Há alguns meses, um clipe do embate de Charlie Kirk com estudantes no clube de debates Cambridge Union circulou nas redes sociais. Ele mostrava Kirk confrontando um esquisitão afetado e inquieto, cujo cabelo ruivo bufante desafiava a gravidade. Qualquer um que já visitou Cambridge conhece bem esse tipo de garoto: woke, pomposo, com uma arrogância totalmente desproporcional ao seu intelecto. “Diga-me uma coisa: no conflito entre Israel e Hamas, quem é o mocinho?”, perguntou Kirk. Seu débil adversário se agitou, gaguejou e, finalmente, disse: “Tanto o Hamas quanto o governo israelense são perversos”, dando voz perfeita àquela pusilanimidade burguesa que falsamente se autodenomina “ativismo”.
Fui lembrado desse clipe hoje, enquanto canalhas, on-line, rotulavam Kirk de “nazista” após seu brutal assassinato em Utah. No esgoto da internet, o “sétimo círculo” do wokismo, eles celebraram abertamente o homicídio selvagem desse jovem pai de dois filhos. A esquerda convencional e a imprensa “liberal” foram mais cautelosas, apenas insinuando que Kirk era de “extrema direita” e não avesso a incitar animosidade ele próprio. Alunos da sociedade de debates Oxford Union — que ele também visitou em sua viagem ao Reino Unido — o chamaram de “influenciador de extrema direita” após sua morte. É uma matéria vergonhosa que poderia bem ter sido intitulada: “Fascista morre”.
O mais revoltante na difamação de Kirk, rotulado como um “criptonazista” (ou “nazista disfarçado”), é que, na verdade, ele era mais antifascista do que a maioria da esquerda. Seria absurdo, em qualquer circunstância, chamá-lo de “extrema direita”. Não é preciso concordar com ele — que era anti-aborto, pró-direito ao porte de armas, cético quanto às mudanças climáticas, preocupado com a imigração em massa, e que duvidava de que alguém com pênis poderia se considerar mulher — para reconhecer que todas as suas posições se enquadram no âmbito das opiniões legítimas. Milhões de americanos pensam assim. Mas a esquerda chamá-lo de “extrema direita” agora, neste momento pós-7 de outubro, depois de passar dois anos justificando o assassinato fascista de judeus enquanto Kirk se revoltava contra isso, é risível. É uma distorção sinistra da verdade.

Kirk estava enfurecido com o pogrom de 7 de outubro. Naquele embate em Cambridge, com o estudante tão bem treinado no relativismo moral do campus moderno que sequer conseguia traçar uma distinção moral entre um exército neofascista e o Estado democrático que ele atacou, Kirk lembrou a seus críticos histéricos e hiperescolarizados o que aconteceu naquele dia. “Essa guerra começou”, disse ele, “porque 1,3 mil judeus foram mortos e 200 foram feitos reféns”. “Sem se importar com as consequências” o Hamas foi a “shows de música, casas, kibutzim”, sabendo bem que haveria em seguida uma “tempestade de fogo” em Gaza. “A única entidade a ser culpada” por essa guerra, disse ele às almas perdidas de Cambridge, é “a liderança do Hamas”.
“A verdade moral”, disse Kirk, “é que existe um mocinho e existe um bandido”. “Esse é o senso moral de uma criança”, vociferou seu crítico, sob aplausos efusivos da assembleia de israelófobos pretensiosos. Então veio a tirada matadora de Charlie: “Uma criança que entende que Israel é o mocinho e o Hamas é o bandido tem muito mais sabedoria do que um estudante como você na Universidade de Cambridge”. Ele os ensinou uma lição. Era a lucidez moral em ação. Não deveria ser necessária a visita de um ativista americano para dizer a alguns dos jovens mais privilegiados e escolarizados da Grã-Bretanha que os islamofascistas que estupraram e assassinaram mulheres judias são os vilões — mas foi o que aconteceu.

