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Edição 287

Amor ou ódio?

O assassinato de Charlie Kirk foi quase justificado por manchete de O Globo, mostrando que é de "extrema-direita ligado à invasão do Capitólio"

Estamos assistindo à prática do conselho atribuído a Lênin: “Acuse-os daquilo que você é”. Lula quer justificar censura às redes sociais acusando-as de discurso de ódio. Como a humanidade não é composta de anjos, sabemos que a imperfeição tem virtudes e vícios, tem atos de amor e atos de ódio. O problema é que a esquerda se anuncia como o discurso do amor, atribuindo aos outros o discurso de ódio. Acuse-os daquilo que você é. Um seguidor do Psol enfiou a faca na barriga de Bolsonaro; um esquerdista tentou enfiar uma bala na cabeça de Trump, mas atingiu a orelha e matou um homem próximo; agora, em meio à pressão da esquerda para impedir que Charlie Kirk falasse na Universidade do Vale de Utah, uma bala enfiada na garganta matou o influenciador de direita.

Também em uma universidade, a Federal do Paraná, o advogado Jeffrey Chiquini foi agredido, xingado e impedido de falar na Faculdade de Direito por furiosos estudantes esquerdistas. O deputado Nikolas Ferreira, para fazer palestra no Espírito Santo, precisou pedir proteção à Polícia Federal, porque um estudante da Universidade Federal de lá ameaçou matá-lo, tal como fizera um estudante da USP. Quando o ministro Fux terminou sua aula magistral, demolindo a argumentação para condenar sem provas, as redes estavam cheias de discurso de ódio contra ele. Foi demonstração da aplicação do conselho de Lênin: acuse-os do ódio que você destila.

Nikolas Ferreira, deputado federal | Foto: Reprodução/Redes Sociais

No Nepal, a geração da era digital revoltou-se com o bloqueio das redes onde denunciava a corrupção do Estado nepalês. A censura foi feita sob o argumento do “discurso de ódio”. A grande rede de televisão que procurava anestesiar os 30 milhões de nepaleses e que combatia a concorrência das redes sociais, foi queimada pelos jovens, assim como a Suprema Corte, o Parlamento e a casa do chefe de governo, com a primeira-dama dentro. Das fraldas do Everest, o gelo e as chamas nos contemplam. Amor e ódio; ação e reação. Estado corrupto e injusto ante nação ferida e enganada.

Para que a geração Z brasileira não caia na lorota de atribuir a polarização “que gera ódio” às redes, meu amigo e contemporâneo jornalista Aluísio Carvalho lembrou-me de quanto já testemunhamos em polarização, muito antes da era digital. Apenas mudaram as siglas partidárias, mas sempre foi esquerda x direita. Brigas, assassinatos, bate-bocas, quebra-quebras em Legislativo, socos e pontapés. Lembro que sempre a esquerda seguia a hipocrisia gerada na União Soviética: “acuse-os daquilo que você faz”. Aqui no Brasil estão agredindo as redes porque, assim como no Nepal, uma juventude lúcida percebe que democracia é o poder do povo, não a apropriação dos três Poderes do Estado por políticos e burocratas que se sentem donos das vidas e dos impostos do povo a quem devem servir.

Protestos no Nepal fecham aeroporto e deixam turistas brasileiras presos no país
Os manifestantes, a maioria composta por jovens da geração Z, incendiaram prédios do governo do Nepal | Foto: Reprodução/X

O assassinato de Charlie Kirk foi quase justificado por manchete de O Globo, mostrando que é de “extrema-direita ligado à invasão do Capitólio”. Chamou-o de extremista, portanto. Fiel à regra de “chame-o do que você é”. E — como assim? — ligado à invasão do Capitólio? Ele invadiu o Capitólio? Não. Mas está ligado; portanto, merece a bala. Fiel à pregação em plateia esquerdista, há dez anos, no Congresso da Sindical Popular, quando o sociólogo Mauro Iasi, do PCB, citando Brecht, recomendou: “Nós estamos dispostos a oferecer o seguinte: um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma boa espingarda, com uma boa bala e vamos oferecer, depois de uma boa pá, uma boa cova. Com a direita e o conservadorismo nenhum diálogo, luta!”.

