Estes são dias perigosos para Israel. O país enfrenta um ataque de duas frentes. De um flanco vêm os islamistas radicais, do outro, os intelectuais ocidentais. Os primeiros estão entrincheirados em túneis úmidos na Cidade de Gaza, preparando seus artefatos explosivos improvisados (IEDs) para sua última resistência contra os judeus, que eles odeiam com grande fervor. Os segundos estão acomodados nas torres de marfim herméticas do Ocidente, preparando alegações hiperbólicas, que beiram a desinformação, para deslegitimar o Estado Judeu, ao qual se opõem de modo obcecado. A arma preferencial de um é a violência, a do outro é a propaganda. O objetivo de ambos, no entanto, é o mesmo: ferir, ou possivelmente exterminar, a única nação judaica do mundo.
A aliança Ocidente-Hamas é inegável agora. Eventos recentes deixaram claro que, por mais involuntário que esse conluio profano possa ser, ele é fato. O Hamas correu para seus túneis na Cidade de Gaza, um de seus “últimos grandes redutos”, onde uma brigada sob o comando de Izz al-Din al-Haddad planeja “resistir” ao iminente ataque das Forças de Defesa de Israel (IDF). Enquanto isso, os influenciadores israelofóbicos do Ocidente emitem relatórios e mais relatórios sobre o caráter criminoso de Israel. A aposta subiu. Os terroristas atiram granadas, os intelectuais lançam farpas. Eles estão em conluio em tudo, exceto no nome, unidos por uma aversão impiedosa ao Estado Judeu.

A frente mais premente na guerra multifacetada entre Israel e seus detratores fica na Cidade de Gaza. Em breve, é provável haver ali um confronto sangrento entre as IDF e os batalhões sobreviventes do Hamas. Benjamin Netanyahu diz que será a “Batalha de Berlim” de Israel. As IDF estão mobilizando milhares de reservistas. Eles encontrarão um exército de antissemitas que se transformou de uma força de combate convencional em unidades guerrilheiras localizadas planejando ataques-surpresa. A ameaça do Hamas permanece, em grande parte, subterrânea: seus militantes da Cidade de Gaza espreitam e tramam em um “mundo subterrâneo altamente desenvolvido”.
A vindoura batalha pela Cidade de Gaza desmentirá a alegação de que Israel está realizando um genocídio. Israel atrasou sua “Batalha de Berlim” para que civis pudessem fugir da Cidade de Gaza para zonas mais seguras — um comportamento estranho para um estado “totalmente assassino” determinado a “eliminar” o povo palestino. A visão dos guerrilheiros fascistas do Hamas que atacam o exército da nação judaica confirmará que isso é guerra. Guerra entre o exército de um Estado democrático e o exército de um califado em formação. A calúnia de genocídio se tornará insustentável diante do que promete ser um conflito urbano brutal entre as duas partes.
O Hamas estará em desvantagem nesse confronto, com suas fileiras já devastadas pelas IDF. Mas tem algo a seu favor: a histeria anti-Israel dos influenciadores do Ocidente. Na última semana, a cruzada de criminalização de nossas elites contra o Estado Judeu atingiu alturas ainda mais vertiginosas. Israel foi considerado culpado, no tribunal de fachada dos moralistas inflados do Ocidente, de todos os tipos de crimes de guerra imagináveis. Foi julgado como a nação mais selvagem que existe. Tal condenação estridente do Estado Judeu tem um único efeito: inspirar o Hamas a continuar sua guerra nefasta em Gaza.
“É genocídio sim”, foi o grito que se levantou, depois da publicação de uma reportagem bombástica pelo jornal The Guardian, entre outros, com alegações de que 83% dos mortos em Gaza são civis. Os números vêm da própria “base de dados de inteligência” das IDF, segundo nos informaram. Eles mostram que “cinco em cada seis palestinos mortos pelas forças israelenses” eram civis. Essa é “uma taxa de matança altíssima, raramente igualada por outras guerras nas últimas décadas”, informou o Guardian. “É preciso olhar para Srebrenica ou Ruanda para ver níveis semelhantes de destruição gratuita de vidas humanas”, publicou o jornal.

