Comentei recentemente uma contribuição do Agro através da Escola de Música de Nova Mutum, em Mato Grosso. Mas o Agro tem inúmeras outras ligações com a música. As orquestras têm desempenhado um importante papel social, artístico e até mesmo civilizador em nossa sociedade.
Dentre os seus instrumentos, um dos mais fascinantes é o violino. Ele faz parte da família dos instrumentos de cordas friccionadas, juntamente com a viola (erudita), o violoncelo e o contrabaixo (de arco). O violino é fascinante, cheio de segredos e curiosidades para explorar.

O arco do violino possui fundamental importância, pois permite a produção contínua de som e, ao mesmo tempo, torna possível variar sua intensidade e duração. Com o arco do violino, o músico realiza diversas nuances, acentuações e articulações que permitem produzir sonoridades específicas. Esse trunfo teria contribuído para mantê-lo em posição de destaque ao longo de séculos.
Mas há um detalhe em sua composição que poucos conhecem: o pau-brasil. Sim, o pau-brasil é considerado um dos melhores (se não o melhor) tipos de madeira para fazer arcos de violino graças às características de peso e elasticidade, que proporcionam controle e vibração ideais para o instrumento. Historicamente, é a madeira mais utilizada para a confecção de arcos profissionais.

Essa madeira brasileira proporciona imbatíveis qualidades sonoras ao instrumento, conferindo ao arco características únicas de vibração, permitindo maior precisão e uma sonoridade mais rica e potente. Além disso, o pau-brasil possui peso e espessura ideais que garantem o controle e a estabilidade que os músicos precisam durante a execução. Desse modo, o pau-brasil se tornou há séculos a madeira tradicionalmente preferida na fabricação de arcos profissionais.
Previsivelmente, o Ministério do Meio Ambiente recaiu na “vetocracia”. Esses burocratas são portadores de uma compulsiva oposição a tudo que dá certo no Brasil, ou pode projetar o país no cenário global como importante fornecedor de algum produto.
O resultado é que estamos criando mais uma inútil e imensa controvérsia ambiental. Por tratar-se de uma árvore ameaçada de extinção, o comércio do pau-brasil para essa finalidade tem sido alvo de restrições. Já houve várias manifestações de associações internacionais ou renomados artistas, inquietos com a eventual proibição do uso dessa madeira.

A solução está no uso sustentável do pau-brasil reflorestado. Isso em nada prejudica o meio ambiente ou ameaça a sobrevivência da nobre madeira que deu nome ao país.
A música não pode ser privada do belíssimo som produzido por violinos com seus arcos de pau-brasil.
Antonio Cabrera é veterinário com pós-graduação em produção animal e presidente do Grupo Cabrera, que atua no agronegócio. Foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária no governo Fernando Collor e ex-secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de SP durante a gestão Mário Covas. Atualmente, é titular da Sociedade Nacional de Agricultura e membro de várias entidades nacionais e internacionais, além de cônsul honorário da Espanha. Ele está no LinkedIn: Antonio Cabrera
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Grande Antônio Cabrera nosso conterrâneo e agora dando sua luz na Oeste.. A agricultura deve e precisa de você
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A tecnocrcia tupiniquim consegue piorar tudo que represente avanços.
Sabemos que existe muito contrabando desta nobre madeira, mas a solução não é limitar ou proibir o seu uso.