O então deputado Bolsonaro entrou com uma representação, mas era liberdade de opinião — não discurso de ódio. O próprio Bolsonaro, três anos depois, era vítima desse discurso. E até hoje se manteve sob sombras quem moveu o cérebro de Adélio Bispo e lhe propiciou a logística e o álibi para matar Bolsonaro. O ódio foi protegido. Foi atacado pelo ódio durante todo o mandato, a que Bolsonaro sobreviveu e sobreviveram as contas do governo mesmo com a pandemia. No governo seguinte, o presidente Lula, quando soube do bate-boca envolvendo Moraes e os Mantovani, no aeroporto de Roma, reagiu à altura do discurso de ódio da boa espingarda e da boa cova. “Um cidadão desses é um animal selvagem, não é um ser humano. Essa gente que renasceu do neofascismo tem que ser extirpada; nós vamos ser muito duros com eles, para aprenderem a ser civilizados”. E realmente o Estado brasileiro foi muito duro com a família Mantovani, como vimos.

Meu amigo autoridade dos Carabinieri conta que foi um simples bate-boca sem importância nem consequências. O que inflou o caso foi o discurso de ódio. Hoje criou-se o chavão extrema-direita na mídia. É proibido noticiar apenas “direita”. Ou será patrulhado. Jorge Amado descreve essa pressão no meio literário e no meio artístico. São todos domesticados pela ideologia campeã de matanças no mundo. Stalin matou mais gente da URSS que soldados alemães nos seus expurgos. Pol Pot e seu regime comunista mataram 3 milhões de cambojanos, 20% da população do país. Mao é responsabilizado por 77 milhões de mortes na China; Fidel e Guevara levavam os dissidentes ao paredão — tudo sin perder la ternura — como insiste a propaganda do amor da mídia esquerdista. O amor de hoje é aplicado também na propaganda para extirpar Israel — inclusive com o apoio de Lula ao Hamas e à retirada do Brasil da Memória do Holocausto. Afinal, Lulinha é paz e amor.

Charlie Kirk, ativista pró-Trump
Charlie Kirk, ativista apoiador de Trump, assassinado na última terça, 10/9/2025 | Foto: Divulgação

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7 comentários
  1. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    Ótimo artigo caro Alexandre Garcia.
    O planeta terra tornou-se um local muito perigoso para viver.
    O USA tenta remover os escombros de um governo Biden desastroso e desastrado.
    A Europa depois da eleição do esquerdista François Mitterrand em 1981, permanecendo no poder até 1995 semeou as raízes do que é a Europa hoje.
    Londres tenta retomar seu lugar na história e Paris permanece em chamas, afinal é a cidade luz.
    A sisuda Alemanha enfrenta problemas sérios com os islâmicos que invadiram a Europa, não para se adaptar a sua cultura e contribuir para seu desenvolvimento, mas para impor sua ideologia, principalmente religiosa.
    O mundo precisa retomar seu caminho para garantir as futuras gerações um planeta minimamente habitável.

  2. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    É a cara de pau dessa turma da esquerda. Fala em ”o amor venceu o ódio” por cinismo.

  3. Carlos André Lopes Borges
    Carlos André Lopes Borges

    Excelente retrospectiva, Alexandre. Faltou apenas citar o ex presidente da OAB Felipe Santa Cruz, que disse que no mundo ideal dele seria bala na nuca do Bolsonaro.

  4. Thais de MORAES Machado Suppo Bojlesen
    Thais de MORAES Machado Suppo Bojlesen

    Obrigada Mestre Alexandre Garcia, sempre com ótimos artigos e aulas da história do Brasil e do Mundo!

  5. Darilda Guimaraes Miranda
    Darilda Guimaraes Miranda

    Obrigada Alexandre Garcia pelo texto como sempre bem escrito. Aprendo muito com você.

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