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Charlie Kirk falando com participantes de evento da turnê "American Comeback Tour" da Universidade Estadual da Flórida em Landis Green, Tallahassee, Flórida, EUA (28/2/2025) | Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons
Edição 288

Charlie Kirk era mais antifascista do que a maioria da esquerda

Seu assassinato priva o mundo de alguém que, nas duas questões-chave do nosso tempo — o futuro da nação judaica e o futuro da liberdade — conseguia ver as coisas com clareza

Há alguns meses, um clipe do embate de Charlie Kirk com estudantes no clube de debates Cambridge Union circulou nas redes sociais. Ele mostrava Kirk confrontando um esquisitão afetado e inquieto, cujo cabelo ruivo bufante desafiava a gravidade. Qualquer um que já visitou Cambridge conhece bem esse tipo de garoto: woke, pomposo, com uma arrogância totalmente desproporcional ao seu intelecto. “Diga-me uma coisa: no conflito entre Israel e Hamas, quem é o mocinho?”, perguntou Kirk. Seu débil adversário se agitou, gaguejou e, finalmente, disse: “Tanto o Hamas quanto o governo israelense são perversos”, dando voz perfeita àquela pusilanimidade burguesa que falsamente se autodenomina “ativismo”.

Fui lembrado desse clipe hoje, enquanto canalhas, on-line, rotulavam Kirk de “nazista” após seu brutal assassinato em Utah. No esgoto da internet, o “sétimo círculo” do wokismo, eles celebraram abertamente o homicídio selvagem desse jovem pai de dois filhos. A esquerda convencional e a imprensa “liberal” foram mais cautelosas, apenas insinuando que Kirk era de “extrema direita” e não avesso a incitar animosidade ele próprio. Alunos da sociedade de debates Oxford Union — que ele também visitou em sua viagem ao Reino Unido — o chamaram de “influenciador de extrema direita” após sua morte. É uma matéria vergonhosa que poderia bem ter sido intitulada: “Fascista morre”.

O mais revoltante na difamação de Kirk, rotulado como um “criptonazista” (ou “nazista disfarçado”), é que, na verdade, ele era mais antifascista do que a maioria da esquerda. Seria absurdo, em qualquer circunstância, chamá-lo de “extrema direita”. Não é preciso concordar com ele — que era anti-aborto, pró-direito ao porte de armas, cético quanto às mudanças climáticas, preocupado com a imigração em massa, e que duvidava de que alguém com pênis poderia se considerar mulher — para reconhecer que todas as suas posições se enquadram no âmbito das opiniões legítimas. Milhões de americanos pensam assim. Mas a esquerda chamá-lo de “extrema direita” agora, neste momento pós-7 de outubro, depois de passar dois anos justificando o assassinato fascista de judeus enquanto Kirk se revoltava contra isso, é risível. É uma distorção sinistra da verdade.

Charlie Kirk falando com alunos na parada da turnê “Educar, Não Mandar”, da Universidade da Califórnia, Berkeley, no Sather Gate, em Berkeley, Califórnia, EUA (13/4/2022) | Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons

Kirk estava enfurecido com o pogrom de 7 de outubro. Naquele embate em Cambridge, com o estudante tão bem treinado no relativismo moral do campus moderno que sequer conseguia traçar uma distinção moral entre um exército neofascista e o Estado democrático que ele atacou, Kirk lembrou a seus críticos histéricos e hiperescolarizados o que aconteceu naquele dia. “Essa guerra começou”, disse ele, “porque 1,3 mil judeus foram mortos e 200 foram feitos reféns”. “Sem se importar com as consequências” o Hamas foi a “shows de música, casas, kibutzim”, sabendo bem que haveria em seguida uma “tempestade de fogo” em Gaza. “A única entidade a ser culpada” por essa guerra, disse ele às almas perdidas de Cambridge, é “a liderança do Hamas”.

“A verdade moral”, disse Kirk, “é que existe um mocinho e existe um bandido”. “Esse é o senso moral de uma criança”, vociferou seu crítico, sob aplausos efusivos da assembleia de israelófobos pretensiosos. Então veio a tirada matadora de Charlie: “Uma criança que entende que Israel é o mocinho e o Hamas é o bandido tem muito mais sabedoria do que um estudante como você na Universidade de Cambridge”. Ele os ensinou uma lição. Era a lucidez moral em ação. Não deveria ser necessária a visita de um ativista americano para dizer a alguns dos jovens mais privilegiados e escolarizados da Grã-Bretanha que os islamofascistas que estupraram e assassinaram mulheres judias são os vilões — mas foi o que aconteceu.

