Sabemos por que o Hamas arrastaria dois judeus para o subterrâneo e os deixaria morrer de fome: porque é um exército de antissemitas fundado com a intenção expressa de perseguir judeus. Sabemos por que humilharia ainda mais os judeus, zombando deles em vídeo, forçando um a cavar sua própria cova para as câmeras e filmando o outro chorando de dor em razão da fome: porque se deleita com o tormento psicológico daqueles que vê como um “povo inferior”. E sabemos por que alistaria esses dois homens esqueléticos — Evyatar David, de 24 anos, e Rom Braslavski, de 21 — para aterrorizar o povo de Israel: porque sua única motivação é ferir de morte o Estado Judeu.
Mas aqui está minha pergunta: como explicamos a falta de vergonha do Hamas pelo que infligiu a esses dois judeus? O que está por trás do orgulho com que desfilou seus crimes diante da mídia mundial? Mimetizar os nazistas e prender judeus por serem judeus antes de reduzi-los a sombras esqueléticas de seus antigos “eus” — isso é uma coisa. Mas vangloriar-se disso, publicar os vídeos, mostrar ao mundo as consequências desumanas de seu delírio fascista — isso é algo completamente diferente. Por que o Hamas está tão satisfeito em se deleitar com sua imitação das histerias racistas do passado?
É porque se sente encorajado. Percebe que desfruta de uma espécie de impunidade moral entre as classes formadoras de opinião do Ocidente. Sabe que nossas elites de ativistas e influenciadores beberam com prazer do veneno da israelofobia, e que nem mesmo isso, nem mesmo essas imagens distópicas de judeus mal-alimentados por antissemitas armados, serão suficientes para levá-los de volta à sensatez moral. Sabe que a culpa de toda essa crueldade também recairá sobre Israel. A escravização dos jovens David e Braslavski a serviço de uma causa distorcida, cujo objetivo é ferir a nação judaica, é um testemunho da maldade do Hamas. A desfaçatez do Hamas em divulgar imagens doentias do flagelo dos jovens é um testemunho da nossa decadência moral.
Assim que vi os vídeos aterradores dos dois judeus emaciados, soube que se tratava de uma exibição soberba do poder cultural de que o Hamas desfruta sobre muitos no Ocidente, de sua presença virtual intocável em um mundo alucinado pelo ódio a Israel. Em um vídeo, David mal consegue usar uma pá para cavar um pouco de terra no túnel úmido em que ficou preso por 667 dias. “O que estou fazendo agora é cavar a minha própria cova”, disse ele. Em outro, Braslavski é mostrado em uma cama improvisada, em agonia, contorcendo-se de fome. Aos prantos, ele descreve sua situação. A humanidade deveria ficar horrorizada tanto com a tortura desses judeus quanto com a petulância com que seus torturadores exibiram ao mundo suas obras nefastas.

O Hamas sabe que é tratado como uma entidade inocente por muitos no Ocidente. Sabe que, embora não seja visto como moralmente imaculado — as elites culturais, vez ou outra, emitem condenações protocolares de seus crimes de guerra —, é visto como a parte menos perversa nesta guerra. Sabe que, em geral, é totalmente apagado dos comentários sobre o conflito, em todos os lugares, desde a BBC e a CNN até o poço de ódio a Israel que são as redes sociais. Sabe que sua incessável beligerância é raramente mencionada, que as mortes de seus terroristas em combate são quase esquecidas, englobadas na afirmação mais ampla de que Israel “assassinou 60 mil pessoas”. Ele sabe que a calamidade em Gaza é amplamente — e falsamente — vista como uma maldade criada por Israel.
O Hamas se deleita abertamente com essa isenção de culpa concedida a ele por nossos intelectuais israelofóbicos. “Somos as vítimas da ocupação… portanto, ninguém deveria nos culpar pelas coisas que fazemos”, disse um de seus líderes, Ghazi Hamad, pouco depois do pogrom de 7 de outubro de 2023. E, em certos círculos, ninguém o faz. Nos campi, nas marchas, na esquerda, na imprensa liberal, o grito é: “Israel é o único autor das atrocidades em Gaza”. Como disse aquele exército de moleques radicais da Ivy League na Universidade de Harvard, no próprio dia 7 de outubro, Israel é “inteiramente responsável” por toda a violência no Oriente Médio.
