidões, que incluíram famílias e crianças, não têm nenhum parentesco com ajuntamentos de golpistas, como fantasiou durante meses a velha mídia. Segunda conclusão: ficou muito complicada para os institutos de pesquisa a fabricação de mais porcentagens assegurando a eleição de Lula em outubro.

A menos de um mês das eleições, milhares de pessoas foram às ruas em dezenas de cidades, com destaque para São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Quem não saiu de casa por causa da chuva exibiu a bandeira do Brasil nas janelas. No Centro-Oeste, houve passeio de tratores do agronegócio.

Tradicional palco de manifestações históricas, a Avenida Paulista teve 13 carros de som espalhados por toda sua extensão. Os nomes mais lembrados foram o de Lula e o do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito perpétuo de caçada aos conservadores no STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mesmo com o tempo nublado, garoa e momentos de chuva forte, pais, mães, avós e crianças compareceram em peso. Embora grande parte das fotografias publicadas pela imprensa focalize cartazes pedindo o golpe militar ou o fechamento do STF, a verdade é que a palavra de ordem que mais ecoou foi outra: liberdade.

“Estou aqui para que o povo brasileiro tenha mais liberdade”, disse Fernando Ataide, 73 anos. “Olhando para trás me sinto envergonhado de tanta roubalheira que houve neste país.”

O clima de tensão e perigo inventado pelo noticiário não existiu. No evento realizado no coração de São Paulo, não aconteceu sequer uma briga ou ato de desrespeito ao próximo. Até para atravessar a multidão que se amontoava todos pediam licença e esperavam a vez.

“Milhões de brasileiros estão defendendo a liberdade”, observou o médico Roberto Zeballos, trajando verde e amarelo. “Na rua, não existe o controle das redes sociais nem a censura. Há o poder da escolha, a liberdade de ir e vir, para sonhar e encontrar soluções. Não ficamos presos a regras ditatoriais.”

Outras palavras de ordem exigiam o fim da impunidade e eleições limpas. “Uma pessoa não pode ser ‘descondenada’ para poder concorrer à Presidência da República”, indignou-se o segurança Sérgio Henrique Gonçalves da Silva. Com 44 anos, ele trouxe o filho David, 5 anos, e a irmã Maria Marlene Farinilque, 53 anos, para participarem do ato. “O STF solta bandido e prende deputado, não consigo entender isso.”

A oposição grita

A reação dos adversários de Bolsonaro foi imediata. Antes mesmo do encerramento dos atos, partidos lançaram uma ofensiva no TSE. União Brasil, PT e Rede bateram à porta da Corte, acusando o presidente de ter feito comício em eventos que receberam recursos públicos.

Essa também foi a tônica dos protestos estridentes dos analistas na mídia, que não disfarçam suas preferências políticas. Alguns defenderam abertamente a impugnação da candidatura de Jair de Bolsonaro. “O presidente pode ter cometido crimes em série no 7 de Setembro, e Lula vai acionar TSE”, publicou a Folha, às 21 horas do dia 7.

O pano de fundo da gritaria, contudo, esbarra num ponto incontestável. O presidente separou sua agenda de chefe de Estado do roteiro de candidato. Isso ocorreu em Brasília e no Rio, as duas cidades que tiveram apresentações de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), dos blindados do Exército e o show dos paraquedistas cortando os céus com a bandeira brasileira. As imagens da Esplanada dos Ministérios tomada em toda a sua extensão e da orla de Copacabana lotada rodaram o mundo.

Em Brasília, Bolsonaro acompanhou a parada militar, como todos os antecessores sempre fizeram, e desfilou no Rolls-Royce usando a faixa presidencial. Depois, subiu num palanque montado nas proximidades da mesma avenida e falou o que quis — como candidato.