Kibutz Kfar Aza, na fronteira com a Faixa de Gaza, depois do ataque do Hamas em 7 de outubro. Militantes queimaram as casas, mataram e sequestraram israelenses (27/10/2023) | Foto: Roman Yanushevsky/Shutterstock

É de causar enjoo ver a esquerda digital rosnar para a política de “extrema direita” de Kirk. Muitos de seus representantes foram além dos reclamões de Cambridge e, não só equipararam desonestamente o assassinato de judeus pelo Hamas à resistência judaica, como também celebraram abertamente o crime. É surreal ver esquerdistas que chamaram o mais sangrento massacre de judeus desde o Holocausto de “dia de celebração” rotularem Kirk de “extrema direita” porque ele achava imprudente submeter jovens lésbicas a mastectomias duplas. Kirk sendo difamado como nazista por pessoas com o triângulo vermelho do Hamas em suas biografias de redes sociais, que passaram dois anos chamando um pogrom de “resistência” e elogiando os Houthis que odeiam judeus, é demais para suportar.

Kirk, no final de sua vida demasiadamente curta, testemunhou algo extraordinário: os campi onde ele havia sido difamado como fascista foram tomados por fascismo real. Por uma israelofobia colérica que muitas vezes era apenas ódio a judeus disfarçado. Na Universidade de Columbia, eles chamavam o Estado Judeu de “a escória das nações” e “os porcos da Terra”. Estudantes judeus foram intimados a “voltar para a Polônia”. Na Universidade George Washington, eles disseram “glória aos nossos mártires”, referindo-se aos homens que acabaram de estuprar e assassinar mais de mil judeus. A Universidade da Pensilvânia admitiu que seu campus havia sucumbido à influência de uma animosidade fascista, que se manifestava na pichação de “suásticas e grafites com mensagens de ódio” nas dependências da universidade.

Manifestantes acampam no campus da Universidade de Columbia para protestar em prol dos palestinos
Manifestantes acampam na Universidade de Columbia para protestar em prol dos palestinos. Trocaram os dizeres tradicionais por mensagens antissemitas como “Volte para a Polônia” e “10 mil vezes 7 de outubro”, na cidade de Nova York, EUA (19/04/2024) | Foto: Reuters/Caitlin Ochs

Imagine o que se passava na mente de Kirk enquanto o ódio woke aos judeus varria como uma praga os mesmos campi de onde ele havia sido cancelado por apoiar Trump e acreditar que homens não podem ser mulheres. Após 7 de outubro, o movimento “antifa(scista)” se tornou “fa(scista)”. Uma esquerda que se apresentava como antirracista deu desculpas para a carnificina racista de judeus. Coube a indivíduos ainda em posse de suas faculdades morais assumir a verdadeira posição antifascista e condenar a desumanização violenta do povo judeu pelo Hamas. Kirk foi um desses indivíduos. Eu não estou nem aí para as questões sobre as quais ele e eu divergíamos. Tudo o que importa é que, quando os fascistas voltaram para degolar judeus, a esquerda veio com desculpas, mas ele se opôs.

Não foi apenas a reverência da esquerda ao fascismo imaginário que ele denunciou — foi a da direita também. Ele se irritava com a direita maluca e sua adesão a teorias da conspiração mirabolantes sobre o Estado Judeu e o povo judeu. Ele lamentou aquela “turminha de extrema direita da internet” que quer “culpar os judeus por todos os seus problemas”. Isso é “demoníaco”, disse, e “não deve ser tolerado”. Essa é a ironia deformada da alegação de que Kirk era uma força “radicalizadora” de extrema direita. Na verdade, ele teve uma influência moderadora sobre a direita americana, ajudando a afastar principalmente os jovens da visão doentia de mundo de Nick Fuentes. Como agora afirma a Deutsche Welle, ele “se opunha a grupos neonazistas”.

Se pelo menos a mesma coisa pudesse ser dita da esquerda woke. Com muita frequência, seus membros estiveram em sintonia com neonazistas, em especial os que apoiam o Hamas. Kirk era um “amigo de Israel com coração de leão”. Ele também acreditava fervorosamente no poder do debate livre e aberto como forma de resolver nossos problemas. Seu assassinato impiedoso não rouba apenas um pai de seus dois filhos. Ele também priva o mundo de alguém que, nas duas questões-chave do nosso tempo — o futuro da nação judaica e o futuro da liberdade — conseguia ver as coisas com clareza. 

Descanse em paz, Charlie.

Charlie Kirk falando com participantes da parada da turnê “American Comeback Tour” da Universidade do Tennessee, em Knoxville, no HSS Lawn Amphitheatre em Knoxville, Tennessee, EUA (13/3/2025) | Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons

Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast da Spiked, The Brendan O’Neill Show. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy

Leia também “A verdade sobre Gaza que não nos contam”

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1 comentário
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Esses bandidos que estão no poder estão merecendo uma Arraia preta

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