Há mais de dois anos, Oeste tem investigado e denunciado histórias que envolvem dezenas de acusados de participação nos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023. A maioria deles jamais se aproximou de uma única vidraça na capital federal. Muitos sequer estavam em Brasília no dia da baderna.
Nesta semana, o site Public revelou trocas de mensagens entre assessores diretos do ministro Alexandre de Moraes que confirmam o que Oeste teimosamente noticiou. “O STF criou uma força-tarefa secreta e ilegal que usou postagens de redes sociais de manifestantes não violentos como justificativa para investigações e prisões”, reitera Cristyan Costa, na reportagem de capa desta edição.
As histórias são impressionantes. Um homem chegou a ser preso por uma frase: “Fazer cumprir a Constituição não é golpe”. Outro foi castigado pelo crime de tuitar contra Lula e o PT em 2018 — cinco anos antes das manifestações do 8 de janeiro.
Em qualquer país sério, isso bastaria para a devassa do escândalo. No Brasil deste 2025, o ministro que ordenou as prisões não abre o bico sobre o escândalo de proporções incontornáveis. A velha imprensa, claro, vive outro surto de mudez.
O mesmo silêncio é usado para sufocar as acusações feitas por Mike Benz, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, tema do artigo de Flávio Gordon. Publicamente, Benz denuncia a ingerência direta do governo Biden nas eleições de 2022 no Brasil, valendo-se da censura de redes sociais e manipulação do debate público.
Enquanto fingem não enxergar temas de alta relevância, os mesmos veículos de comunicação não veem nada de mais no fato de um só juiz agir no mesmo processo como vítima, acusador e julgador. “Na delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Moraes citou a si próprio como vítima ao menos 12 vezes”, revela Loriane Comeli. “No voto para receber a denúncia da ‘tentativa de golpe’, referiu-se a si mesmo 44 vezes”.
A fúria do ministro cresceu desde o último domingo, 3, quando manifestações do Brasil oposicionista tomaram as ruas de mais de 60 cidades. “No dia seguinte, Moraes determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro para se vingar da onda que se ergueu em praça pública”, afirma Silvio Navarro.
Desta vez, o Congresso acordou. Deputados e senadores da oposição interditaram as Mesas Diretoras das duas Casas e lá permaneceram até que Hugo Motta, numa imitação patética do estilo autoritário de Alexandre de Moraes, convocou a Polícia Legislativa para retirá-los à força. Também ameaçou suspender mandatos, monocraticamente, por seis meses.
Com uma de suas frases devastadoras, J. R. Guzzo — que nos deixou há uma semana — saberia definir à perfeição o circo institucional em que se transformou o Brasil. Nesta edição, Augusto Nunes recorda mais momentos que testemunhou no convívio com o melhor de todos os jornalistas.
Até agora, Guzzo foi o norte de todas as edições de Oeste. Agora, é o seu legado que nos orienta. Assim sempre será.
Boa leitura.
Branca Nunes,
Diretora de Redação
Leia a edição especial em homenagem a J. R. Guzzo




Vamos á leitura.
Então não precisa de eleição para presidente em 2026 porque Bolsonaro ganhou em 2022
Saudades do Guzzo. Mas a edição parece que está boa. Até eu estou preparando um textinho para os meus 2 ou 3 leitores com o título: Fraide eleitoral secreta. È uma pegadinha. Deixo uma frase que seria para compartilhar e divulgar na edigora dos bugios do fundo do sertão: a maioria dos brasileiros, incluindo muitos que votaram em Lula, não sabiam que o presidente deseja um regime comunista e um alinhamento aos chineses. Para terminar: o Alcolumbre também pode ser considerado membro da máfia, pois está protegendo um dos maiores criminosos do planeta. Perder o cargo por falta de decoro, falta de ética, falta de moral, falta de brasilidiades já são pontos para perda do mandato. P.S.; isto tudo que a gente fala e pensa não dá ibope.