Em viagem recente ao Rio Grande do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que 2026 será o ano da “colheita” de seus primeiros três anos do mandato atual. É curioso porque ele já havia prometido o mesmo em 2024 e 2025 e não entregou nada de bom. A estiagem de ideias e ações reais, a completa ausência de gente com capacidade de fazer no Palácio do Planalto e nos quase 40 ministérios, um recorde na fábrica de cargos para apaniguados do PT, resultaram em terra arrasada para os brasileiros. O terceiro ano de mandato de Lula é uma mistura caótica de incompetência administrativa, retrocesso econômico no estilo Dilma e novos escândalos. Como só pensa em eleição, Lula também anunciou, no eterno palanque da verborragia sem fim, que quer comparar seu governo às gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Será uma comparação interessante. Temer e Bolsonaro foram os presidentes responsáveis por recuperar o Brasil da tragédia petista que, durante os 13 anos de Lula e Dilma no poder, produziu o Mensalão, o Petrolão, rombos bilionários nas estatais, uma máquina de governo cara e ineficiente e a maior recessão econômica de nossa história, em 2015 e 2016.

Em termos práticos e palanqueiros, Lula quer ressuscitar o indigente “nós contra eles”, que produziu a mais falsa narrativa de polarização política no Brasil. Em política, sempre há lados opostos no pensamento. Quando legítimos, apenas apresentam caminhos diferentes para se chegar ao mesmo lugar: o interesse público, a defesa do país e a geração de bem-estar social sustentável. A melhor definição do estratagema lulista, mais uma manipulação ardilosa, é retrocesso. Porque, no fim, como o Brasil já percebeu, a polarização atual é entre os brasileiros que plantam e os gafanhotos. Lula e o PT foram contra a Constituição, o Plano Real e a responsabilidade fiscal. Por outro lado, beneficiaram-se de tudo isso num primeiro momento e destruíram logo depois. Nada resiste ao PT no poder. A Petrobras foi criada por Getúlio Vargas. O lulopetismo enterrou a petroleira orgulho nacional em dívidas e corrupção. Austeridade fiscal? Hoje é déficit crescente com gastança desenfreada. Moralidade pública? Começou com a tentativa do “Arrozão”, em plena tragédia do Rio Grande do Sul, e está na mira da CPMI do INSS, num caso ardiloso de roubo de aposentados por entidades historicamente ligadas ao PT e de notória omissão do governo. Nem a imagem positiva da tradicional diplomacia brasileira foi poupada. A proximidade de Lula com ditaduras como a venezuelana e a falsa equivalência que ele defendeu entre a Rússia invasora e a Ucrânia invadida, o que na prática culpa injustamente os ucranianos pela guerra, já haviam afastado o país do papel de mediador que sempre teve. Mas os elogios do grupo terrorista Hamas a Lula, e as declarações do presidente brasileiro sobre o conflito, todas contra Israel, que apenas reagia aos horrendos ataques do 7 de outubro — centenas de civis foram mortos ou sequestrados por terroristas que invadiram o solo israelense —, foram a pá de cal na imagem do Itamaraty e no legado de Oswaldo Aranha, o brasileiro que presidiu a histórica sessão da ONU que criou o Estado de Israel e a Palestina. Retrocesso. É disso que se trata.
Um escândalo como o do Banco Master, que pode fazer desmoronar a República, não surge por acaso. Não em ambientes verdadeiramente democráticos.
Na vida do Brasil que trabalha e produz, Lula 3 voltou a ser um peso. De novo, escolheram o caminho contrário do que se vinha fazendo. No curto governo Temer, a Reforma Trabalhista modernizou e simplificou a contratação de mão de obra. A implementação do Teto de Gastos deu um necessário e urgente cavalo de pau no gasto público desenfreado herdado de Dilma em respeito ao suado dinheiro do pagador de impostos. Fato é que a repercussão de uma gestão que começava a tirar o Brasil do buraco petista foi imediata e o país voltou a subir no ranking Doing Business, uma classificação do Banco Mundial que aponta os melhores países para se investir. A sequência de quatro anos do governo Bolsonaro, com a economia sob o comando do ministro Paulo Guedes, promoveu a Reforma da Previdência (com inédito e amplo apoio popular), reduziu ainda mais o tamanho da máquina, aumentou a eficiência administrativa, controlou a dívida pública — apesar da pandemia — e conseguiu entregar o governo com superávit primário de R$ 54 bilhões, em 2022, depois de oito anos seguidos de déficits. A MP da Liberdade Econômica e decretos administrativos extinguiram ou revogaram dezenas de milhares de normas obsoletas, o que simplificou a concessão de licenças para negócios de baixo risco e fez o Brasil ser um dos principais destinos de investimentos estrangeiros no mundo. A segurança jurídica e o ambiente favorável aos negócios estavam de volta. E, no mesmo ano de 2022, quando a invasão russa na Ucrânia gerou uma crise sem precedentes do petróleo, provocando desabastecimento e inflação global de energia, o governo Bolsonaro inovou: zerou impostos federais e conseguiu aprovar no Congresso a redução do ICMS dos combustíveis. A rápida recuperação da economia brasileira, em meio à crise internacional, aumentou a arrecadação federal e dos Estados, apesar da redução de impostos, e chamou a atenção do mundo. Com uma gestão responsável, o Brasil se preparava para entrar na OCDE que, muito mais que fazer parte do seleto grupo das nações ricas, exige práticas rígidas de austeridade fiscal, índices de educação e saúde mais elevados, ambiente favorável e segurança para o investidor e compliance na gestão pública.

