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Catherine, a princesa de Gales, pediu desculpas por ter adulterado uma foto dela com seus três filhos. Várias agências de notícias determinaram a exclusão da fotografia de seus bancos de imagens, por ter sido manipulada | Foto: Reprodução/Redes Sociais/Kensington Royal Palace
Edição 208

Imagem da Semana: o mistério de Kate

O retrato editado pela princesa de Gales no Dia das Mães expõe um problema de relações públicas da monarquia e coloca em xeque sua credibilidade

Daniela Giorno
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Se uma imagem pode contar uma história, uma imagem manipulada pela princesa Kate Middleton, então, pode esconder uma grande história. Em 10 de março, Dia das Mães na Inglaterra, o canal oficial da família real britânica divulgou uma fotografia da princesa de Gales sorridente, cercada pelos filhos George, Charlotte e Louis. O objetivo era acabar com semanas de especulações sobre o bem-estar da princesa. O resultado, contudo, teve o efeito oposto.

Kate foi vista em público pela última vez no dia 25 de dezembro de 2023. Essa é a primeira imagem oficial dela depois de ter passado por uma cirurgia abdominal planejada, em janeiro deste ano. Na postagem, a princesa agradece o apoio que tem recebido e deseja um feliz Dia das Mães. A foto foi creditada a seu marido, William, e realizada em Adelaide Cottage, no lado leste do Castelo de Windsor. Poucas horas depois, rumores voltaram a circular quando agências como Associated Press, Reuters e France-Presse decidiram retirar a imagem do sistema por violar padrões editoriais. A AP foi a primeira a emitir um “kill notice” — termo da indústria usado para fazer uma retratação e “aviso de eliminação”, quando se percebe que a imagem foi adulterada. A notificação é considerada um golpe na credibilidade de qualquer fonte.

“Por favor remova esta imagem de seus sistemas”, diz o aviso da Thomson Reuters | Foto: Reprodução
Avisos de eliminação de imagem das principais agências de fotografia | Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução

Logo na manhã da segunda-feira, a princesa admitiu que, de fato, manipulou digitalmente a imagem. “Como muitos fotógrafos amadores, ocasionalmente faço experiências com edição. Gostaria de expressar minhas desculpas por qualquer confusão que a fotografia de família que compartilhamos ontem tenha causado. Espero que todos que estavam celebrando tenham tido um feliz Dia das Mães”, publicou o Kate.

Foram encontradas 16 distorções na imagem, por exemplo: manga direita da blusa da princesa Charlotte cortada; zíper da jaqueta de Kate sem continuidade, dedinho do príncipe Louis aparentemente cortado, degrau da escada desalinhado, entre outras. O Palácio de Kensington disse que não divulgaria a fotografia original. Por que não?

As teorias conspiratórias já estavam a todo vapor antes da postagem de domingo. Quando resolveu confrontar os rumores para sugerir que tudo ia bem, a realeza entregou ao público uma imagem desleixada. Acertar a foto seria, no mínimo, uma prova de que Middleton está bem. Agora eles são parcialmente responsáveis pela renovação da curiosidade e do interesse do público pela história. Novas e bizarras suposições para explicar o sumiço da princesa começaram a pipocar na internet: Kate poderia estar em coma, em processo de separação, ou sua cirurgia estética teria dado errado.

Não é de hoje que imagens de celebridades são “photoshopadas” para melhorar o aspecto da textura da pele, para deixar a pessoa mais magra ou para alterar sua roupa. Neste caso, porém, a ausência da princesa trouxe também um olhar mais cuidadoso para a foto, que estava mais carregada que o habitual. Parecia ter sido montada.

Entre as suposições que estão correndo a internet, uma sugere que Middleton usou uma imagem de capa da Vogue de 2016 no retrato editado do Dia das Mães — embora nem todos estejam convencidos. Ruby Naldrett, editora sênior de mídia social do Daily Mirror e do Daily Star, escreveu aos seguidores que acreditava ter visto semelhanças no rosto de Kate entre a recente postagem e uma antiga imagem da capa da revista. A teoria viralizou rapidamente.

