O Master trouxe a última gota, que fez o cálice transbordar. A primeira foi no julgamento de Dilma, há dez anos, quando o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, improvisou uma emenda ad hoc na Constituição, para que a condenada não recebesse a punição de oito anos sem função pública prevista no parágrafo único do art. 52. Lewandowski e o presidente do Senado, Renan Calheiros, inventaram uma segunda votação, para saber se ela deveria ser punida como manda a Constituição, para o que deveria haver 54 votos dos 81 senadores, ou seja, dois terços. O truque funcionou, porque os favoráveis à Constituição foram 42 — e Dilma pode ser candidata ao Senado por Minas Gerais, à revelia da Constituição. Ficou em quarto lugar, e o eleitor mineiro corrigiu o grave golpe dado na Constituição e na cara do brasileiro.
Em junho de 2018, o Supremo contrariou a vontade da maioria dos representantes do povo e derrubou, por 8 a 2, o comprovante impresso do voto eletrônico, que Dilma havia vetado — o veto presidencial havia sido derrubado por 71% do Congresso em fins de 2015. No ano eleitoral, o Supremo derrubou. Oito ministros tiveram mais peso que 424 deputados e 56 senadores. Alegaram que havia risco para o sigilo do voto, embora o comprovante não identificasse o eleitor. O Supremo passou a gostar de corrigir os representantes do povo e a corrigir a Constituição.

Depois foi Toffoli, na presidência do Supremo, que seguiu o mau exemplo de Lewandowski e inventou um inquérito sem Ministério Público, contrariando a Constituição no art. 127. E ainda nomeou o relator — Moraes — sem obedecer à norma do sorteio. O ministro Marco Aurélio Mello batizou de “Inquérito do Fim do Mundo”. Já dura sete anos. Serviu para tudo. Foi usado para defender os ministros do Supremo, isto é, as supostas vítimas é que iniciaram o inquérito. A começar pelo próprio Toffoli, o “amigo do amigo do meu pai”, exposto na Crusoé, bloqueada. E foram investigados os auditores fiscais do Coaf que investigavam movimentações financeiras suspeitas de mulheres dos ministros que brilham em suas advocacias.
A mídia percebeu que o “Inquérito do Fim do Mundo” era para atrapalhar o governo Bolsonaro e contra a direita; aí, abriu mão do seu dever de denunciar a ilegalidade e aderiu ao Supremo, como uma confraria. Foram tempos de anulação da esperança do brasileiro em acabar com a impunidade pelo marco que era a Lava Jato. O mito de que o Mito era golpista foi implantado pela grande mídia e era o que o Supremo também acreditava, para justificar o arbítrio. O Mito foi impedido de fazer nomeação de sua exclusiva alçada e Ramagem não pode ser diretor da PF. O indulto, da exclusiva alçada presidencial, para Daniel Silveira foi também cancelado. Ilegalidades com aplausos da grande mídia.
A pandemia foi o teste para mostrar o poder supremo, acima da Constituição. Enquanto a mídia paralisava o raciocínio do povo, mostrando covas abertas à espera dos desobedientes, o Supremo operava poder que não tinha e o transferia para quem o tinha ainda menos. Os direitos constitucionais de reunião sem armas, de locomoção, de acesso ao trabalho eram entregues pelo Supremo ao arbítrio dos prefeitos. Prisões ilegais eram realizadas contra pessoas que não podiam deixar de trabalhar para ter renda. Tomar sol e vitamina D, respirar ar puro em praças e praias era prisão em flagrante. Mas a polícia não podia subir os morros em busca de traficantes, armas e drogas, por decisão de Fachin, depois endossada pelo plenário. O tribunal se firmava como protetor supremo do Brasil.
O Supremo, então, golpeou a Lava Jato. O juiz Sérgio Moro e o promotor Deltan Dallagnol foram desgraçados. Em 2021, Fachin aproveitou um pedido de habeas corpus para Lula e descobriu que o CEP dos processos estava errado; não era Curitiba, mas São Paulo e Brasília. E anulou todas as condenações de Lula — o triplex do Guarujá, o sítio de Atibaia e as ações do Instituto Lula. No costume do Direito, em ação que já tivesse passado para instância revisora e com condenado cumprindo pena, não se mexe. Mas os processos de Lula teriam que começar do zero, em Brasília e São Paulo. E uma lavanderia suprema limpou a ficha suja e Lula pôde ser candidato e presidente. Toffoli não ficou atrás e passou tira-manchas nas multas da JBS, a despeito do acordo de delação premiada de Joesley.

