Gafes acontecem. Erros jornalísticos, também. Tudo é desculpável e retratável. Mesmo quando se tenha eventualmente menosprezado a vida alheia. O que não é desculpável é a predisposição. Segue uma lista de exemplos de jornalismo predisposto (nome bonito para imprensa marrom) muito em voga nos dias de hoje:
- Enviesar todas as abordagens para transformar o Irã em vítima. O regime iraniano é uma tirania indefensável, financiadora de terrorismo. Até “envio” de mísseis pelo Irã foi usado em substituição a “disparo” de mísseis. Isso é indesculpável, além de ridículo.
- Dourar a pílula para tornar defensável o alinhamento do governo brasileiro com o Irã, fingindo que isso pode ser opção de país democrático. Não pode. No afã de envernizar uma aliança obscura dessas pode-se cair em desatino, chegando-se a uma espécie de vale-tudo contra Israel. A retórica desumana pode ser só um deslize. A predisposição para retocar o cenário real não é deslize. Muito menos jornalismo.
- “Esquecer” que o massacre perpetrado pelo Hamas contra israelenses e cidadãos de outras nacionalidades (inclusive brasileiros) no dia 7 de outubro de 2023 é o detonador de boa parte dos conflitos atuais na Faixa de Gaza, pela ação deliberada de trucidar inocentes (incluindo adolescentes, mulheres e crianças) diante de câmeras para difundir o maior outdoor de sadismo já visto na modernidade. Não assinalar a desproporção dessa carnificina é desonesto e indesculpável.
- Fazer campanha disfarçada para o que se chama genericamente de regulação das redes sociais, usando as credenciais do jornalismo para afirmar princípios esdrúxulos como o de que desacreditar políticas públicas é um delito. Jornalista que faz isso de caso pensado está trabalhando contra a liberdade de expressão, o que naturalmente é indesculpável e irretratável, além de imoral.
- O exemplo acima tem sido visto em vários momentos tristes da chamada imprensa tradicional, e num deles foi cunhada a expressão mais infame do jornalismo brasileiro: “narrativa antiestatal” — tentativa vil de se inventar um delito para quem criticasse determinadas ações de governo, com a premissa vergonhosa de que isso seria uma forma de ação antidemocrática. Até hoje ninguém pediu desculpas por essa excrescência.
- Afirmar que o atentado que não matou Donald Trump por milímetros foi culpa do próprio Trump. Mais uma pérola do jornalismo predisposto que não se envergonha da sua mistificação.
- Usar sabatina eleitoral para fazer declaração favorável a candidato. Conduta típica do jornalismo colaborativo, aderente, premeditado, heterodoxo ou, eufemismos à parte, simplesmente marrom.
- Usar ares de imprensa especializada para defender política econômica inepta, baseada em taxação e gastança. Os números não mentem. Quem mente são os seus adestradores.
- Usar emergência de saúde para colaborar com ensaio ditatorial. O menosprezo à vida humana não é novidade na aldeia.
- Trabalhar pela censura fingindo defender a democracia.

Leia também “A taxação da selfie”




A cada frase me aterroriza mais a situação do Brasil
A cada frase me aterroriza mais a situação do brasil
A imprensa adestrada com dinheiro público faz alegorias para defender seu patrão que nem mesmo eles acreditam.
A lógica é a de que todos caiam abraçados.
E nem vai precisar dos B2.
Abraçados estão, atualmente de medo.
Fiuza, inteligência rara, sutileza, ironia fina e pontaria certeira. Parabéns.
parabéns glorioso Fiuza !! excelente artigo, ainda bem que existe jornalistas como você, poucos e em poucos veículos de comunicação, atualmente só vejo jornalismo assim na Revista Oeste, Gazeta do Povo e Rádio Auriverde de Bauru através do Alexandre Pitoli (Alexandre do bem !!)
Excelente como sempre
Infelizmente exemplos não faltam. Excelente texto. Faz todo sentido esta turma ai defender a censura das redes sociais, imaginem ter estas indignidades esfregadas na cara todos os dias!?