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Edição 297

O feirão da salvação

"Ouvi muito a palavra negacionista. Será que é algum código de etiqueta?"

— E aí, o que você achou de lá?

— Horrível. 

— Como assim?

— Muito ruim. Desagradável. Péssimo. 

— Que indelicadeza. 

— Sim, muita indelicadeza. E muita bagunça também. Além da falta de educação e da falta de respeito…

— Falei indelicadeza sua. 

— Minha? Por quê?

— Falar desse jeito agressivo da terra dos outros…

— Não estou sendo agressivo, nem estou julgando a terra de ninguém. Só estou falando de uma situação inóspita, de condições humanamente impróprias para se receber alguém. 

— Sinto um certo etnocentrismo na sua fala. 

— Sente o quê?

— Um sotaque etnocêntrico. É quando um povo se sente superior a outros. 

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— Você sente o que quiser. Eu só disse que me senti péssimo naquele lugar. 

— É assim mesmo. Quando o preconceito está introjetado, a pessoa nem percebe mais de onde vem o incômodo. 

— Preconceito contra banheiro sem água?

— Não é disso que eu estou falando. 

— Talvez então seja preconceito contra falta de comida. Ou contra teto furado. 

— Não tem jeito. Xenófobo em terra alheia sempre vai se conectar com a negatividade. A beleza de uma cultura que não é a sua o agride. 

— Vou te denunciar às cortes internacionais. 

— Agride mesmo. Aí você falou uma coisa certa. Agride inclusive com pedaço de pau. Veio até reclamação da matriz. E olha que o discurso deles é bem parecido com o seu. 

— Um dia você vai entender a diferença entre discurso e conhecimento. 

— Tomara. Só espero nesse dia não estar preso numa arapuca fantasiada de feirão da salvação. 

— Como você é arrogante. 

— Obrigado pela compreensão. 

— Cínico. 

— Alguma coisa se aprende numa cilada dessas. 

— Negacionista. 

— Ouvi muito essa palavra lá. Será que é algum código de etiqueta?

— Engraçadinho. 

— Você também é uma gracinha. 

— Fascista fdp. 

— Não tenho essa importância toda. 

— Vou te denunciar às cortes internacionais. 

— Boa sorte. Mas fala baixo. Se gritar, não fica um.

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3 comentários
  1. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Esse convescote petista ,onde só o dono e a patroa tinham regalias resvalou pelo mundo ,mostrando como é insalubre a região onde enfiam milhões de dólares de ajuda e vão parar nos bolsos de ONGs de políticos,não e Marina Silva? Ah ,esses Silva e da Silva são muito astutos. Marina mora em SP e o outro tb. Ninguém,abre 14 km de asfalto para delegações mas não se pode abrir estrada para o Pacífico nem explorar petróleo perto da china e Venezuela,onde há incomensurável quantidade. Coisas de Brasil.Ate Noruega explora no mar do Norte,imagina! E paga pra não destruir a Amazônia que não é nada perto dos oceanos.

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