Quando foi a vez de Cármen Lúcia assumir a presidência, ela avisou: “Cala-boca já morreu!”. Mas, nada como o tempo para passar. Diante de uma reportagem de Oeste sobre a facada em Bolsonaro, ela achou que poderia atrapalhar a eleição e ressuscitou o “cala-boca”, só mais uma vez. A Oeste também foi alvo da “criatividade” sugerida à equipe de Moraes no TSE, que agia como censora de um dos lados na campanha eleitoral. Havia um órgão estranho no ninho da Justiça Eleitoral. Mas o investigado foi Tagliaferro, que cumpria esse tipo de ordens. A ministra ainda contrariou seu discurso de posse ao votar pelo controle das redes contra “213 milhões de pequenos tiranos soberanos”. Ironizou a Constituição, que estabelece: “Todo poder emana do povo”.
O Supremo desabrochou, enfim, com Barroso na presidência, pregando abertamente a conversão de órgão técnico constitucional para tribunal político. O ativismo e a militância expostos sem disfarces. “Nós derrotamos o bolsonarismo”, diante da UNE, é o símbolo do grau de militância. Barroso foi embora com medo da Magnitsky, que já atingira o vizinho. Cancelarem o visto para entrar no país amado fora o sinal. Ele saiu e Lula indicou Jorge Messias, sem ligar para a exigência de notável saber jurídico de alguém que nem notável era, pois chegaram a pensar que o desconhecido se chamasse Bessias.

O “Inquérito do Fim do Mundo” fez de Moraes vítima, investigador, promotor, juiz e executor — e a maioria do Supremo endossando, temendo efeito dominó. O medo de Pacheco e Alcolumbre manteve inertes dezenas de requerimentos de impeachment, o que agravou e estimulou o arbítrio, as inconstitucionalidades e os desrespeitos ao devido processo legal. Gente sem o menor indício de foro privilegiado foi parar no Supremo, sem recurso acima do tribunal condenador, sem tribunal revisor — portanto, sem ampla defesa. Manifestantes do 8 de janeiro foram condenados como golpistas armados. E, enfim, o Supremo pegou Bolsonaro.
Aí, esse fecho de vitória para o Supremo foi sua desgraça. Fechou-se também em si, perdendo a cumplicidade da mídia. A maioria da mídia queria pegar a direita e Bolsonaro, em geral, como uma vingança ideológica pelo 1964. Satisfez-se. E descobriu que, pela militância, havia perdido audiência e assinantes. Sentiu que precisava voltar a fazer jornalismo, denunciar ilegalidades, espertezas, arbítrio, injustiças. E agora o presidente Fachin acha que está havendo uma conspiração da mídia contra o Supremo. Estavam associados só por causa de Bolsonaro. A grande mídia já não precisa defender a democracia contra os que praticavam atos antidemocráticos nas manifestações de direita. Bolsonaro, o perigo financeiro para a mídia da verba publicitária e o inimigo do Supremo, agora está doente da facada, com 70 anos, e preso com 27 anos de condenação.
O perigo, descobriram, é o Supremo que tolhe liberdades constitucionais e tem promiscuidade com Vorcaro. O Supremo, agora, ainda tem a gratidão de Lula, o medo de congressistas investigados e o apoio das famílias das bancas de advocacia. Dessas, até o Kakay já reclamou. Alguns pensavam que Trump iria contribuir para pôr o Supremo nos trilhos da impessoalidade, moralidade, publicidade, reputação ilibada. Mas o que se vê é que Vorcaro causa uma tempestade maior que a suspensão dos vistos. E, ao contrário do que Fachin disse, o mal do Supremo não está fora, mas dentro.
“Ou nos autolimitamos, ou poderá haver limitação de um poder externo” — desabafou (ou se aconselhou) o presidente do STF. Será que ele desconhece o óbvio, que o Supremo está limitado pela Constituição? A Constituição existe exatamente para limitar os poderes dos integrantes do Estado. Só a suprema arrogância pode imaginar que os limites dos ministros do Supremo sejam estabelecidos por eles próprios. Numa entrevista, Fachin afirmou que, se um impeachment avançasse, “seria uma crise institucional muito grave”. Como assim, se o impeachment está previsto na Constituição? Fazer o que está previsto na Constituição é a normalidade, não a crise. Crise é quando a Constituição afirma que “não haverá juízo ou tribunal de exceção” e não é obedecida.
Agora isso tudo se acumulou e transbordou o cálice numa tempestade de água como a que batizou a caminhada de Nikolas, motivada pela injustiça e pela corrupção. O deputado sentiu que não podia sair de Paracatu sem um gesto e, ao caminhar, foi fazendo um caminho. Sob tempestades de chuva, ventos e raios, acordando a cidadania.
Em tempos de falta de princípios, a tempestade sobre o Supremo já confunde os que não conseguem ser mais fortes que os fatos. Fachin tentou o paliativo de um código de conduta, como se já não estivesse tudo na Constituição. A OAB de São Paulo quis contribuir, mas ao sugerir um código de ética, desnudou tudo aquilo que falta para alguns ministros do Supremo, a fim de que a instituição seja resgatada da descrença. Mas se conta que a maioria não quer, porque vai ser prejudicada em seus interesses pessoais. Prejudique-se, pois, o Supremo. Também se diz que os presidentes da Câmara e do Senado hesitam em abrir a necessária CPI para o maior escândalo bancário do país. Já está difícil investigar o outro escândalo, do desvio de R$ 6 bilhões dos idosos da Previdência. Quanta água os céus terão que despejar, em tempestades, para lavar tantos pecados?
