Estamos assistindo à prática do conselho atribuído a Lênin: “Acuse-os daquilo que você é”. Lula quer justificar censura às redes sociais acusando-as de discurso de ódio. Como a humanidade não é composta de anjos, sabemos que a imperfeição tem virtudes e vícios, tem atos de amor e atos de ódio. O problema é que a esquerda se anuncia como o discurso do amor, atribuindo aos outros o discurso de ódio. Acuse-os daquilo que você é. Um seguidor do Psol enfiou a faca na barriga de Bolsonaro; um esquerdista tentou enfiar uma bala na cabeça de Trump, mas atingiu a orelha e matou um homem próximo; agora, em meio à pressão da esquerda para impedir que Charlie Kirk falasse na Universidade do Vale de Utah, uma bala enfiada na garganta matou o influenciador de direita.
Também em uma universidade, a Federal do Paraná, o advogado Jeffrey Chiquini foi agredido, xingado e impedido de falar na Faculdade de Direito por furiosos estudantes esquerdistas. O deputado Nikolas Ferreira, para fazer palestra no Espírito Santo, precisou pedir proteção à Polícia Federal, porque um estudante da Universidade Federal de lá ameaçou matá-lo, tal como fizera um estudante da USP. Quando o ministro Fux terminou sua aula magistral, demolindo a argumentação para condenar sem provas, as redes estavam cheias de discurso de ódio contra ele. Foi demonstração da aplicação do conselho de Lênin: acuse-os do ódio que você destila.

No Nepal, a geração da era digital revoltou-se com o bloqueio das redes onde denunciava a corrupção do Estado nepalês. A censura foi feita sob o argumento do “discurso de ódio”. A grande rede de televisão que procurava anestesiar os 30 milhões de nepaleses e que combatia a concorrência das redes sociais, foi queimada pelos jovens, assim como a Suprema Corte, o Parlamento e a casa do chefe de governo, com a primeira-dama dentro. Das fraldas do Everest, o gelo e as chamas nos contemplam. Amor e ódio; ação e reação. Estado corrupto e injusto ante nação ferida e enganada.
Para que a geração Z brasileira não caia na lorota de atribuir a polarização “que gera ódio” às redes, meu amigo e contemporâneo jornalista Aluísio Carvalho lembrou-me de quanto já testemunhamos em polarização, muito antes da era digital. Apenas mudaram as siglas partidárias, mas sempre foi esquerda x direita. Brigas, assassinatos, bate-bocas, quebra-quebras em Legislativo, socos e pontapés. Lembro que sempre a esquerda seguia a hipocrisia gerada na União Soviética: “acuse-os daquilo que você faz”. Aqui no Brasil estão agredindo as redes porque, assim como no Nepal, uma juventude lúcida percebe que democracia é o poder do povo, não a apropriação dos três Poderes do Estado por políticos e burocratas que se sentem donos das vidas e dos impostos do povo a quem devem servir.

O assassinato de Charlie Kirk foi quase justificado por manchete de O Globo, mostrando que é de “extrema-direita ligado à invasão do Capitólio”. Chamou-o de extremista, portanto. Fiel à regra de “chame-o do que você é”. E — como assim? — ligado à invasão do Capitólio? Ele invadiu o Capitólio? Não. Mas está ligado; portanto, merece a bala. Fiel à pregação em plateia esquerdista, há dez anos, no Congresso da Sindical Popular, quando o sociólogo Mauro Iasi, do PCB, citando Brecht, recomendou: “Nós estamos dispostos a oferecer o seguinte: um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma boa espingarda, com uma boa bala e vamos oferecer, depois de uma boa pá, uma boa cova. Com a direita e o conservadorismo nenhum diálogo, luta!”.
O então deputado Bolsonaro entrou com uma representação, mas era liberdade de opinião — não discurso de ódio. O próprio Bolsonaro, três anos depois, era vítima desse discurso. E até hoje se manteve sob sombras quem moveu o cérebro de Adélio Bispo e lhe propiciou a logística e o álibi para matar Bolsonaro. O ódio foi protegido. Foi atacado pelo ódio durante todo o mandato, a que Bolsonaro sobreviveu e sobreviveram as contas do governo mesmo com a pandemia. No governo seguinte, o presidente Lula, quando soube do bate-boca envolvendo Moraes e os Mantovani, no aeroporto de Roma, reagiu à altura do discurso de ódio da boa espingarda e da boa cova. “Um cidadão desses é um animal selvagem, não é um ser humano. Essa gente que renasceu do neofascismo tem que ser extirpada; nós vamos ser muito duros com eles, para aprenderem a ser civilizados”. E realmente o Estado brasileiro foi muito duro com a família Mantovani, como vimos.
Meu amigo autoridade dos Carabinieri conta que foi um simples bate-boca sem importância nem consequências. O que inflou o caso foi o discurso de ódio. Hoje criou-se o chavão extrema-direita na mídia. É proibido noticiar apenas “direita”. Ou será patrulhado. Jorge Amado descreve essa pressão no meio literário e no meio artístico. São todos domesticados pela ideologia campeã de matanças no mundo. Stalin matou mais gente da URSS que soldados alemães nos seus expurgos. Pol Pot e seu regime comunista mataram 3 milhões de cambojanos, 20% da população do país. Mao é responsabilizado por 77 milhões de mortes na China; Fidel e Guevara levavam os dissidentes ao paredão — tudo sin perder la ternura — como insiste a propaganda do amor da mídia esquerdista. O amor de hoje é aplicado também na propaganda para extirpar Israel — inclusive com o apoio de Lula ao Hamas e à retirada do Brasil da Memória do Holocausto. Afinal, Lulinha é paz e amor.

Leia também “Mentira vestida de verdade”




Ótimo artigo caro Alexandre Garcia.
O planeta terra tornou-se um local muito perigoso para viver.
O USA tenta remover os escombros de um governo Biden desastroso e desastrado.
A Europa depois da eleição do esquerdista François Mitterrand em 1981, permanecendo no poder até 1995 semeou as raízes do que é a Europa hoje.
Londres tenta retomar seu lugar na história e Paris permanece em chamas, afinal é a cidade luz.
A sisuda Alemanha enfrenta problemas sérios com os islâmicos que invadiram a Europa, não para se adaptar a sua cultura e contribuir para seu desenvolvimento, mas para impor sua ideologia, principalmente religiosa.
O mundo precisa retomar seu caminho para garantir as futuras gerações um planeta minimamente habitável.
É a cara de pau dessa turma da esquerda. Fala em ”o amor venceu o ódio” por cinismo.
Excelente retrospectiva, Alexandre. Faltou apenas citar o ex presidente da OAB Felipe Santa Cruz, que disse que no mundo ideal dele seria bala na nuca do Bolsonaro.
Comunismo é um câncer teimoso
Excelente mestre Alexandre Garcia, como sempre.
Obrigada Mestre Alexandre Garcia, sempre com ótimos artigos e aulas da história do Brasil e do Mundo!
Obrigada Alexandre Garcia pelo texto como sempre bem escrito. Aprendo muito com você.