No entanto, uma matéria publicada na quinta-feira, 14, na Harper’s Bazaar diz que uma análise forense foi feita no retrato de Kate, e os metadados da câmera Canon corroboram que a foto foi feita na Adelaide Cottage, local diferente da fotografia da Vogue, tirada na Anmer Hall, em Norfolk.

A Associação Britânica de Fotógrafos de Imprensa divulgou um comunicado instando a realeza “a disponibilizar as imagens originais para inspeção, para que se possa avaliar o que foi feito, garantir que isso não aconteça novamente e permitir que essa história seja divulgada”. A menos que o Palácio de Kensington publique a imagem original, talvez nunca se saiba exatamente o que aconteceu com a foto de família.

Além da fotografia manipulada, circularam duas outras imagens estranhas de paparazzi. A primeira, do TMZ, considerada “não autorizada”, não foi publicada no Reino Unido nem mesmo pelos tabloides. Feita no dia 4 de março, a foto mostra Kate no carro com a mãe, Carole Middleton, saindo do Castelo de Windsor.

O outro registro, presumivelmente “autorizado”, mostra Middleton de costas para a câmera, no banco de trás de um carro, ao lado do príncipe William. Essa imagem foi compartilhada na tarde de 11 de março, horas depois do pedido de desculpas, e também não ajudou. Surgiram especulações online de que também havia sinais de adulteração, como uma irregularidade na padronagem da parede de tijolos atrás do veículo.

A agência fotográfica que capturou as fotos, Goff Photos, negou a edição das imagens.

A sucessão de eventos é um desastre de comunicação e mina a confiança da instituição. O jornal The Guardian lembrou que a falecida rainha Elizabeth II costumava dizer que as pessoas precisavam vê-la para acreditar que ela existia. O caso já está sendo chamado pela mídia britânica de “Kategate” ou “Fakey Katie“.

Muito provavelmente, um vídeo de Middleton dizendo que gostaria de descansar e agradecendo a preocupação de todos acabaria com a especulação pública. Isso não aconteceu. Imagens da família real têm uma relevância documental, histórica e deveriam ser autênticas. Mas, ao divulgar um retrato de família grosseiramente editado, a monarquia entrou em um terreno espinhoso, colocou em xeque sua credibilidade, e abriu espaço para mais especulações em torno da doença e da recuperação de Catherine.


Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

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8 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Quero ver um fotógrafo editar uma imagem de Fátima Bezerra, ele pode ser o maior editor de imagens mas duvido ele dar esse Gópi

  2. Denis R.
    Denis R.

    Deixe-me ver se eu entendi. A princesa publicou um foto editada e este caso tomou a mídia de assalto!? “Kategate” né? rsrs. Como eu adoraria que o meu Brasil brasileiro tivesse apenas problemas deste tipo!

  3. Andrea Chaguri
    Andrea Chaguri

    Creio que a data indomada está errada. Não seria 10/3 e não 1/4?0

    1. Daniela Giorno

      Obrigada, Andrea. O correto é 10 de março, de fato. Abs.,

    2. Teresa Guzzo
      Teresa Guzzo

      Acredito que uma foto,seja como for,deve expressar o real momento em que foi tirada.Sem alterações,apenas clicando os reais sentimentos do momento vivido nada mais.Se quiserem mostrar a realidade ao público ok,se assim não desejarem ponham em suas lembranças pessoais.Tenho muitas fotos de minha família, de viagens e de momentos de minha vida,todas reais.As alterações não mudam a realidade,sejam da realeza ou de pessoas comuns.

  4. Leonardo Abreu
    Leonardo Abreu

    A princesa não mais está entre nós.

  5. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Dani Giorno
    Você é a melhor diretora de arte da imprensa brasileira.
    Sou fanzaça.

    1. Daniela Giorno

      Obrigada, Luzia! Você sempre maravilhosa. <3

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