A casa está uma bagunça? Chame Figure 03. Ou Neo. Neo e Figure 03 pertencem à primeira geração de robôs-faxineiros-mordomos. São projetos para um futuro distante? Não. O futuro, nesse caso, é o ano que vem.
Produzido pela empresa 1X, Neo já pode ser encomendado por US$ 20 mil (cerca de R$ 107 mil). A colunista de tecnologia do Wall Street Journal, Joanna Stern, passou um tempo experimentando a capacidade de Neo e conversou com um de seus criadores, o norueguês Bernt Børnich, fundador e CEO da 1X Technologies.
No vídeo produzido por Stern, ficamos sabendo que Neo vem todo “agasalhado” para dar uma aparência mais humana e menos assustadora. Seus braços e mãos foram planejados a partir da anatomia humana para que ele seja capaz de executar movimentos delicados e complexos.
O vídeo mostra que Neo ainda precisa de aperfeiçoamento. Para levar uma garrafa de água à jornalista, ele demorou mais de um minuto. Conseguiu colocar a louça na lavadora, mas teve dificuldade em fechar a porta — um processo que demorou 5 minutos.
O modelo testado por Stern não é o que será entregue para os compradores em 2026. Neo ainda é um protótipo e depende de um operador humano. Seu “cérebro” é operado por Inteligência Artificial e precisa acumular mais experiências reais para se tornar totalmente operacional.
Mesmo assim, Bernt Børnich, criador do Neo, deixou claro que o robô não será completamente autônomo. Ele deverá ser guiado por um operador remoto para fazer muitas das tarefas. Regiões da casa poderão ser limitadas para garantir que ele respeite a privacidade do usuário. Através de camadas de segurança, ele não poderá, por exemplo, lidar com objetos potencialmente ameaçadores — como muito pesados ou muito quentes.
Não é só a 1X que está produzindo robôs humanoides para uso doméstico. O astro da capa da revista Time é um modelo Figure 03 da startup Figure AI, empresa com valor calculado em US$ 39 bilhões. A Tesla tem seu projeto Optimus, a China tem o Unitree. Segundo a Time, dezenas de empresas estão desenvolvendo projetos nesse campo. Bett Adcock, CEO da Figure AI, avalia o potencial do mercado em US$ 40 trilhões.
Estamos naquele momento em que o futuro surge, ainda precário e imperfeito, em nossas vidas. Mas aponta para uma época em que teremos um ser artificial nos ajudando nas tarefas domésticas — varrer o chão, lavar e secar a louça, arrumar a cama, preparar o almoço, passar a roupa, limpar o banheiro etc. Vai ser uma grande mudança de comportamento. E vai provocar, inevitavelmente, medo de desemprego nessas áreas.
Mas, por enquanto, antes de 2026 chegar, o robô-criado-mordomo-faxineiro ainda é uma fantasia. Como foi a Rosie, que servia à família Jetson nas animações de Hanna-Barbera dos anos 1960.
A edição da revista Time descreve outras grandes invenções de 2025, geralmente voltadas para facilitar e incrementar nossa vida pessoal. Muitas delas já estão disponíveis no comércio.
A banana que não escurece
Bananas devem ser comidas rapidamente, especialmente depois de descascadas. Isso acontece porque a banana e outras frutas, como a maçã, contêm uma enzima chamada polifenol oxidase (ou PPO). É essa enzima que faz com que frutas como a maçã escureçam e se estraguem rapidamente depois de descascadas. A empresa britânica Tropic inventou um processo genético em que a ação da polifenol oxidase é retardada. Bananas e maçãs podem durar mais tempo, evitando que apodreçam e sejam desperdiçadas.
Anticoncepcional com conforto
Uma evolução nos métodos anticoncepcionais. O Miudella é um dispositivo intrauterino (DIU) de cobre misturado com uma liga de níquel e titânio que não usa hormônios. É menor que os DIUs convencionais, se adapta ao tamanho e formato de cada útero, e permite uma substituição do material com mais facilidade, evitando sangramentos e cólicas. Garante a prevenção à gravidez por três anos. (O Miudella provocou reações clínicas negativas em algumas das usuárias).
O tênis que cura
Este supertênis foi desenhado para ajudar o usuário a evitar e se recuperar de contusões, comprimindo e aquecendo o tornozelo e o calcanhar de Aquiles com o uso de um fluido interno. O tênis também gera calor para as partes necessitadas dos pés. O preço está ao redor de US$ 900 (cerca de R$ 4,8 mil).
Dispensando a tomografia computadorizada
Qualquer choque com a cabeça é considerado um alto risco para a saúde. Num jogo de futebol, por exemplo, quando dois jogadores chocam suas cabeças, a partida é imediatamente paralisada. Existe o perigo de formação de um coágulo. E, por enquanto, nenhuma conclusão pode ser tirada antes de uma tomografia computadorizada — que só pode ser realizada em alguns hospitais. O i-STAT-TBI, criado pela empresa Abbott, é um pequeno aparelho que facilita o diagnóstico analisando duas proteínas que são liberadas em caso de trauma. O teste com o sangue dura 15 minutos e pode ser feito no local do acidente.

Um cineasta particular

É o sonho de qualquer youtuber. A Hover é uma câmera que voa junto ao usuário, gravando tudo o que ele faz. A qualidade de imagem é 8K. Funciona como uma espécie de microdrone que acompanha o usuário e age autonomamente com tecnologia à base de inteligência artificial. Ou seja, voa, grava e dirige a filmagem ao mesmo tempo. Preço aproximado: US$ 700 (cerca de R$ 3,7 mil, fora os impostos, claro).
O chef automático
O primeiro “chef” à base de IA. Vai preparar uma sopa? A receita está num banco de dados da internet. O usuário coloca os ingredientes na máquina, aperta o botão e vai fazer o que quiser. A Posha mistura os ingredientes na medida certa e controla o tempo de cozimento. Se a câmara interna perceber que está secando, adiciona água automaticamente. No final, avisa que o prato está servido. Preço aproximado: US$ 1,5 mil (cerca de R$ 8 mil) mais uma assinatura mensal de US$ 15 (R$ 80) para receber receitas e atualizações.
O bombeiro preventivo
O sistema foi testado nos recentes incêndios que destruíram 12 mil residências na região de Los Angeles. O Frontline funciona assim: se o sensor detectar a proximidade de fogo, passa a espalhar água e espuma anti-incêndio por 20 minutos a cada hora ao redor da residência. Isso cria um perímetro de defesa, mesmo que não tenha ninguém dentro dela. Das 61 casas em Los Angeles equipadas com o Frontline Defense System 2, apenas duas foram afetadas pelo fogo.
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