A rotina da estudante Lanna L. Slabodkin, de 20 anos, era de tranquilidade na ensolarada universidade Cal Poly Pomona, na Califórnia. A instituição tem como um de seus lemas a diversidade. Norte-americana, Lanna cursava Engenharia Genética. Cumpria com prazer o plano estabelecido pela mãe, a brasileira Andrea Orsi, desde que esta se mudou para os EUA, em 1999, aos 25 anos.
A vida universitária dela, no entanto, foi interrompida de repente. Lanna sentiu-se forçada a abandonar a universidade depois de uma escalada de antissemitismo. O ambiente bucólico transformou-se em cenário de medo. Cartazes colados nas paredes, protestos com gritos de “Intifada”, olhos esbugalhados, veias saltadas e ameaças nas redes sociais fizeram com que Lanna optasse por estudar on-line. Em outra instituição.
Lanna integra o grupo judaico universitário Hillel e começou a sofrer hostilidades constantes depois do início da guerra entre Israel e Hamas. Não havia saída. Ao lado do namorado, que é israelense, ela ia ao refeitório e ouvia insultos vindos do outro lado dos vidros. Buscava a biblioteca e, por entre as estantes, era xingada.
“Precisei mudar para uma faculdade mais próxima porque o antissemitismo no campus se tornou tão avassalador que eu tinha medo de ir a pé para a aula”, conta a jovem. “Mas, mesmo na nova faculdade, ainda enfrento isso.” A decisão de tirá-la da universidade veio depois de os pais enviarem “500 e-mails de aviso para a direção”. “Nada foi feito pela diretoria”, conta a mãe.
Lanna, então, transferiu-se para o Saddleback College, uma community college, que não é exatamente uma universidade, mas uma instituição de ensino superior mais acessível. Funciona como uma preparação para a universidade.
“Ela estudou muito para entrar numa boa instituição”, prossegue Andrea. “Ingressou na Cal Poly Pomona, que não é fácil. O que ela não esperava era que a guerra (em Israel, em 7 de outubro de 2023) fosse estourar e que, de repente, as colegas de dormitório se voltassem contra ela por ser judia.”
O “conselho” de Mercadante
Natural de São Paulo, Andrea interrompeu no último ano o curso de Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e deixou o Brasil aos 25 anos, “aconselhada” pelo professor Aloizio Mercadante, figura de destaque no Partido dos Trabalhadores (PT). “Um dia, ele disse na sala de aula que o Brasil não melhoraria pelos 30 anos seguintes. Eu tinha 25 e pensei: ‘Então vou embora, como vou ficar aqui sem perspectiva?’. Tranquei a matrícula e vim para os EUA.”
Hoje, ela vive com a família em Laguna Beach, Califórnia, e é apresentadora de uma seção sobre os EUA na TV Judaica do Brasil.
“Saí do país muito jovem, meu sonho era vencer na América”, conta. “Era uma outra América, muito melhor, mas, mesmo assim, quero seguir com meus objetivos. Na Califórnia, um Estado dos democratas, não é fácil. É difícil ser republicana aqui, mas não desisto.”
Por alguns anos, Andrea manteve dois salões de beleza de alto padrão. Ela também foi vítima de ataques por seu ativismo pró-Israel nas redes sociais. “Quebraram a porta de vidro do meu salão com uma pedrada”, conta. Depois do episódio, Andrea resolveu fechar o negócio, em Newport Beach — antes, sem influência da guerra, havia fechado o outro salão, em Beverly Hills.
Agora, sente-se com a responsabilidade de se dedicar à causa judaica. Impulsionada pelo drama da filha, ela criou a fundação Love Over Hate Foundation (“Amor Sobre o Ódio”). “Quero ajudar, apoiar jovens judeus, lutar contra o ódio, inclusive no Brasil, onde o antissemitismo aumentou. Quero evitar que os jovens judeus passem pelo que minha filha passou.”
Amiga e inimiga
O estilo discreto de Lanna não a impediu de se sentir acolhida no início de seu “sonho universitário”. Vinda de um colégio particular judaico da região, com classes pequenas, ansiava ampliar seus horizontes. No começo, tudo ia bem. Nem imaginava que muitas de suas supostas amigas mostrariam uma nova face na primeira oportunidade.
