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Foto: Shutterstock
Edição 142

O país dos pets

54 milhões de cães e 24 milhões de gatos sãos os clientes potenciais da Cobasi, que está pronta para entrar na bolsa

Bruno Meyer
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A Cobasi vai abrir o capital no Brasil. A pioneira do ramo de pet shops no país, presente em 16 Estados, está preparada para lançar suas ações no mercado. “Estamos prontos para o IPO”, revela à coluna o fundador e CEO da Cobasi, Paulo Nassar. “Mas…” Como todo empresário, ele analisa o cenário interno e externo antes de tocar o sino na bolsa brasileira. “Depende quando o mercado de capitais estiver melhor. Esperamos que seja em 2023. Se não for em 2023, vai ser em 2024”. Controlada pela família Nassar e dirigida por três irmãos, a Cobasi emprega mais de 6 mil funcionários no país e projeta faturar R$ 2,7 bilhões em 2022, alta de 30%, na comparação com o ano anterior. Para Nassar, o setor é um dos business fortes do século. 

Setor pet: para Paulo Nassar, o grande business do século | Foto: Daria Bogomolova/Shutterstock


Da ração aos biscoitos

O relevante crescimento é explicado pela forte expansão da rede no ano: a empresa vai abrir 40 novas lojas físicas em diferentes Estados e fechar dezembro com 188 unidades pelo país. “A loja física jamais será substituída”, diz Nassar. “A Cobasi foi desenhada e desenvolvida como um ambiente completamente propício à integração dos nossos clientes”. A proposta da Cobasi é variada mesmo: as lojas são temáticas que extrapolam a venda de rações e biscoitos para cachorros e incluem também produtos de decoração, jardinagem e até piscina. 

Paulo Nassar, CEO da Cobasi: ideia surgiu em Berkeley e hoje emprega mais de 6 mil funcionários no Brasil | Foto: Divulgação

Compra e retira

A multiplicação das lojas é acompanhada pela expansão digital: hoje, as vendas pelo site e pelo aplicativo correspondem a 33% da receita da companhia. Uma das sacadas que impulsionaram as lojas e o digital da Cobasi foi abrir a possibilidade de comprar produtos no site ou aplicativo e retirar numa loja próxima. O benefício: 5% de desconto. “A gente acoplou as vendas digitais e fez essa venda acontecer dentro da loja. Cada loja é responsável por vendas físicas e digitais.” Esse movimento ajuda, de certa forma, a manter as lojas sempre movimentadas. E quem comprou digital tem ainda a possibilidade de passar pelos corredores e adquirir mais snacks para seus animais. 

Dos porcos aos cachorros

Fundada em 1985, como uma pequena casa agrícola que vendia de porcos a galinhas, a Cobasi nasceu da mente de Paulo Nassar, filho de um biólogo. Ele acabara de chegar dos estudos em Berkeley, na Califórnia. Baseado no modelo de negócios da Petsmart — maior empresa do setor nos Estados Unidos —, decidiu apostar as fichas em uma loja similar no Brasil. Durante décadas, a empresa surfou no mercado e solidificou um dos segmentos mais aquecidos do varejo brasileiro — o de pets. Liderou o mercado o tempo todo. Até chegar a rival Petz, que abriu o capital em 2020, num movimento que fez várias companhias a lançarem o IPO na B3. A Petz roubou o pódio do mercado da Cobasi, embora ambas estejam próximas nas receitas atualmente. O plano do IPO da Cobasi é uma maneira de recuperar a liderança rapidamente. 

Expansão da Cobasi: empresa projeta faturar R$ 2,7 bilhões em 2022, alta de 30%, na comparação com 2021 | Foto: Divulgação

O sócio

Em 2021, o fundo de private equity Kinea aportou R$ 300 milhões na Cobasi, em troca de uma participação minoritária na empresa. O tamanho da fatia que a Kinea levou nunca foi divulgado. O plano envolve um aumento de lojas físicas — o que ocorre neste ano — e investimento em tecnologia e no digital. A compra pelo fundo, que pertence ao banco Itaú, ocorreu meses depois de a família Nassar se convencer que um sócio era necessário para acelerar a expansão. 

Nação dos bichinhos

O Brasil se destaca na quantidade e no gasto despendido aos pets. O país tem 54 milhões de cães e 24 milhões de gatos, segundo dados da Abinpet, a associação nacional do setor. “O Brasil tem tradição de longa data de amar seus cachorros, gatos e pássaros”, define Nassar. “Mas o setor passou a ofertar produtos e serviços de forma bastante intensa ultimamente. Essa oferta em qualidade puxou o mercado todo para cima.” 

Pets em alta: Brasil tem 54 milhões de cães e 24 milhões de gatos

O business do século 

A pandemia ajudou o setor. Houve uma explosão na adoção de animais de estimação. “Com a adoção, vem o enxoval do pet, o consumo de produtos, serviços e saúde animal”, diz Nassar. “O mercado segue uma tendência de crescimento de um a dois dígitos, mundialmente. E a gente está nesse mercado para consolidá-lo no Brasil. O setor é um dos business fortes do século.”

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Crise climática Itália
A força dos Fiagros: 91% está nas mãos de pessoas físicas | Foto: Reprodução

Sócios do agro

Os Fiagros, fundos de investimentos em Cadeias Agroindustriais, bateram 116 mil investidores no Brasil. A B3 informa que 91% do saldo em custódia está nas mãos das pessoas físicas. É gente que vira sócia de empresas do agronegócio brasileiro e, como num fundo imobiliário, recebe dividendos mensais. 

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Pé no chão

Do presidente de um importante grupo de luxo no país, com hotéis e restaurantes, sobre as perspectivas para 2023, num retrato do atual cenário de negócios do país: “Não vamos reduzir investimentos, mas agora só vamos ter pé no chão”.

[email protected] 

Leia também “A ambição do tamanho do oceano”

2 comentários
  1. Francisco Nascimento Garcia
    Francisco Nascimento Garcia

    Case de Sucesso!

  2. FABIO LUIS ZAGATTO TIBURCIO
    FABIO LUIS ZAGATTO TIBURCIO

    Amo qq bicho. Mas, frente aos números, me pergunto quem são os animais racionais e os irracionais. E dentre os tidos como racionais, quem são os humanos e os desumanos.

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