Trump e Maduro deram uma pequena folga a Vorcaro, mas ele está de volta, como mestre na conquista de corações e mentes que não resistem a bons presentes. E a Polícia Federal, que já investiga a venda — e compra pelo BRB — de uma carteira com R$ 12 bilhões de créditos fajutos, agora vai se ocupar com influenciadores que foram contratados por polpudas somas para pressionar o Banco Central e disseminar entre seus milhões de seguidores dúvidas sobre a liquidação do Master. Muito saudável isso. Porque é começar pelos menores. Quem sabe, depois, continuar investigando, muito além das redes sociais, todos os que, com relações políticas ou institucionais com Vorcaro, receberam alguma coisa para pressionar o Banco Central a favor do Master.
Malu Gaspar conta agora em O Globo que houve contratos menos valiosos que aquele de R$ 3,6 milhões mensais. Até um especialista em hipnose — que ironia — investe contra o Banco Central em mensagem para seus 4 milhões de seguidores. Uma investigação da PF seria muito produtiva para desvendar no Master a transparência e a publicidade de que fala o art. 37 da Constituição, e que Toffoli cobriu com sigilo. Por coincidência, os argumentos dos influenciadores pagos pelo Master são os mesmos argumentos expressos pelo ministro do TCU, Jhonatan de Jesus. Como o sapateiro que foi além da sandália, esse Jhonatan chegou a dar 72 horas para o Banco Central explicar a pressa na liquidação, quando a queixa geral é de que teria havido demora.

Nesses 55 anos de jornalismo, cobri muitas liquidações, mas nunca vi uma como esta. Inclusive de bancos ligados a gente poderosa, em tempo em que o Banco Central tem a autonomia de hoje. O Banco Econômico era ligado a Antônio Carlos Magalhães, todo-poderoso governador da Bahia, presidente do Senado, presidido por Ângelo Calmon de Sá, ministro da Indústria e Comércio de Geisel — e foi liquidado sem pressões. O Banco Nacional era de Magalhães Pinto, governador de Minas, líder civil da Revolução, presidente do Senado — e foi liquidado sem pressões. O Bamerindus era do ministro da Indústria e Comércio de Itamar, José Eduardo Andrade Vieira, e foi liquidado sem pressões. Mas o banco de Vorcaro, o patrocinador de eventos, o fornecedor de jatinhos, o contratador de escritórios de advocacia caríssimos, tem um milhão de amigos.
Vorcaro derrubou todo o fingimento; parece ter sido um enviado para desnudar sepulcros caiados.
Tem até na Comissão de Valores Mobiliários. O Diário Oficial acaba de publicar a indicação de Lula para a presidência da CVM, Otto Lobo, e a página de opinião da Folha de S. Paulo já nos informa que ele brecou decisões que desfavoreceriam o banco de Vorcaro, e que Lula o escolheu pressionado por senadores que vão sabatiná-lo. Esse Vorcaro que contratou influenciadores é, ele próprio, um grande influenciador que identifica os que têm mais poder — inclusive poder de hipnose. Só não conseguiram hipnotizar o diretor de fiscalização do Banco Central, mesmo na tentativa de acareação.

A PF não vai ficar só. A oposição já tem assinaturas suficientes de deputados e senadores para uma CPI mista do Master. Absolutamente necessária, porque é o maior escândalo financeiro dos nossos tempos. Vai levar R$ 41 bilhões do Fundo Garantidor. A quebra do Bamerindus — um banco bem mais presente que o Master — tomou, em números atuais, bem menos que a metade disso. A PF já investiga os R$ 12 bilhões de créditos fajutos que o BRB estava comprando; uma CPI certamente buscará explicações para saber como o Legislativo do Distrito Federal autorizou isso numa votação de 14 a 7. Afinal, polícia e CPI trabalham juntas. Agora a PF investiga as ligações do Lulinha com o Careca do INSS, outro provedor pródigo.
O que assusta é a promiscuidade. Como se misturam os interesses e se vendem e compram pessoas como se fossem passes de jogador de futebol. Vestir a camisa do Master foi considerado um bom investimento, mas tinha que garantir bola na rede e juiz no mesmo time. Ética fica apenas para mostrar um código no papel, para afastar suspeitas e fingir-se de “reputação ilibada”. Vorcaro derrubou todo o fingimento; parece ter sido um enviado para desnudar sepulcros caiados. Isso que a Polícia Federal está a investigar, e que uma CPI pretende demonstrar, já está claro a partir do nosso terceiro neurônio; é só estender a visão sobre esse vale povoado pelos escravos de Vorcaro, ao pé do Armagedom. Se Toffoli permitir e os arquivos do celular de Vorcaro forem conhecidos, será uma nova caixa de Pandora.

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Esse governador de Brasília era pobre e enricou advogando contra a nação, achou pouco, tá macomunado com Vorcaro. Quando é que vão fuzilar esses caras ??????
Pois que se abra a caixa de Pandora. Quem sabe a própria Pandora com sua esperança na caixa, nos esclareça quanto ganhou por fora os investidores de bilhões em um banco que o mercado todo sabia que não era flor para cheirar.