Lula veio e, em três anos, arrebentou as contas públicas, produzindo o maior endividamento de nossa história. Deve chegar ao final do mandato com mais de 80% na relação Dívida Pública em ritmo crescente. Com Bolsonaro, o Brasil registrou 71,7% em 2022, recuando no endividamento. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o executor da pífia gestão econômica do governo Lula 3, ganhou a alcunha de “Taxad”. Não por acaso. Em nome do chefe, editou 27 medidas que criaram novos impostos, aumentaram alíquotas ou revogaram isenções ou benefícios tributários que resultaram na maior carga tributária de nossa história. Como legado, deixará a Reforma Tributária, um emaranhado de normas que sequer conseguiu simplificar de fato o manicômio tributário nacional e cujo texto final, que começou a ser aplicado neste ano como teste, terá de ser obrigatoriamente revisto pelo próximo governo. O governo atual apoiou uma reforma que estabelece as normas de arrecadação de impostos sem antes fazer uma reforma administrativa que reduzisse o custo da máquina pública ou que, no mínimo, revelasse quanto o governo custa de fato ao cidadão brasileiro. É ausência completa de um mínimo de lógica.

Mas o quadro é ainda mais absurdo. Beneficiado pelas reformas e por gestões responsáveis de seus antecessores, que atraíram investimentos, o governo Lula tem batido recorde de arrecadação. E mesmo com o mundo soprando a favor — sem pandemia ou guerras com impacto econômico — Lula dobra a aposta no gasto sem eficiência, em ampliação de benefícios sociais, bolsas e novos programas assistencialistas. Não poupa, não constrói, não prepara o país para o futuro com investimentos em educação profissional de qualidade e infraestrutura operacional. É só populismo fiscal na sua forma mais bruta, evidenciado ainda mais em ano eleitoral.
Só nos programas sociais de transferência direta de renda, são mais de 60 milhões de pessoas que dependem diretamente de algum tipo de ajuda, seja o Bolsa Família, o Pé-de-Meia (para jovens no ensino médio) ou o Gás do Povo. Os programas se sobrepõem e, com baixa taxa de saída, geram dependência. O desvirtuamento de programas de Estado sérios, que combatiam a desigualdade de fato, herdados pelo PT e transformados em qualquer coisa com cunho eleitoral, é atroz. O Bolsa Família, por exemplo, nasceu como o Renda Mínima na gestão do prefeito Magalhães Teixeira, em Campinas, interior de São Paulo. No programa original, depois transformado em nacional na gestão de Fernando Henrique Cardoso, a renda era oferecida à família em troca de manter seus filhos na escola com frequência e aproveitamento monitorados por professores e assistentes sociais. Uma vez educada e com o país crescendo, aquela família não dependeria mais de ajuda governamental em apenas uma geração. Nos primeiros governos Lula, virou Bolsa Família e a exigência de manter os filhos na escola foi abandonada ou flexibilizada. Fecharam a porta de saída e abriram a exploração do pobre em troca de voto.