Após desfile, Bolsonaro exalta Pátria cristã e luta do bem contra o mal
Jair e Michele Bolsonaro desfilam em um Rolls-Royce, no Dia da Independência | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Ao lado da primeira-dama, Michelle, Jair Bolsonaro puxou com a multidão o coro “imbrochável” e disse que “homens solteiros deveriam procurar uma mulher, uma princesa para se casar”. Beijou Michelle, que aderiu à brincadeira. A fala incendiou os plantonistas nas redações do consórcio. O presidente voltou a ser acusado de machismo e misoginia, a bola da vez das manchetes histéricas. Em editorial, O Estado de S. Paulo afirmou que o presidente apelou para obscenidades. “Eis o nível daquele que diz defender a família brasileira. Entende-se bem por que é tão alta sua taxa de rejeição entre as mulheres. Jair Bolsonaro simplesmente provoca asco”, diz o artigo.

A Folha de S.Paulo publicou uma reportagem afirmando que “na idade de Bolsonaro, 67 anos, o índice de indivíduos do gênero masculino com disfunção erétil é próximo a 70%”.

O número de manifestantes presente nos atos também foi motivo de controvérsia. Em Brasília ninguém foi capaz de dizer que havia menos de 1 milhão de pessoas no gigantesco vão que abrange a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes. Em São Paulo, contudo, o jornal Folha de S.Paulo chegou ao ponto de cravar um número exato: 50.443 pessoas — nem uma a mais ou a menos.

Foto: Reprodução/Instagram

Ao ver a multidão nas ruas, uma colunista afirmou, com voz embargada, que aquele era um dia triste, porque Bolsonaro colocou milhões de pessoas nas ruas. “Isso foi bom para ele, mas foi péssimo para o Brasil.” Num tuíte, outro jornalista afirmou que “o clima de violência política recomendava que eleitores de outros candidatos evitassem a orla de Copacabana”. Um terceira acusou “os discursos do presidente” de roubarem “a possibilidade dos brasileiros de comemorarem a Independência do Brasil”.

A verdade é que nunca se viram multidões semelhantes, simultaneamente, em tantas cidades brasileiras. “O sentimento é de patriotismo. Esse vai ser o combustível da reeleição”, disse Fabio Wajngarten, coordenador de comunicação da campanha de Bolsonaro. “Multidão nas ruas de verde e amarelo”, comemorou Fábio Faria, ministro das Comunicações. “Nunca ninguém viu tanta gente. O presidente faz um discurso propositivo. O que sobra para a mídia? Falar que essa quantidade de gente de graça nas ruas é um ‘abuso’.”

Flávio Bolsonaro, filho do presidente, usou suas redes sociais para agradecer aos apoiadores do pai. “Um milhão de pessoas? Mar de gente em Brasília? Obrigado a cada brasileiro que compareceu à Esplanada dos Ministérios. Provamos, mais uma vez, que é possível fazer manifestação pacífica, visando a um único objetivo: a liberdade de nossa nação.”

“Falo palavrão, mas não sou ladrão”

De Brasília, Bolsonaro seguiu para o Rio de Janeiro, onde pilotou uma moto até a orla de Copacabana. Ali, havia gente de todo tipo: homens, mulheres, idosos, crianças, adultos, negros, brancos, ricos e pobres. A quantidade de gente fez com que os manifestantes ocupassem também as ruas paralelas e perpendiculares à Avenida Atlântica.

“O que faltava para nós? Faltava acordar da letargia, da mentira, das palavras bonitas e de muita enganação”, discursou Bolsonaro. “Não sou educado, falo palavrões, mas não sou ladrão. Nosso governo respeita a Carta da democracia, que é a nossa Constituição. O outro lado que assina cartinhas não respeita a nossa Constituição.”

Na contramão do que apareceu na maioria dos jornais, sites e emissoras de televisão, o espírito dominante neste 7 de Setembro foi menos de protesto e mais de exaltação da liberdade

Esse trecho da fala também despertou a ira dos articulistas na velha mídia. Como o presidente ousou atacar a tal “carta pela democracia”? Ele se referia ao texto lido na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) em agosto. O ato teve a participação de sindicalistas, do Movimento Sem Terra (MST), dos sem-teto, da juventude grisalha dos centros acadêmicos e de dezenas de “intelectuais progressistas”.