É de causar enjoo ver a esquerda digital rosnar para a política de “extrema direita” de Kirk. Muitos de seus representantes foram além dos reclamões de Cambridge e, não só equipararam desonestamente o assassinato de judeus pelo Hamas à resistência judaica, como também celebraram abertamente o crime. É surreal ver esquerdistas que chamaram o mais sangrento massacre de judeus desde o Holocausto de “dia de celebração” rotularem Kirk de “extrema direita” porque ele achava imprudente submeter jovens lésbicas a mastectomias duplas. Kirk sendo difamado como nazista por pessoas com o triângulo vermelho do Hamas em suas biografias de redes sociais, que passaram dois anos chamando um pogrom de “resistência” e elogiando os Houthis que odeiam judeus, é demais para suportar.
Kirk, no final de sua vida demasiadamente curta, testemunhou algo extraordinário: os campi onde ele havia sido difamado como fascista foram tomados por fascismo real. Por uma israelofobia colérica que muitas vezes era apenas ódio a judeus disfarçado. Na Universidade de Columbia, eles chamavam o Estado Judeu de “a escória das nações” e “os porcos da Terra”. Estudantes judeus foram intimados a “voltar para a Polônia”. Na Universidade George Washington, eles disseram “glória aos nossos mártires”, referindo-se aos homens que acabaram de estuprar e assassinar mais de mil judeus. A Universidade da Pensilvânia admitiu que seu campus havia sucumbido à influência de uma animosidade fascista, que se manifestava na pichação de “suásticas e grafites com mensagens de ódio” nas dependências da universidade.

Imagine o que se passava na mente de Kirk enquanto o ódio woke aos judeus varria como uma praga os mesmos campi de onde ele havia sido cancelado por apoiar Trump e acreditar que homens não podem ser mulheres. Após 7 de outubro, o movimento “antifa(scista)” se tornou “fa(scista)”. Uma esquerda que se apresentava como antirracista deu desculpas para a carnificina racista de judeus. Coube a indivíduos ainda em posse de suas faculdades morais assumir a verdadeira posição antifascista e condenar a desumanização violenta do povo judeu pelo Hamas. Kirk foi um desses indivíduos. Eu não estou nem aí para as questões sobre as quais ele e eu divergíamos. Tudo o que importa é que, quando os fascistas voltaram para degolar judeus, a esquerda veio com desculpas, mas ele se opôs.
Não foi apenas a reverência da esquerda ao fascismo imaginário que ele denunciou — foi a da direita também. Ele se irritava com a direita maluca e sua adesão a teorias da conspiração mirabolantes sobre o Estado Judeu e o povo judeu. Ele lamentou aquela “turminha de extrema direita da internet” que quer “culpar os judeus por todos os seus problemas”. Isso é “demoníaco”, disse, e “não deve ser tolerado”. Essa é a ironia deformada da alegação de que Kirk era uma força “radicalizadora” de extrema direita. Na verdade, ele teve uma influência moderadora sobre a direita americana, ajudando a afastar principalmente os jovens da visão doentia de mundo de Nick Fuentes. Como agora afirma a Deutsche Welle, ele “se opunha a grupos neonazistas”.
Se pelo menos a mesma coisa pudesse ser dita da esquerda woke. Com muita frequência, seus membros estiveram em sintonia com neonazistas, em especial os que apoiam o Hamas. Kirk era um “amigo de Israel com coração de leão”. Ele também acreditava fervorosamente no poder do debate livre e aberto como forma de resolver nossos problemas. Seu assassinato impiedoso não rouba apenas um pai de seus dois filhos. Ele também priva o mundo de alguém que, nas duas questões-chave do nosso tempo — o futuro da nação judaica e o futuro da liberdade — conseguia ver as coisas com clareza.
Descanse em paz, Charlie.

Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast da Spiked, The Brendan O’Neill Show. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy
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Esses bandidos que estão no poder estão merecendo uma Arraia preta