Muito além de destruir conquistas de outros governos, de gerar uma dívida bruta recorde que já superou os R$ 10 trilhões — e que terá de ser paga justamente por quem é mais jovem —, de transformar as estatais novamente em cabides de emprego e empresas ineficientes (rombo de mais de R$ 20 bilhões — ênfase nos Correios — depois de lucro de R$ 24 bilhões sob Bolsonaro), e de trazer de volta os escândalos de corrupção, o fato novo deste terceiro mandato de Lula tende a ser ainda mais grave: a completa corrosão das instituições. O consórcio entre Lula e o STF empurrou, à força ou sob gordos patrocínios da Secom, a falácia do “estamos salvando a democracia”. Na prática, foi o oposto. Perseguição implacável de opositores políticos, atropelo de direitos fundamentais e a instituição da insegurança jurídica como regra. Tudo depende do STF, às vezes apenas de um ministro aliado ao Planalto, que julga como bem entende. O governo de Lula e da deslumbrada primeira-dama Janja é protegido; os presidentes do Congresso, coagidos; a oposição, amordaçada. O consórcio entre Lula e o STF, que começou na famigerada tese do CEP que libertou Lula da prisão em Curitiba, depois de condenação em três instâncias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e sepultou a Lava Jato, é hoje a maior ameaça à democracia e à Constituição. É uma ameaça ao Brasil e aos brasileiros. Porque um escândalo como o do Banco Master, que pode fazer desmoronar a República, não surge por acaso. Não em ambientes verdadeiramente democráticos. Nesses, as leis são para todos.
Leia também “No fim e no começo de tudo, é a economia”



Excellent! Acompanho o trabalho de Adalberto Piotto desde o ótimo programa de economia que ela tinha na TV Brasil (naquela época este emissora estava de fato se modernizando e ganhando audiência). Ultimamente tenho dito pelas universidades que não basta apenas ler um extraordinário conteúdo; temos que fazer com que o mesmo chegue à grande maioria da população. O Grupo Oeste de Comunicação tem que atuar em todas as vertentes (Rádio, TV, jornais, revistas impressas e digitais, youtube, streaming diversos) somente desta forma esta nação realmente saberá do que verdadeiramente anda acontecendo neste país. E pra que isso aconteça, devemos falar da Revista Oeste a todos os nossos amigos, parentes, familiares, amigas e etc e tal. Parabéns pelo excelente artigo. Ler neste país já é uma dádiva; escrever muito mais que isso. Análise de cenário e descrição da verdade em meio ao caos não é algo fácil de fazer. Valeu nobre Adalberto Piotto!
Boa dia, o Michel temer é um traidor do Brasil.
A conclusão simplista que se chega, que Lula foi programado por quem ele próprio colocou no STF, para permitir que seu retorno da cadeia, todas as fraudes bilionárias de enriquecimento ilícito, fossem permitidas sob a luz da legalidade e sob a justificativa da ideologia socialista em beneficio do povo oprimido sem voz. Os fins justificariam os meios ilegais.
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Perfeita análise dos fatos. É preocupante, que os apoiadores do Lula, pelo menos os que acreditamos serem um pouco menos medíocres, não consigam enchergar o óbvio.
Os ditos programas sociais, são na verdade, um programa de manipulação e doutrinação das massas de miseráveis desinformados, servis e pedintes.
A acomodação do povo, que se ccobte ra com migalhas, é a força principal que manrwm esse ciclo visioso de ccompra de botos em troca de benesses e pão com mortadela.
Como disse Milló Fernandes, “é o túnel no fim da luz”.
Fala do Boulos, ele é ministro de assuntos políticos mas não aparece nesse artigo.
Um país de bandidos ladrões comunistas narcotraficantes assassinos, terroristas aliados a Irã Venezuela, Colômbia, Rússia, China, e Lula e o PT, psol, PSB, PC do B, e os partidos do centrão e a justiça cassando todo político decente, prendendo cidadãos e soltando criminosos, só acaba se colocar todos numa vala jogar gasolina e tocar fogo
Parabéns Adalberto Piotto, pela matéria, pelo relato na linha do tempo deste abuso que o Brasil vive hoje. A memória é faculdade do esquecimento, mas você Piotto, não nos deixa esquecer do esquema montando para tomar o poder do povo…abraço
Artigo perfeito. Governo da roubalheira e da incompetência, apoiado por um Supremo atolado em um lamaçal.
$enado inoperante !
Excelente artigo. Faltou falar da censura à liberdade de expressão, da ditadura da toga e do jornazismo militante canhota da velha imprensa
O escândalo do banco Master não pode fazer a república desmoronar. Ela já ruiu há muitos anos.
Perfeito. Um artigo para emoldurar.