A divulgação pelo Hamas dessas imagens de dois judeus que ele sequestrou, deixou morrer de fome e depois humilhou para a alegria dos antissemitas do mundo, foi uma afirmação do poder insano de que ele desfruta sobre a narrativa de Gaza. Sabe que, não importa a profundidade da depravação a que consegue descer, a história ainda será de que Israel é o problema. Sabe que pode enviar um exército de 6 mil homens para invadir Israel, estuprar mulheres israelenses, matar civis, sequestrar judeus e submetê-los a humilhações fascistas, e ainda assim os influentes do Ocidente apontarão o dedo para o Estado Judeu. É possível que o sofrimento de David e Braslavski tenha sido intensificado por essa desordem ética no Ocidente — certamente o Hamas estava explorando essa anomalia quando divulgou as imagens de seu suplício, com plena consciência de que muitos simplesmente fariam vista grossa.
Pior, o Hamas sente que seus crimes não são apenas perdoados, mas também recompensados. O fato de divulgar os vídeos de David e Braslavski justamente nos dias seguintes a Keir Starmer, Emmanuel Macron e Mark Carney terem dito que reconheceriam o Estado Palestino foi repugnante. O Hamas entendeu claramente a mensagem de que perseguir judeus tem seus benefícios. Que realizar um pogrom pode render bons frutos. Que matar mais judeus em um dia do que qualquer outro grupo desde os nazistas tem suas recompensas. Incluindo o reconhecimento da condição de Estado. A promessa de Starmer de reconhecer a Palestina prova que a “vitória” está “mais perto do que esperávamos”, gabou-se o Hamas. Ghazi Hamad foi além, celebrando a promessa de Starmer como “um dos frutos de 7 de outubro”.
O que Starmer, Macron e Carney fizeram é imperdoável. Sim, todos os três falaram — só da boca para fora — sobre a importância de desarmar o Hamas. Entretanto, conferir a condição de Estado a um território que ainda é parcialmente governado por esses militantes bárbaros que sentem prazer na perseguição e no assassinato de judeus é uma traição grotesca não apenas a Israel, mas também à dignidade humana básica. As imagens de David cavando sua cova e Braslavski soluçando de dor deveriam assombrar Starmer, pois o Hamas vê sua promessa de reconhecimento como um prêmio por tamanha selvageria. O grupo terrorista acredita que sua violência brutal ajudou a acelerar o processo de formação do Estado. E está certo nisso. Como podem os líderes ocidentais pedirem a libertação de David e Braslavski enquanto elevam à condição de Estado os monstros que os sequestraram? É perverso.
Parece que o Hamas não está mantendo apenas 50 israelenses como reféns, mas o próprio Ocidente. Cada comunicado de imprensa desse movimento abominável é repercutido como verdade por nossa mídia. Suas atrocidades são ignoradas, até perdoadas, no ímpeto fanático para condenar Israel como o Estado mais perverso do mundo. Nem mesmo imagens claras, e publicadas por eles mesmos, de seus crimes contra a humanidade foram suficientes para tirar os influentes de seu torpor israelofóbico. Agora sabemos: nossas elites culturais não apenas escolheram o lado errado nesta guerra iniciada pelo Hamas — elas também incentivaram esse lado.

Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast da Spiked, The Brendan O’Neill Show. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy
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Como pode nações como França, Canadá e Reino Unido terem líderes neste nível? Difícil entender!
Fiquei com o estômago embrulhado depois de ler essa matéria. Imagina se fosse um filho nosso. Meu Deus do céu, tenha piedade deles.
Com as visceras expostas pela Internet sobre Hamas Israel e ONU, o ocidente não enxergar é praticar se próprio suicídio
Visão mais clara sobre essa guerra impossível !
Parabéns ,
Viva Israel ,uma terra de homens honrados !
Hamas tem que ser exterminados da face da terra !
Tribo de homens hediondos !