Jair Bolsonaro participa do desfile de 7 de Setembro, em comemoração ao Bicentenário da Independência do Brasil, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília | Foto: Wilton Júnior/ Estadão Conteúdo
Jair Bolsonaro participa do desfile de 7 de Setembro, em comemoração ao Bicentenário da Independência do Brasil, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília | Foto: Wilton Júnior/ Estadão Conteúdo

Um brado retumbante

Bolsonaro virou um símbolo de resistência ao golpismo mascarado de defesa da democracia

Que governante consegue colocar mais de 3 milhões de pessoas nas ruas no término de seu mandato? Essa pergunta precisa ser feita por quem quer compreender o fenômeno que observamos neste 7 de Setembro. Sim, havia a festa do bicentenário de nossa Independência, o que ajudou. Mas certamente não foi só isso. A imensa maioria que lotou a Praça dos Três Poderes, em Brasília, a orla de Copacabana, a Avenida Paulista e muitas outras localidades estava lá para apoiar o presidente.

Bolsonaro virou um popstar, eis a verdade. E precisamos de alguma tese para explicar isso. Para os chorões da esquerda, Bolsonaro desperta o “fascismo” na classe média que, segundo filósofa petista, já é fascista mesmo. A oposição, em suma, preferiu dobrar a aposta e insistir em sua narrativa de que essa gente toda não passa de um bando de preconceituosos, ignorantes e racistas. Foram milhões de brasileiros de todas as classes e cores que foram às ruas defender o patriotismo, a família e a decência, além da nossa Constituição. Eu sei, pois estava lá.

Vista aérea da Avenida Paulista, em São Paulo, no 7 de Setembro de 2022 | Foto: ChoiceImages/Revista Oeste

Descartando então a tentativa de rotular e depreciar essa multidão patriota, resta apresentar alguma teoria mais sólida. Acredito que muitos enxergam várias virtudes no seu “mito” e no governo, mas acho que isso, por si só, não seria suficiente para tanta mobilização. Os méritos de Bolsonaro pesam, claro, mas não bastam. Num contexto de maior normalidade institucional, essa turma poderia elogiar ou até enaltecer o governo, mas não haveria tanto combustível para produzir o fenômeno que vimos nesta semana.

Bolsonaro virou um símbolo de resistência ao golpismo mascarado de defesa da democracia. Eis o ponto principal, em minha opinião. Um sistema podre e carcomido que luta por sobrevivência e poder tem passado e muito dos limites aceitáveis, dando um show de cinismo, hipocrisia e até psicopatia. E, com o advento das redes sociais, a bolha midiática estourou, os militantes disfarçados de jornalistas perderam a hegemonia das narrativas, e o povo ganhou gosto pelo debate político.

A oposição tem tudo: mídia, intelectuais, artistas, sindicatos, “institutos” de pesquisa, caciques políticos. Só não tem mesmo o povo

Há uma crise de representatividade em todas as democracias ocidentais, mas no Brasil existe um agravante que foi a soltura seguida da elegibilidade de Lula por meio de malabarismos supremos. A população se mostrou indignada, revoltada. Depois disso, o STF passou a perseguir apoiadores do governo de forma escancarada, com inquéritos ilegais, prisões arbitrárias, tentativa de censura e intimidação. Tal postura jogou mais lenha na fogueira.

Em síntese, um sistema em putrefação se uniu para expurgar na marra a areia em sua engrenagem corrupta. Aqueles que querem uma “democracia” de gabinete, sem povo, passaram a demonizar o presidente popular eleito com quase 60 milhões de votos. Toda a máquina estatal ainda controlada pela esquerda, que aparelhou acima de tudo o Poder Judiciário, foi colocada a serviço desse único objetivo: derrotar Bolsonaro. O povo brasileiro não gosta de injustiças.

Passeei pela orla de Copacabana e falei com muita gente. O retorno mais comum foi o de que jornalistas independentes como eu deram voz a essa multidão tratada com desprezo pela velha imprensa e pelo sistema podre. “Não desista do Brasil, não desista de nós!” era o apelo mais frequente, seguido de muitos elogios. Gente simples, gente trabalhadora, gente humilde. Ali eu vi apenas isso: um povo patriota, clamando por liberdade, por respeito às regras do jogo. Logo em seguida ligamos a TV ou abrimos o Twitter e lá estão os ataques infundados dos militantes “jornalistas”, acusando esse povo de ser fascista, racista, preconceituoso, golpista.