“No meu tempo livre, eu saía com essas meninas”, afirma a estudante. Até que ela também, de alguma maneira, teve sua vida saqueada depois do brutal ataque do Hamas. As cenas atrozes dos terroristas assassinando famílias mal haviam sido assimiladas. Mas a reação hostil a Israel foi quase automática. Parecia estar adormecida há anos, apenas à espera de um pretexto.
“Perdi minha melhor amiga, uma relação de 12 anos”, conta Lanna. “Ela era antissemita e tinha ressentimento por mim. Eu não fazia ideia. Por meses, ela falava de mim pelas costas. Tivemos um término horrível, e ela fez questão de que eu soubesse como se sentia em relação a Israel e ao judaísmo.”
O mundo dela virou de “cabeça para baixo”. “A sensação foi horrível, sofri muito insulto pessoal dos meus colegas”, desabafa Lanna. “Os alunos da minha faculdade me mandavam mensagens horríveis sempre que eu postava sobre Israel e a guerra. Isso me fazia sentir insegura para ir às aulas ou deixar a porta destrancada.”
Lanna foi cercada por protestos semanais pela Palestina, com faixas e gritos de “Intifada” e “Do Rio ao Mar”. Centenas de alunos se reuniam e percorriam o campus com megafones. Atiravam palavras como pedras. “Qualquer um que tentasse se levantar era abafado pelos seus cânticos, o que só os tornava mais altos”.
Antes de tudo isso começar, o antissemitismo era algo distante para Lanna. “Eu nunca tinha sentido medo de sair em público por causa das minhas crenças”, ressalta a jovem. “Tive medo de andar até com minha estrela de Davi”.
Identidade oculta
A jovem ainda não se recuperou. Lanna não acompanha as aulas de forma presencial, traumatizada por tudo o que tem passado. “Sinto-me muito mais segura fazendo aulas online desde que saí da minha última universidade”, conta a estudante. “Tenho visto mais manifestações pró-Palestina, como pessoas usando distintivos ou adesivos no meu novo campus, ou até mesmo cobrindo a cabeça e o rosto com um keffiyeh (lenço árabe).”
Lanna até evita revelar sua origem quando sai de casa. Em uma viagem com outros jovens, não contou que era judia. “Dá um vazio muito grande ter aulas em casa todos os dias e ficar com medo de quase todo mundo da minha idade nas escolas”, conta a jovem.
Pesquisa de 2025, realizada pela Liga Antidifamação (ADL) e pelo Hillel, prova que o drama de Lanna não é solitário. O ambiente universitário norte-americano está contaminado pelo vírus do antissemitismo. No levantamento, 83% dos estudantes judeus vivenciaram ou testemunharam incidentes antissemitas. Assim como Lanna, 41% sentiram necessidade de ocultar sua identidade e 66% disseram não confiar na capacidade da universidade de prevenir ataques.
O governo dos EUA, na tentativa de combater a intolerância, tem acusado instituições como Harvard e Universidade da Califórnia (UCLA) de violação dos direitos civis. Elas podem ficar sem receber verbas federais.
Junto à ocultação da identidade, houve também casos relatados informalmente em redes sociais e comitês estudantis de alunos usando pseudônimos ou nomes neutros para não serem reconhecidos como judeus. “Hoje, a Lanna evita dizer que é judia, isso me corta o coração”, desabafa a mãe. “Mas, dentro de casa, nossa fé está mais forte do que nunca. E só vai crescer, com esse aprendizado e quando tudo for superado.” Se isso for um pedido, na religião judaica, a resposta é: Amen.
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O QUE ESTÃO FAZENDO COM O MUNDO DE HOJE MEU DEUS.
Lula é antissemita, seguido pelo PT e seus aliados, mas o povo brasileiro não é. A bandeira de Israel nas manifestações sempre está presente junto com a Brasileira. Isso é fato.
Os EUA e a Europa vivem uma onda fortíssima de antissemitismo. Voltaram anos de história, vivem o mesmo ambiente anterior a segunda guerra mundial no qual judeus já sofriam perseguição pela sua simples existência .Brasil recebeu de braços abertos judeus que conseguiram fugir do massacre e Campos de concentração. Aqui posso afirmar que o Instituto Brasil Israel (IBI) no Rio de Janeiro e em São Paulo funciona com liberdade, assisto seus programas semanalmente pelo YouTube, O antissemitismo no Brasil é pontual, não se compara ao existente no resto do mundo.
É terrivel o que está acontecendo no mundo! Nós, judeus brasileiros também temos sofrido com o antissemitismo.