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Em novembro de 1957, Laika se tornou o primeiro animal lançado na órbita da Terra, abrindo caminho para as viagens espaciais humanas nos anos seguintes. Esta fotografia mostra-a na cápsula do Sputnik 2 | Foto: Wikimedia Commons
Edição 295

Imagem da Semana: Laika em órbita da Terra

A triste história da cadela soviética que deu a vida pelo seu país em 1957

Laika era uma cachorrinha sem raça definida, dócil e que vagava pelas ruas movimentadas de Moscou. Se tornou celebridade ao ser selecionada para ser a ocupante da nave espacial soviética Sputnik 2, lançada no espaço sideral em 3 de novembro de 1957. Entrou para a história ao ser o primeiro ser vivo a orbitar a Terra. A União Soviética sabia que dificilmente Laika sobreviveria à missão. Eles não possuíam a tecnologia necessária para trazê-la de volta em segurança, mas o relato verdadeiro de sua morte foi distorcido por décadas.

A corrida espacial entre a União Soviética e os Estados Unidos estava acirrada. Depois do sucesso do Sputnik 1 — o primeiro satélite artificial da Terra, lançado em 4 de outubro de 1957 —, o líder soviético Nikita Khrushchev solicitou um novo lançamento espetacular que coincidisse com o 40º aniversário da Revolução Bolchevique, em 7 de novembro. O Sputnik 2, então, passou a ser a principal peça de propaganda do governo. Cientistas tiveram apenas quatro semanas para colocar um mamífero em órbita pela primeira vez. Tanto os Estados Unidos como a União Soviética já haviam enviado animais em voos suborbitais (em que a nave sobe ao espaço, acima dos 100 quilômetros de altitude, mas sua trajetória não é o suficiente para completar uma órbita ao redor da Terra). Logo, essa seria a primeira vez que um mamífero orbitaria o planeta.

Laika em treinamento, em Moscou (1957) | Foto: Wikimedia Common
Laika em treinamento, em Moscou (1957) | Foto: Wikimedia Common

Laika tinha 3 anos, pesava seis quilos e, ao longo de sua dura formação, aprendeu a aceitar ficar por um longo período de tempo em espaços confinados, foi treinada a comer um gel especial altamente nutritivo — que serviria como sua comida durante seu voo — e também foi colocada dentro de máquinas que estimulavam o ruído e a aceleração que ela iria experimentar durante o lançamento.

Pouco se sabia sobre os efeitos que um voo espacial poderia ter sobre seres vivos. Alguns cientistas acreditavam que humanos não resistiriam ao lançamento ou às condições do espaço sideral e, por isso, engenheiros viam os voos com animais como essenciais para a preparação de missões espaciais tripuladas no futuro.

Embora a missão tenha sido um marco para a exploração espacial, o governo soviético sustentou a farsa, por anos, de que Laika permaneceu viva por seis ou sete dias durante a missão e, então, foi sacrificada com comida envenenada antes que seu suprimento de oxigênio se esgotasse.

No entanto, foi apenas em 2002 que a verdadeira causa da morte de Laika foi revelada. Ela morreu algumas horas depois do lançamento, devido ao superaquecimento dentro da espaçonave e estresse extremo. Sua frequência cardíaca foi triplicada. Devido à intensa pressão política para fazer Sputnik 2 a tempo para a celebração do 40º aniversário da Revolução Bolchevique, os cientistas soviéticos não tiveram tempo suficiente para aperfeiçoar os sistemas de suporte à vida. O satélite com o corpo da passageira canina permaneceu em órbita por cinco meses e se desintegrou ao reentrar na atmosfera terrestre em 14 de abril de 1958.

Monumento em Moscou dedicado à cadela Laika, que foi a primeira a orbitar a Terra | Foto: Wikimedia Commons

O triste destino de Laika despertou compaixão em todo o mundo. Inúmeras homenagens foram feitas, desde filmes, histórias em quadrinhos, poesias até nome de banda inglesa. Em 2008, um pequeno monumento com uma estátua de Laika no topo de um foguete foi inaugurado em uma instalação de pesquisa militar em Moscou. Na época, não havia qualquer preocupação ou baliza moral diante da crueldade com os animais. A missão de Laika forneceu dados importantes para que, anos mais tarde, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin se tornasse o primeiro homem a viajar para o espaço, a bordo da nave Vostok 1. Gagarin deu uma volta ao redor do planeta no dia 12 de abril de 1961 e disse a famosa frase: “Vejo a Terra. Ela é azul.”


Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

Leia também “Imagem da Semana: o último sultão do Império Otomano”

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1 comentário
  1. José Antonio Braz Sola
    José Antonio Braz Sola

    Eu era criança e me lembro que a cadelinha virou uma heroína, sendo comum dar-se o seu nome a cadelas aqui no Brasil e no mundo todo..Foi sacrificada só por politicagem dos comunistas.

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