O presidente Lula já disse que “a COP30 é nossa última chance de evitar a ruptura irreversível no sistema climático”. Para tanto, sabe qual é a sua proposta? É “incentivar a redução gradual do consumo de produtos de origem animal”. Para quem tinha prometido picanha barata para o povo, é um assombro agora incentivar a redução do consumo de carnes.
Explico.
A Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) é a responsável pela gestão da COP30 em Belém, com a aprovação do governo federal. Por ocasião da seleção dos responsáveis por operar os restaurantes e quiosques de alimentação na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro deste ano, recomendou explicitamente “incentivar a redução gradual do consumo de produtos de origem animal”.

Não bastasse isso, reforçou que os fornecedores deveriam “priorizar refeições à base de plantas”. Ora, é uma contradição esse tipo de sugestão para os participantes da COP30 de um governo que se diz preocupado com a questão da segurança alimentar. Pior, é uma recomendação que revela um forte preconceito e um total desconhecimento do sistema produtivo que nos cerca.
Em primeiro lugar, somos um dos maiores consumidores de carnes do planeta, com uma estimativa de que o consumo per capita em 2025 ultrapasse a marca de 110 quilos. Além disso, o Brasil é o maior exportador de carne do mundo, com 36% das vendas. Se tirarmos o segundo maior (EUA), exportamos o equivalente aos oito restantes do ranking mundial. Já na tilápia, nosso “frango das águas”, o Brasil deve se tornar no próximo ano o líder do peixe cultivado nas Américas.
O país responde por 31% das exportações mundiais da carne bovina e é o maior do mundo. A expectativa é que exportaremos o dobro do segundo colocado, ou mais do que o segundo e o terceiro juntos. Entre 2004 e 2019, o Brasil registrou um crescimento do rebanho bovino de 204 milhões de animais para 213 milhões sem aumentar um hectare de terra sequer.

Ao mesmo tempo, a produção cresceu de quase 6 milhões de toneladas (2004) para mais de 8 milhões de toneladas (2019), um incremento de quase 40%. O peso da carcaça de um boi saltou de mais de 220 quilos para mais de 250 quilos. Ainda sobre a pecuária, considerando a produtividade da década de 1970, hoje seria necessário ocupar acima de 400 milhões de hectares de terra, algo como quase três vezes mais os atuais cerca de 160 milhões de hectares que a pecuária usa.
Isso significa que a área poupada é superior a 250 milhões de hectares, ou o equivalente ao tamanho de nove Estados americanos que têm mais pecuária (Oklahoma, Texas, Kansas, Iowa, Wisconsin, Nebraska, South Dakota, Missouri e Califórnia) e que representam acima de 50% da pecuária dos EUA. Ou também representa uma área equivalente a dez países europeus com o maior efetivo bovino na União Europeia e mais de 80% do rebanho atual desses países: França, Alemanha, Espanha, Holanda, Bélgica, Irlanda, Itália, Romênia e Áustria.
Por fim, o país realiza 15% das exportações mundiais da carne suína e é o terceiro maior do mundo. Se tirarmos a União Europeia (não é apenas um país), já somos o segundo maior do planeta.

De que valem todas essas conquistas para o atual governo? Nada, pois a sua recomendação para todas as delegações estrangeiras que estiverem na COP30 é diminuir o consumo de proteína animal. Alguém já calculou o prejuízo que isso causa à nossa imagem como um fornecedor confiável desses alimentos aos nossos clientes de todos os cantos do planeta?
Se o governo estiver preocupado com a questão climática, tratar o metano como se fosse dióxido de carbono não é ciência. E muito menos se basear numa metodologia ultrapassada considerando uma vaca como se fosse uma petroleira. Afinal, nós, criadores, não somos produtores de metano. Nós somos produtores de alimentos!
Há pouca coisa mais desonrosa do que enganar o eleitor dessa forma tão acintosa: prometer a picanha barata na campanha eleitoral e depois sugerir a diminuição de seu consumo para agradar aos ativistas ambientais do exterior. O agro brasileiro não pode pactuar com isso, pois, caso contrário, seremos coniventes com esse estelionato eleitoral.

Antonio Cabrera é veterinário com pós-graduação em produção animal e presidente do Grupo Cabrera, que atua no agronegócio. Foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária no governo Fernando Collor e ex-secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de SP durante a gestão Mário Covas. Atualmente, é titular da Sociedade Nacional de Agricultura e membro de várias entidades nacionais e internacionais, além de cônsul honorário da Espanha. Ele está no LinkedIin: Antonio Cabrera
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A COP30 já está esvaziada e essas conferências servem apenas para turismo de “autoridades”.
Sem considerar a desastrosa escolha de Belém, cidade sem infraestrutura para sediar um evento internacional, a dupla Lula-Alckmin mais parece os personagens do filme Debi & Lóide.
Já não sabe o que diz a muito tempo, Junto a Alckmin formam a dupla mais desmemoriada do Brasil. O certo seria cancelar essa COP-30 e poupar nosso pais de mais um vexame internacional.
Por essas e muitas outras, a partir de 2027 temos que ter uma nova direção nacional, que entenda a grandeza deste país.
Eu não sei como ainda se alimenta o que esse Lula diz, um idiota desse analfabeto mentiroso não tem conhecimento de nada, nem de economia, nem de administração, nem de política, nem de capitalismo, nem de socialismo, nem de relações diplomática, nem de sociedade, nem desenvolvimento… um podre desse não era nem pra ser considerado como gente