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Desde os ataques de 7 de outubro, a França mergulhou em uma nova onda de antissemitismo — e Macron, ao invés de enfrentar essa realidade interna, prefere posar de mediador internacional | Foto: REUTERS/Tom Nicholson
Edição 282

Macron brinca com fogo ao reconhecer Estado Palestino

A declaração arrogante do presidente francês premia os neofascistas do Hamas e isola o Estado Judeu

Mais um líder francês agrada fascistas. Desta vez é Emmanuel Macron, e o beneficiário de sua pusilanimidade é o Hamas. O presidente anunciou que a França reconhecerá unilateralmente um Estado Palestino em setembro. Isso ocorrerá às vésperas do segundo aniversário do 7 de outubro, que marca o pogrom em que o Hamas enviou um exército de 6 mil homens para estuprar e assassinar brutalmente os judeus do sul de Israel. É essa a recompensa por assassinatos de judeus agora, monsieur Macron — a posição de Estado?

Macron fez sua declaração arrogante em uma publicação no X — onde mais? “Decidi que a França reconhecerá o Estado Palestino”, disse ele, com uma boa pitada de empáfia napoleônica. Em maio passado, outras nações já reconheceram a Palestina — 147 no total, incluindo Irlanda, Espanha e Noruega — em uma coletiva e barulhenta “sinalização de virtude”. Mas a França é, sem dúvida, o ator ocidental mais expressivo a reconhecer a Palestina — o que significa que este é um gesto propenso a ter consequências de longo alcance.

Quem duvida de que a declaração de Macron fez a alegria dos assassinos de judeus do Hamas, basta observar a resposta deles. Os maníacos estão em êxtase. Ao reconhecer a Palestina, Macron dá um “passo positivo na direção certa”, disseram eles. E todas as outras nações deveriam “seguir o exemplo da França”. Assim, mesmo que a declaração de Macron tenha feito menção à necessidade de “desmilitarizar” o Hamas, o grupo terrorista continua encantado. Mesmo que Macron não tenha noção disso, o Hamas sabe que o reconhecimento francês do Estado Palestino, menos de dois anos após o bárbaro pogrom do 7 de outubro, equivale a uma aceitação implícita do assassinato em massa de judeus, de que esse massacre tem seus benefícios.

A chancela da França causa estranhamento porque é tanto sem sentido quanto potencialmente fatal. É sem sentido porque não vai “materializar” um Estado como num passe mágica. É um delírio monumental pensar que, só porque o presidente da França diz “Que haja Palestina”, uma entidade palestina funcional surgirá. A burocracia palestina está em um estado de desordem alarmante. A Cisjordânia é governada por um regime corrupto liderado por Mahmoud Abbas, atualmente em seu vigésimo ano de um mandato de quatro anos como presidente da Palestina. E todos sabemos o que se tornou Gaza após seu governo declarar uma guerra fascista contra Israel.

Macron tenta criar um Estado Palestino no grito, mas ignora que Abbas está há 20 anos no poder sem eleições e que Gaza é controlada pelo terror | Foto: Reprodução

No entanto, embora a ação de Macron faça pouco para ajudar os palestinos — se eles querem um Estado, terão de construí-lo eles mesmos —, certamente isolará a nação judaica, que vive seu momento mais sombrio. Pense na gravidade do que Macron fez: enquanto Israel, de quem a França seria supostamente aliada, trava uma guerra sangrenta em um território invadido por neofascistas que sonham com sua destruição, Macron eleva ao patamar de Estado esse mesmo território — um solo inimigo onde o exército do Estado Judeu realiza uma perseguição implacável e mortal ao exército de antissemitas que cometeu o pior ato de violência em massa contra os judeus desde o Holocausto.

Isso é o que torna essa decisão um gesto de boa vontade. É o que a faz reverberar os atos que a França cometeu nos tempos mais sombrios do século 20. É um testemunho da decadência moral da República Francesa sob Macron — em um momento de guerra pela sobrevivência entre o islamofascismo e Israel — que a França tome essa decisão que agrada ao primeiro e aflige ao segundo. Não é preciso ser fã de Benjamin Netanyahu para ver que ele tem razão ao acusar Macron de trair de modo grotesco a nação judaica. “O Hamas ainda existe e continua lutando contra os nossos soldados,” diz ele, “e um Estado Palestino ‘nessas condições’ não seria, por pouco, mais do que uma ‘plataforma de lançamento (de mísseis) para aniquilar Israel’”, afirma.

