publicidade
Foto: Shutterstock
Edição 275

A imprensa no divã

Segue uma lista de exemplos de jornalismo predisposto (nome bonito para imprensa marrom) muito em voga nos dias de hoje

Gafes acontecem. Erros jornalísticos, também. Tudo é desculpável e retratável. Mesmo quando se tenha eventualmente menosprezado a vida alheia. O que não é desculpável é a predisposição. Segue uma lista de exemplos de jornalismo predisposto (nome bonito para imprensa marrom) muito em voga nos dias de hoje:

  1. Enviesar todas as abordagens para transformar o Irã em vítima. O regime iraniano é uma tirania indefensável, financiadora de terrorismo. Até “envio” de mísseis pelo Irã foi usado em substituição a “disparo” de mísseis. Isso é indesculpável, além de ridículo.

  2. Dourar a pílula para tornar defensável o alinhamento do governo brasileiro com o Irã, fingindo que isso pode ser opção de país democrático. Não pode. No afã de envernizar uma aliança obscura dessas pode-se cair em desatino, chegando-se a uma espécie de vale-tudo contra Israel. A retórica desumana pode ser só um deslize. A predisposição para retocar o cenário real não é deslize. Muito menos jornalismo.

  3. “Esquecer” que o massacre perpetrado pelo Hamas contra israelenses e cidadãos de outras nacionalidades (inclusive brasileiros) no dia 7 de outubro de 2023 é o detonador de boa parte dos conflitos atuais na Faixa de Gaza, pela ação deliberada de trucidar inocentes (incluindo adolescentes, mulheres e crianças) diante de câmeras para difundir o maior outdoor de sadismo já visto na modernidade. Não assinalar a desproporção dessa carnificina é desonesto e indesculpável.

  4. Fazer campanha disfarçada para o que se chama genericamente de regulação das redes sociais, usando as credenciais do jornalismo para afirmar princípios esdrúxulos como o de que desacreditar políticas públicas é um delito. Jornalista que faz isso de caso pensado está trabalhando contra a liberdade de expressão, o que naturalmente é indesculpável e irretratável, além de imoral.

  5. O exemplo acima tem sido visto em vários momentos tristes da chamada imprensa tradicional, e num deles foi cunhada a expressão mais infame do jornalismo brasileiro: “narrativa antiestatal” — tentativa vil de se inventar um delito para quem criticasse determinadas ações de governo, com a premissa vergonhosa de que isso seria uma forma de ação antidemocrática. Até hoje ninguém pediu desculpas por essa excrescência.

  6. Afirmar que o atentado que não matou Donald Trump por milímetros foi culpa do próprio Trump. Mais uma pérola do jornalismo predisposto que não se envergonha da sua mistificação.

  7. Usar sabatina eleitoral para fazer declaração favorável a candidato. Conduta típica do jornalismo colaborativo, aderente, premeditado, heterodoxo ou, eufemismos à parte, simplesmente marrom.

  8. Usar ares de imprensa especializada para defender política econômica inepta, baseada em taxação e gastança. Os números não mentem. Quem mente são os seus adestradores.

  9. Usar emergência de saúde para colaborar com ensaio ditatorial. O menosprezo à vida humana não é novidade na aldeia.

  10. Trabalhar pela censura fingindo defender a democracia.
Foto: Shutterstock

Leia também “A taxação da selfie”

Leia mais sobre:

8 comentários
  1. Mirian Furquim Badim Machado
    Mirian Furquim Badim Machado

    A cada frase me aterroriza mais a situação do Brasil

  2. Mirian Furquim Badim Machado
    Mirian Furquim Badim Machado

    A cada frase me aterroriza mais a situação do brasil

  3. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    A imprensa adestrada com dinheiro público faz alegorias para defender seu patrão que nem mesmo eles acreditam.

  4. jose angelo
    jose angelo

    A lógica é a de que todos caiam abraçados.
    E nem vai precisar dos B2.
    Abraçados estão, atualmente de medo.

  5. Carlos Alberto de Oliveira
    Carlos Alberto de Oliveira

    Fiuza, inteligência rara, sutileza, ironia fina e pontaria certeira. Parabéns.

  6. Herbert Gomes Barca
    Herbert Gomes Barca

    parabéns glorioso Fiuza !! excelente artigo, ainda bem que existe jornalistas como você, poucos e em poucos veículos de comunicação, atualmente só vejo jornalismo assim na Revista Oeste, Gazeta do Povo e Rádio Auriverde de Bauru através do Alexandre Pitoli (Alexandre do bem !!)

  7. Denis R.
    Denis R.

    Infelizmente exemplos não faltam. Excelente texto. Faz todo sentido esta turma ai defender a censura das redes sociais, imaginem ter estas indignidades esfregadas na cara todos os dias!?

Anterior:
Não chore pelos teocratas do Irã
Próximo:
A opção do voto
publicidade