Jair Bolsonaro, durante a a celebração de 200 anos da Independência do Brasil, na Praia de Copacabana | Foto: Carlos Santtos/Fotoarena/Fotoarena/Estadão Conteúdo

“Bolsonaro sequestrou o 7 de Setembro”, alegaram os esquerdistas que nunca demonstraram apreço pelo patriotismo, que preferem o vermelho ao verde e amarelo, que cantam o Hino da Internacional Socialista em vez do brasileiro. Bolsonaro não sequestrou nada; ele foi o cidadão brasileiro que mais fez para resgatar esse sentimento patriota, o orgulho de ser brasileiro. A esquerda caviar prefere cuspir em nossa trajetória, adotar uma visão fatalista de que nunca vamos dar certo por culpa do povo que temos.

A oposição tem tudo: mídia, intelectuais, artistas, sindicatos, “institutos” de pesquisa, caciques políticos. Só não tem mesmo o povo. Incapaz de inventar que foi pouca gente ou que houve postura golpista nos atos patrióticos imensos, restou à nossa militância da imprensa focar na “educação sexual” do presidente “imbrochável”, ou alegar, em desespero, que foi tudo ilegal, campanha eleitoral indevida, como se o presidente e o candidato pudessem se dividir em duas pessoas distintas. Bateu pânico nas redações dos jornais; eles sentiram muito o sucesso do evento.

E que sucesso inegável! Milhões de brasileiros foram às ruas com suas famílias, de bebês até idosos, unidos por um sentimento comum de patriotismo, de forma pacífica e respeitosa. Bem diferente do que costuma acontecer nas manifestações esquerdistas, com vândalos agressivos depredando patrimônio público. O recado não poderia ser mais claro: o povo está atento e não vai aceitar a volta do ladrão na mão grande, por quem despreza o povo enquanto fala em democracia. Foi um brado retumbante em prol da liberdade, da Constituição, da verdadeira democracia.

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27 comentários Ver comentários

  1. Constantino, acompanho a sua luta pela manutenção do que conseguimos com o governo Bolsonaro e pelo muito que poderemos conseguir ainda com a sua reeleição. Os obstáculos são muitos, lutamos contra poderosos que não conhecem a palavra patriotismo, verdadeiros vendilhões da pátria e seu povo. Que Deus nos ajude!

  2. Os intelectuais devem ter sentido desespero mesmo, pois o povo, que alimenta a intelectualidade, precisa da verdade e cansou da hipocrisia que alimenta a esquerda política brasileira.

  3. Muito bom o comentário. Mas hoje, segunda-feira, gostaria de lembrar sobre outro assunto. O pessoal da revista e da JP não está atento aos “comentaristas” entrevistados quando falam de inflação e deflação. Com a redução do preço dos combustíveis sempre tem um entrevistado que diz que para o povo a inflação ainda está alta, pois o custo da cesta básica, principalmente dos alimentos continua alta. Tudo bem, mas esquecem de algo importante na análise. Uma pergunta deve ser feita: então como o senhor considera onde o povo gasta recebendo o auxíliio Brasil? O auxílio Brasil e outros com oo vale-gás reduzem o impacto do custo de vida até mesmo nos alimentos, pois é uma compensação também em termos de orçamento doméstico. Se não tivesse os benefício aí sim poderíamos falar sobre o custo de alimentos que está alto.

  4. Excelente artigo. Parabéns Constantino. Eu ainda me pergunto, salvo alguns retardados, quem dá crédito a essa imprensa marrom? Se dependesse de mim, toda ela já estaria falida. Quanto aos esquerdopatas e todo o sistema podre que defende a “democracia” não merecem nenhum comentário da minha parte. Só o desprezo.

  5. É por tudo que Constantino disse, que precisamos dar apoio ao Ministério da Defesa para COMANDAR o processo eleitoral transmitindo aos eleitores que os resultados serão respeitados somente com a AUDITORIA que a INTELIGÊNCIA DA INFORMAÇÃO das FFAA nos proporcionará. A boa imprensa da revista oeste, jovem pan, gazeta do povo e outras mídias de centro direita deveriam apoiar as FFAA a impor no TSE esse comando. Varias vezes já ouvi o presidente Bolsonaro dizer que passara a faixa presidencial ao vencedor com URNAS ELETRÔNICAS AUDITÁVEIS.

  6. Só faltou incluir no seu comentário: “A oposição tem tudo: mídia, intelectuais, artistas, sindicatos, “institutos” de pesquisa, caciques políticos. Só não tem mesmo o povo”. O Poder Judiciário, do resto, está perfeito. Parabéns!

  7. Constantino arrasou,disse tudo que eu queria ler:a esquerda tem os intelectuais,a mídia mentirosa,as pesquisas duvidosas,mas não tem o povo ! Quem viu a multidão de verde e amarelo nas ruas brasileiras, clamando por liberdade jamais esquecerá.

  8. Os “CARRAPATOS” do Brasil estão morrendo por “AB$TINÊNCIA”. E o brasileiro honrado e trabalhador não tem mais medo de se manifestar e não quer mais se abster de votar, porque finalmente encontrou alguém tb honrado que o representa.