O que se conclui é que Macron sacrificou Israel no altar de sua própria vaidade. Sua preocupação é menos com a melhora da sorte dos palestinos do que com a melhora de sua própria credibilidade moral na Europa do século 21. Parece-me que o objetivo de seus cínicos “jogos palestinos” é tanto conquistar o apoio da população muçulmana da França — a maior da Europa — quanto se apresentar como um novo tipo de estadista em um novo tipo de União Europeia. Ele está sinalizando unilateralmente que é o governante ideal para o nosso mundo pós-7 de outubro, onde influenciadores e intelectuais da Europa se voltaram em massa contra a causa da nação judaica. Ele está se desfazendo do incômodo Estado Judeu para alimentar seus próprios delírios de grandeza — um comportamento vergonhoso mesmo pelos padrões históricos do Palácio do Eliseu.

Macron deveria se concentrar em arrumar a própria casa da França em vez de fantasiar que pode consertar o Oriente Médio. A França é palco de um ódio primitivo aos judeus. Houve ali alguns atos inimagináveis de violência antissemita nos últimos anos, incluindo o massacre racista de crianças judias. As coisas ficaram tão ruins que, entre 2000 e 2017, um em cada 10 judeus franceses migrou para Israel. Essa é a maior fuga de judeus vivida por qualquer país europeu neste século. E, como outras nações europeias, a França viveu um pico histórico de crimes antissemitas após 7 de outubro de 2023 — mas quantos de seus judeus partiram desde então?

Desde os ataques de 7 de outubro, a França mergulhou em uma nova onda de antissemitismo — e Macron, em vez de enfrentar essa realidade interna, posa de mediador internacional | Foto: Shutterstock

Isso significa que os judeus não se sentem seguros na França, e que os israelenses agora se preocupam com a possibilidade de que a França tenha incentivado seus inimigos antissemitas dentro do território francês. Será esse o legado de Macron — um fracasso em proteger os judeus em casa e uma postura indiferente em relação à segurança dos judeus no exterior? Governar uma nação da qual muitos judeus se sentiram compelidos a fugir e, em seguida, colocar em perigo a nação para a qual fugiram? Que vergonha. Seu gesto autoengrandecedor de reconhecimento do Estado Palestino é um lembrete de que o caminho para o inferno está pavimentado com virtudes sinalizadas.


Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast da Spiked, The Brendan O’Neill Show. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy

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5 comentários
  1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Emmanuel Macron é um hipócrita. Que nível chegou a Grança.

  2. Alberto Junior
    Alberto Junior

    É um privilegio poder ler os textos clínicos de Brendan O’Neill aqui na Oeste. O cara é cirúrgico, vai direto no alvo, demolindo qualquer narrativa suspeita que queira interferir na clareza dos fatos, não deixando dúvidas sobre qual o lado certo da questão. É um alívio para as pessoas de bem poder contar com o seu olhar revelador no meio de uma inacreditável imprensa ocidental cada vez mais tenebrosa, fascista, esquerdista.

  3. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Help! Gostaria que a alma boa do colunista explicasse e mostrasse o que ando pedindo faz anos. Os defensores da Palestina livre nunca mostram qual o mapa aonde seria o território requerido. Ou seja, alguém teria que colocar aqui na revista ou enviasse pra mim qual a área, qual o território e quais os limites (divisas) do estado palestino que deseja o Macron e todos os antisssemitas. Além das narrativas inverídicas e históricas, muita gente defende a idéia de um novo estado, mas não sabem sequer qual a área pretendida. Mesmo porque, ao que já vi, dividiria Israel bem no meio de seu território.

  4. Paulo Ricardo
    Paulo Ricardo

    Macron, amigo do Lula, se gaba de ter incluído na Constituição francesa o direito de assassinar bebês em formação. Que esperar de alguém tão deformado moralmente?

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