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Gabriel Galípolo, presidente do BC, durante coletiva para comentar o Relatório de Política Monetária do 2ª trimestre, em Brasília, DF (26/6/2025) | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Edição 275

A opção do voto

As altas da taxa básica servem para amortizar os prejuízos da gastança comandada pelo presidente da República

Haddad voltou das férias de uma semana e foi recebido pela derrota que nossos representantes impuseram ao decreto que elevou o IOF. E agora se percebe que aumento de impostos não é culpa de Haddad, mas opção de Lula. Antes da votação, ele defendeu, num podcast, que elevar o IOF serviria para garantir o arcabouço — que foi a forma de seu governo derrubar o saudável teto de gastos instituído no período Temer. A opção de Lula é gastar, pois ele tem por dogma que todo gasto do governo é investimento. Assim como os 15% de taxa Selic não são sabotagem de Campos Neto e muito menos de Galípolo, indicado por Lula. As altas da taxa básica servem para amortizar prejuízos da gastança comandada pelo presidente da República, porque a missão do Banco Central é proteger a moeda e o crédito, isto é, garantir a estabilidade do Real.

Na quarta-feira, havia grande expectativa na reunião do Conselho Nacional de Política Energética, porque teria a presença do presidente da República. Afinal, seria a oportunidade de anunciar retomadas das obras de Angra 3. A manutenção do canteiro da obra parada custa R$ 1,2 bilhão por ano. Mas Lula usou a palavra para ensinar Trump a governar e a não gastar bombas para impedir que o Irã tenha armas nucleares. O Brasil precisando de Angra 3 e Angra 4, com os data centers demandando 9 gigawatts/ano, mas Lula não parece interessado. Prefere um demagógico discurso pacifista a favor do Hamas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de evento após a 2ª Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília, DF (25/6/2025) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nesses dias, o presidente não quis sancionar a lei aprovada no Congresso que cria o Dia da Amizade Israel-Brasil. Nem a vetou, como fizera Dilma há dez anos. Vencido o prazo para o presidente se pronunciar, a lei voltou para o Congresso promulgar. Teve a assinatura de um judeu, o presidente senador Davi Alcolumbre. Na política externa, a despeito das tradições do Itamaraty, Lula impõe ação ideológica, alinhando-se a Cuba, Nicarágua, Venezuela, China, Rússia e Irã, como se os brasileiros não vivessem a cultura judaico-cristã do Ocidente. Na guerra, faz declarações claramente favoráveis ao Irã e a seus filiados Hamas e Hezbollah, ainda que isso exija olhos e nariz fechados das feministas e dos movimentos homossexuais brasileiros.

Durante a Guerra das Malvinas/Falklands, que cobri em 1982, perguntei ao presidente Figueiredo por que o Brasil estava ajudando logisticamente a Argentina. Ele respondeu que a Inglaterra está a 10 mil quilômetros e a Argentina continuará na nossa fronteira quando a guerra acabar. O Irã está a 12 mil quilômetros e os Estados Unidos continuarão no mesmo continente que o Brasil. E as afinidades entre esses povos estão na razão direta da geografia. Lula, no entanto, provoca o presidente americano, dizendo não ter medo de cara feia. Mas, para defender a Constituição, como jurou perante o Congresso, escolhe o silêncio do medo e do agradecimento ao tribunal que o tirou da cadeia para voltar à Presidência, como já reconheceu o ministro Gilmar Mendes.

Donald Trump, presidente dos EUA, durante evento na Casa Branca, em Washington, D.C. (26/6/2025) | Foto: Reuters/Nathan Howard

As escolhas de Lula ensejam comparações. Por exemplo, entre a atual política externa ideológica e a diplomacia de resultados, do pragmatismo responsável. Assim como comparar Paulo Guedes com Haddad. Lula e Bolsonaro são responsáveis por suas escolhas. Bolsonaro escolheu Guedes com a humildade de quem não entende de economia, e seu ministro foi o Posto Ipiranga. Os resultados são favoráveis a Guedes em menos impostos, menos gastos, mais investimentos e superávits em estatais e nas contas públicas. Bolsonaro não se metia na economia, e Guedes pôde aplicar o que dá certo. Lula se impõe a Haddad, e nenhum dos dois tem conhecimento econômico além do superficial. Por isso, o Brasil desce rápido na deterioração das contas públicas — e o Congresso mostrou que não dará voto para mais impostos. O que se esperava que rebentaria nas mãos do próximo presidente agora economistas preveem para o ano que vem. Que, para a desgraça da atual administração federal, será ano eleitoral.

José Dirceu está preocupado com as eleições e há pouco se manifestou. Antes, por seu amigo, o advogado Kakai, que expressou sua queixa por Lula já não ouvir seus companheiros mais confiáveis, estando isolado — no que pareceu uma crítica a Janja, que o influencia e evita outros conselheiros. Agora, o próprio José Dirceu argumenta que a esquerda não se atualizou, perdeu o protagonismo no mundo digital e fala para um Brasil que já não existe. Lula se isolou também do aliado histórico, Estados Unidos, e do Estado que um brasileiro, Oswaldo Aranha, ajudou a criar na ONU: Israel. Escolhas de Lula. Que prejudicam o país externa e internamente. Que enfraquecem o poder nacional como um todo. Deterioram posições econômicas e políticas no concerto internacional, endividam e enfraquecem o Estado brasileiro e desestimulam os que produzem e empregam. Mas não se pode dizer que são escolhas só de Lula. Foi, sobretudo, opção dos que têm o poder do voto.

José Dirceu, em São Paulo, SP (2/4/2025) | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

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3 comentários
  1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Davi Alcolumbre judeu. Que desgosto deve ser para este bravo povo ter uma figura patética como essa em seu meio.

  2. Robson Oliveira Aires
    Robson Oliveira Aires

    Desde quando o Filho de Belzebu e o Taxador mor entendem, ainda que superficialmente, de economia?

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