  9. Quem é Bolsonaro raíz nunca esperou por golpe. Torcíamos para que ele resistir. Demos todo apoio ao PR nesses quase 4 anos como reconhecimento da luta que ele travava (e trava até hoje). Dia 07 de setembro último foi a oportunidade de dizermos “OBRIGADO PRESIDENTE”
    Ninguém resistiria ao que ele resistiu nesses anos. Aínda tem força (Divina?) para cumprir a missão por maís 4 anos e vencer a esquerda brasileira definitivamente.
    Obrigado Presidente Bolsonaro!

  10. Caro Constantino:
    A primeira atitude numa disputa é identificar o adversário. Quando Reagan afirmou que “a solução não é o Estado, o Estado é o problema”, lançou uma ideia que é preciso analisar sob a realidade latino americana. Não é mais o caso de se acusar “a esquerda” de ser responsável, mas o estamento burocrático, muito maior que ela em nossos países do sul. As ideias coletivistas e terceiromundistas que impregnaram nossas nações transformaram até a linguagem. Hoje, “democracia” significa governo estamental. Veja, em Ouro Fino, onde Nasci, e em Campinas, onde moro há 40 anos, vejo o mesmo quadro, repetido em um município pobre e um outro com mais de milhão de habitantes e orçamento bilionário: o juiz, o promotor, o delegado, o padre e o pastor são inevitavelmente cooptados pelos gestores profissionais que, entra prefeito e sai prefeito, são sempre os mesmos.
    O combate a essa chaga que imobiliza o país depende de uma geração inteira de conscientização e revolta, e a arma deve ser a única possível: diminuir, passo a passo, o tamanho do Estado estamental.

  11. A verdade é q a oligarquia corrupta e seus nomeados para os autos cargos do estado ñ se contentam com a perda dos bilhões com os quais sempre contaram para sustentar seus filhos, sobrinhos e apadrinhados.
    Lula ladrão se alinhou a eles, adora um $$ sem suar. Vagabundos da pior espécie.

  12. Melhor descrição do que todos sentimos nas ruas. Cantarmos juntos o hino, orarmos juntos por um pais melhor, livre e para todos! Gente que nunca se viu, sorrindo uns para os outros, sendo solícitos e se apoiando. Éramos Brasileiros nas ruas. Somos uma nação poderosa, bela, rica, a começar pelo seu povo. Ninguém vai nos dividir por ideologias! Quem pôde viver esse momento vai sempre se emocionar ao lembrar!

  13. Não foram menos que 15 milhões de brasileiros nas ruas, numa pesquisa modesta, já que cerca das 300 maiores cidades do país se mobilizaram com grandes massas de patriotismo, sedentas a mostrar a mostrar ao STF aos senadores representados por Rodrigo Pacheco e a velha imprensa, que a resistência profana de Zé Dirceu, perdeu força frente à persistência dos brasileiros de bem.
    O Consta não enaltece a pujança das celebrações em MG – ONDE SERÁ DEFINIDA A ELEIÇÃO NO 1o. TURNO – e informo-lhes em primeiríssima mão que até aqui na minha Diamantina, terra de JK, tivemos carreata com maus de 500 veículos e muitas motocicletas, numa mobilização de mais de 8mil conterrâneos numa cidade de pouco mais 60mil habitantes.
    A fatura tá ganha. Mas o poder? Perguntem ao Zé Dirceu!!!

  14. “Não temais ímpias falanges
    Que apresentam face hostil
    Vossos peitos, vossos braços
    São muralhas do Brasil.”

    Versos do hino da Independência

  15. Excelente análise desse momento histórico que o brasileiro tem a honra de vivenciar e poder dizer que ele é parte dessa história, ele é protagonista. Participei dessa manifestação em minha cidade, Chapecó, algo em torno de 280.000 habitantes, um polo regional em SC. A avenida, onde ocorreu o evento, ficou lotada, dizem alguns, que haviam 15.000 pessoas outros dizem que havia mais. Foi fantástica essa manifestação, ordeira, patriótica e, no final, minha esposa ainda chamou minha atenção, para o fato de que a avenida estava limpa, sem lixo espalhado. Marcante.

  16. Parabéns Constantino! Tive o prazer de participar desse momento histórico em Brasília, e o que lá vi retrata exatamente o que diz em seu texto: um retumbante grito em defesa da nossa Constituição, da liberdade de expressão e da democracia. Obs:Tenho mais de 60 anos, moro em outa cidade a 200 km de distância e fui por conta própria.

  17. Palavreando Cazuza. Meus heróis morreram de falta de verbas publicas, Como ouvir agora Vai passar de Chico Buarque, punk da periferia de Gil, letras negras de Geraldo Azevedo.
    Não vou refazer meu gosto musical. Eles repensem seus posicionamentos políticos!

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