No fim do ano passado, Oeste publicou uma capa com o título “Autópsia de uma farsa”. No subtítulo, a explicação: “O Supremo Tribunal Federal está impondo ao Brasil um estado de selvageria legal jamais visto nos seus 135 anos de existência como República. Monta, agora, um golpe em que as provas não são fatos, mas apenas os seus próprios desejos”.
Um ano depois, o Supremo Tribunal Federal permanece no topo da pauta de Oeste. Agora, no entanto, a imprensa velha — que viveu durante tanto tempo nessa “democracia que não existe” — parece começar a enxergar o que Oeste nunca deixou de ver. Depois da revelação das relações mais que suspeitas entre ministros da Corte, seus cônjuges e banqueiros larápios, as rachaduras internas do STF tornaram-se mais visíveis.
Na reportagem de capa desta edição, Cristyan Costa revela que a soma desses episódios aprofundou o desgaste em torno de Moraes. Ao menos cinco ministros passaram a tratá-lo como “foco recorrente de crise”, responsável por manter o Tribunal sob exposição permanente.
“O escandaloso caso do Banco Master, que contratou o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, por indecentes R$ 129 milhões, é a pá de cal na reputação do STF — pela cifra em si, pelo objeto vago do contrato e pelo silêncio do casal sobre o assunto”, afirma Eugênio Esber. A informação de que Moraes conversou com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, para tratar da situação do banco tem nome. “É lobby”, sintetiza Esber.
Apesar de tamanho descaramento, se depender do Congresso Nacional, os ministros podem continuar tranquilos. A reportagem de Sarah Peres deixa claro que, enquanto Hugo Motta presidir a Câmara e Davi Alcolumbre, o Senado, os parlamentares eleitos pelo povo continuarão a fazer o oposto do que o povo quer: eficiência para garantir recursos ao governo e ampliar o próprio poder orçamentário, mas lentidão diante de demandas populares como a anistia aos presos do 8 de janeiro, o fim do foro privilegiado, a limitação das decisões monocráticas do STF e a análise de pedidos de impeachment de ministros.
No apagar das luzes de 2025, a dupla abandonou o discurso de que “o brasileiro não aguenta mais pagar a conta do Estado” e aprovou um aumento de impostos em troca de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares no Orçamento de 2026. Enquanto distribui parte do dinheiro dos pagadores de impostos aos congressistas, Lula gasta outra parte em infinitas viagens internacionais, como mostra a reportagem de Rachel Diaz. Só este ano o presidente passou 52 dias fora do país, em 20 deslocamentos — o equivalente a uma saída do Brasil a cada 18 dias. A comitiva de 200 pessoas que o acompanhou ao Japão e ao Vietnã, por exemplo, custou mais de R$ 4,5 milhões aos cofres públicos, sem contar os gastos mantidos sob sigilo.
Uma das figurinhas carimbadas nessas viagens é o fotógrafo Ricardo Stuckert. Seu perfil, assinado por Erich Mafra, retrata o homem que, desde o primeiro mandato de Lula, cuida para que o presidente apareça bem na foto — e deixe de aparecer muito mal em outras. Foi ele que interrompeu a filmagem do momento em que Lula e Moraes conversavam ao pé do ouvido no lançamento do canal SBT News.
Diante de tantas cenas esdrúxulas, Alexandre Garcia recorre ao Barão de Itararé: “Ou se restaura a moralidade, ou nos afundamos como civilização.” Até aqui, o país segue em velocidade acelerada rumo ao precipício. A Oeste espera que as imoralidades do STF não precisem voltar a estampar a capa da revista no final de 2026.
Boas festas e boa leitura.
Branca Nunes,
Diretora de redação

Parabéns revistas
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O um Oeste vá em frente.c o seu trabalho
Ainda nenhum esclarecimento sobre a demissão do Silvio Navarro. Nós, assinantes, estamos aguardando.
Parabéns, Revista Oeste! 👏👏👏👏
Parabéns Branca Nunes pela edição de mais uma capa história da Revista Oeste. Meus sinceros cumprimentos a equipe da Oste e seu jornalismo de excelência .
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