Na contramão do que apareceu na maioria dos jornais, sites e emissoras de televisão, o espírito dominante neste 7 de Setembro foi menos de protesto e mais de exaltação da liberdade e do orgulho de ser brasileiro. Mais uma vez, repetiu-se o que tem ocorrido em todos os eventos promovidos por aliados do presidente Jair Bolsonaro.​​ Nem uma única vidraça foi depredada. Não houve registros de quebra-quebra. Ninguém queimou pneus. Ninguém viu black blocs empunhando coquetéis Molotov. Na dispersão da Avenida Paulista, ouviu-se várias vezes o Hino Nacional.

No dia seguinte, os jornais acusaram o presidente de ter “capturado” o 7 de Setembro — assim como fez com a camisa da Seleção e as cores da bandeira nacional —, transformando a data numa “arma contra a democracia”. A alucinação foi compartilhada por ministros do STF e pela linha de frente do consórcio da imprensa. O povo avisou nas ruas que pensa de maneira bem diferente.


*Com reportagens de Artur Piva, Cristyan Costa, Iara Lemos, Rute Moraes e Silvio Navarro

Leia também “Pior que eleições é não realizar eleições”

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28 comentários Ver comentários

  1. Eliane Cantanhede me da nojo. Não acho que seja despeitada, na realidade não tem personalidade, e fala o que fala com medo de perder o emprego nessa emissora que é um lixo moral.

  2. Chorem a vontade esquerdopatas, esquerdoloides, imprensa marrom, bem como todos os que se dizem “progressistas”. Bolsonaro reeleito no primeiro turno. Se não tive fraudes na eleição.

  3. Os socialistas/comunistas têm um passado aqui na América Latina que se iniciou lá por 1870, vindo da Europa. Antes ainda se especulava se a questão seria mesmo boa, mas provou-se maluca, espoliadora e mentirosa.
    Mas um 7 de setembro brasileiro é mais antigo e ainda tem um suporte histórico que mostra nosso desenvolvimento no tempo. Democracia é o menos pior meio de formação do Estado, pois as outras formas, historicamente, provaram ser piores.
    Brasil, 200 anos de INDEPENDÊNCIA!

  4. Eu fui na paulista ! Estava lotado e lindo! Que orgulho do meu país lutando contra essa gente que só pensa em dinheiro e em explorar o povo !

  5. A verdade prevaleceu,queremos liberdade e respeito a constituição.Um evento que marcará para sempre nosso país.Um mar de verde e amarelo, que jamais esquecerei.O povo sabe o que deseja para o Brasil.

  6. Foi muita emoção. Misto de comemoração e manifestação.
    Uma festa, uma certeza e um recado.
    Na alegria de ser patriota, a certeza da reeleição daquele que foi escolhido para guiar o povo rumo a liberdade e um aviso, muito claro, aos surdos de preto: não ousem nos contrariar!

  7. A esquerda e seus satélites só sabem fazer uma coisa: mentir!
    Estive na Av. Paulista neste 7 de Setembro. Participei de todas as outras manifestações no mesmo local! Nunca vi tanta gente!
    A única coisa que sempre vi foi o respeito e a educação!
    Estão de Parabéns todos os patriotas que demonstram ao Mundo a verdadeira face do Brasil!

  8. O problema desse pessoal: ama uma democracia sem povo! O presidente não se apropriou de nada, apenas resgatou símbolos que esse pessoal estava desprezando. Vide queima de bandeiras no Paraná, artista pisando na bandeira. Ex-presidiario dizendo que tudo isso e babaquice, etc.

  9. Todos os comentários dos jornalistas (incluo no masculino-neutro da LP as mulheres, por óbvio e convicção linguística e moral) do “consórcio” são patéticos (para ser educada não usarei adjetivos mais fortes), traduzem inveja, despeito, desespero e, talvez, em alguns, uma pitada de vergonha pelo calamitoso papel que vêm desempenhando aviltando a bela profissão de jornalista.