A verdade — como era de se esperar acerca de tudo relacionado a Israel — é muito mais complexa. O que a base de dados das IDF realmente diz é que 8,9 mil — cerca de um em cada seis — dos mortos em Gaza são “combatentes identificados” do “Hamas e da Jihad Islâmica Palestina”. Ainda segundo as IDF, haverá muitos outros mortos, que são combatentes que não puderam ser identificados ou que fazem parte de outros grupos islamistas. De fato, a “revelação” floreada da suposta crueldade genocida das IDF minou suas próprias alegações ao reconhecer que o número de combatentes mortos é “provavelmente maior” do que 8,9 mil, já que a base de dados das IDF “não inclui… agentes que foram mortos, mas não puderam ser identificados pelo nome [ou] habitantes de Gaza que participaram dos combates, mas não eram oficialmente membros do Hamas ou da Jihad Islâmica Palestina”.
Certo. Então, não é verdade que apenas um em cada seis mortos seja militante. Essa foi uma deturpação imprudente e sinistra dos fatos. É até plausível que haja mais combatentes que não puderam ser identificados do que combatentes que foram: a guerra, afinal, é um negócio sujo onde é difícil estabelecer o que é fato. No entanto, a pós-verdade insistente de que 83% dos mortos são civis se espalhou como fogo nos círculos de influenciadores. “Bárbaros”, “Demônios”, vociferaram. A verdade, escrita em letras miúdas, foi incinerada na pressa de condenar Israel como genocida.
Parece que o massacre da verdade é um pequeno preço a pagar pelo objetivo mais invejosamente cobiçado do establishment cultural do Ocidente: declarar Israel culpado de genocídio. Ele vai distorcer não só os números, mas também a linguagem. Lembre-se de que o governo irlandês disse que o Tribunal Internacional de Justiça deveria ampliar sua definição de genocídio para poder colocar Israel no banco dos réus por sua “punição coletiva” a Gaza. Não é possível condenar Israel por genocídio? Sem problema, basta mudar o significado de genocídio. Orwellianismo clássico. Um especialista em direitos humanos lembra a nós, tapados, que genocídio é “um crime que pode ser cometido sem que uma única pessoa morra”. Então, tivesse Israel matado 60 mil pessoas ou nenhuma, ainda poderia ser considerado um estado genocida. Isso é tipo de insanidade.
Também na semana passada, o IPC — o grupo Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, ligado à ONU — decidiu que há fome em Gaza. Ninguém duvida de que haja um sofrimento imenso em Gaza, incluindo a morte por fome. No entanto, algum ceticismo se justifica nesse caso também. Israel diz que o IPC aplicou um critério de “limite de fome” mais baixo a Gaza do que o faz para outros países. O relatório do IPC também parece extremamente politizado: um de seus colaboradores é um especialista em nutrição internacional que possui um histórico de comentários mordazes sobre Israel, que incluem a descrição de sua fundação em 1948 como tendo sido construída sobre “a destruição do Estado Palestino por insurgentes judeus”. Será que não pode haver nenhuma análise neutra, nem uma vez sequer, por favor?

A pressão sobre Israel aumenta cada vez mais. Uma união doentia de militantes antissemitas e ocidentais israelofóbicos da moda dedicou-se a condenar a nação judaica como a nação mais perversa de todas. Nada define melhor a crise da civilização do que este sinistro cerco duplo a Israel pelos neofascistas, nas fronteiras do país, e por seus apoiadores imbecis e grotescos, nas cidadelas culturais do Ocidente. Israel deveria vencer na Cidade de Gaza. Mas é no outro flanco — aquele dominado por ocidentais, tão desconfiados de nossa civilização, que preferem comungar da causa maior de seus inimigos — que a luta será mais difícil. E não apenas para Israel — para todos nós.
Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast da Spiked, The Brendan O’Neill Show. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy
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Ótima análise.
O curioso é que não existe um único país de esquerda no Oriente Médio ou em qualquer parte do mundo por um simples motivo: eles não suportam ateus ou progressistas. Esta gente não não se cria nos países islâmicos.