  10. A primeira notícia do Estadão sobre a manifestação em Brasília era da que “flopou”, que não havia 10 mil pessoas na Esplanada.
    Os caras mentem mesmo diante de fatos e fotos.

  11. Lamentavelmente choveu em São Paulo e estava gripado, senão lá estaria eu aos 77 anos nestas memoráveis, pacíficas e democráticas manifestações VERDE AMARELAS. Fui representado por filhos e netos.
    Todavia recomendo ao MINISTÉRIO DA DEFESA que determine ao TSE que os Técnicos de Informação das FFAA e quem comandarão o processo eleitoral, para somente assim, tranquilizar a população brasileira que seu voto foi APURADO sem fraudes. Por que os notáveis do TSE e do STF temeram tanto o VOTO IMPRESSO que nos permitiria AUDITAR as urnas eletrônicas? Considero importante, até porque Bolsonaro já disse varias vezes que passara a faixa presidencial para o vencedor desde que as eleições sejam AUDITÁVEIS.

  12. A velha imprensa tá agonizando, a reeleição do capitão Bolsonaro vai ser a pá de cal dessa turma que insiste na retomada de ladrão condenado em todas as instâncias, mas esqueceu que hoje estamos mais informados, temos muitas opções, a revista que estou assinando, temos até aqui a Jovem Pan também com ótimos jornalistas e outros militantes de esquerda que são chatos nos comentários, mas faz parte da democracia que ainda pulsa, e se Deus quiser vai continuar com o capitão Bolsonaro até 2026.

  13. Estive na Paulista no dia 7, mal se podia andar, um povo educado, preocupado com os idosos (meu caso, 92 anos) parabenizando os cabelos brancos, muitas crianças. Beleza de comemoração

  14. Depois de quase três anos, lancei às favas restrições no deslocamento a pé, .por conta de problema neurológicos, e decidi embarcar no Metro na Estação Tijuca, desacompanhando, indo me juntar à multidão em Copa. Sem sustos, tropeços. Somente o apoio gentil de desconhecidos. Isso me da autoridade a questionar de forma veemente gente como o Presidente do Senado e do STF que celebraram de forma vergonhosa a Independência em convescote “privé”, ignorando àqueles que os sustentam em seus cargos que transbordam gastos supérfluos.

  15. Agora ficou tudo claro: a revolução conservadora está em curso. Por ora é semelhante àquela liderada por Margaret Thatcher, embora a imprensa podre esteja tentando torná-la igual à de Khomeini.
    Não é mais possível continuar incensando o estamento burocrático, nem o Pol Pot tupiniquim, que deixa claro querer eliminar, virtual ou fisicamente, os seus adversários, ameaçando de prisão e confisco de bens aqueles que ousarem falar a verdade.
    Como proferiu a Dama de Ferro: é continuar afundando ou emergir. Esta a “polarização” que está posta e o brasileiro já entendeu o que esta se passando.
    Resta apenas, para evitar a guerra civil, evitar que as urnas tenham vontade própria, como está sendo preparado pelas pesquisas.

  16. “Não sou educado, falo palavrões, mas não sou ladrão. Nosso governo respeita a Carta da democracia, que é a nossa Constituição. O outro lado que assina cartinhas não respeita a nossa Constituição.” Essa frase resume tudo, absolutamente tudo que a maioria dos brasileiros honestos e trabalhadores são e pensam.

  17. Vamos traduzir o “IMBROCHÁVEL” para essa turma de militantes de esquerda, sejam jornalistas, partidários do ladrão de nove dedos, quadrilheiros de plantão, etc, etc: NINGUÉM ME DERRUBA, NÃO DESISTO DE MEU PAÍS. Caiam na real e parem com o mimimi…. Parece que eles estão CARENTES DE ALGUMA COISA…..

  18. Esses esquerdistas são tão contraditórios que reclamam do presidente falar ” imbrochavel” mas aprovam cartilha sexual para crianças. Soltam pesquisas dizendo que os homens na idade dele têm problemas de ereção, mas adoram enaltecer o bandido 10 anos mais velho e com muito menos disposição, como se fosse um rapaz.

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