Está incontrolável. A cada dia, mais revelações. Quanto mais se puxam agendas, mais promiscuidade vai aparecendo, mais nomes. Isso que o sigilo de Toffoli ainda guarda, a sete chaves, os telefones de Vorcaro — essa caixa de Pandora que pode liberar o raio do juízo final para os que criaram o “Inquérito do Fim do Mundo”.
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A melhor pergunta que podemos fazer no Brasil é: PARA QUE SERVE UMA CONSTITUIÇÃO NESTA REPUBLIQUETA BANANEIRA? Se a lei maxima do país serve como sua certidão de nascimento, suas bases, os direitos, os deveres, as instituições e tudo mais que compõem a arquitetura do estado brasileiro, então ela deve ser fielmente obedecida e devidamente guardada. NÃO ACONTECEU NEM UMA COISA NEM OUTRA. Tivemos até agora oito constituições incluída a ampla revisão de 1969 e nenhuma foi devidamente obedecida. A atual, publicada em 05 de outubro de 1988 com os auspícios de ser a CONSTITUIÇÃO CIDADÃ nas palavras orgulhosas de Ulisses Guimarães, há muito deixou de sê-lo. Tronou-se um caderninho onde estão escritos artigos que são observados quando convêm porque seu GUARDIÃO, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, deixou de guarda-la faz tempo e passou a CONTRARIA-LA SISTEMATICAMENTE em benefício de seus ministros e familiares, inclusive deixando de observar todas as normas do país, deslegitimando os poderes e as instituições, utilizando suas prerrogativas da pior forma possível e contribuindo para a promiscuidade dos poderes e das instituições como bem demonstrado ficou na CRISE DO BANCO MASTER que revelou como é bom ter ADVOGADO QUE É TAMBÉM MINISTRO e como é possível sair impune no país que adora COLARINHO BRANCO e prende com rigor LADRÃO DE GALINHAS. Assim vamos seguindo em um país onde o ELEITOR é burro, ignorante e venal e, via de consequência segue votando em quem não merece confiança e não tem vergonha nem remorço em destruir o país em benefício próprio.
Então, Oeste… O UOL, FILHO BASTARDO DA FOLHA DE SÃO PAULO, PONTA DE LANÇA NO PROJETO DE CENSURA NAS TERRAS TUPINIQUENSES, AGORA QUE O TORNIQUETE INSTITUCIONAL ESTÁ APERTANDO A GREGOS E TROIANOS, EMITE SINAIS QUE DESNUDAM O PRÓPRIO ATIVISMO. BEM VINDOS AO MUNDO REAL QUE VOCÊS AJUDARAM A CRIAR, SENHORES ESCREVINHADORES APELIDADOS DE JORNALISTAS.
“ SE VOCÊ NÃO DESTITUIR OS JUÍZES CORRUPTOS, VOCÊ NÃO CONSEGUE CONSERTAR O PAÍS. ELES FORMARÃO UM CARTEL – UMA DITADURA JUDICIAL – E BARRARÃO TODAS AS REFORMAS, PROTEGENDO O SISTEMA CORRUPTO QUE OS COLOCOU NO PODER “
Pois é, Doutor Marco Antônio Sabino… Não sei onde o senhor estava, se a sua têmpera não foi fornida o bastante para entender tudo que aconteceu desde 2018, mas, lembrar o GRANDE Professor Dallari sobre os dias escuros que vivemos, não absolve o senhor, mas, antes tarde do que NUNQUINHA DA SILVA, abordar o assunto. “Ninguém imaginava onde chegaria o STF, nem mesmo Dalmo Dallari” Sem nenhuma vênia, a omissão, cumplicidade, leniência e covardia da OAB, à qual o senhor pertence por extensão, também é parte desse desastre e desarranjo institucional. “Alfredo Buzaid era o mais radical dos ministros do STF. Um integralista de toga” “Mas o saber jurídico era indiscutível. Buzaid, só para ficar no mesmo personagem, era o autor do Código de Processo Civil” Para ser Ministro do STF hoje, Doutor Sabino, pode ser um advogado ruim como Dias Toffoli, Jorge Messias, Zanin, Alexandre de Moraes, essas “sumidades” do Direito ditos salvadores da DEMOCRACINHA, “pero que no mucho”. O STF está no corner, “meteram-se em camisa de onze varas” muito pior, que talvez tenha incomodado muito o Professor Dalmo Dallari na sua tumba. O senhor, como Doutor em Direito, não viu promiscuidade institucionaliza na insidiosa ação de parentes, aderentes, esposas/os, filhos, enteados, afilhados de Ministros do STF ADVOGANDO PARA FIGURAS CORRUPTAS CONHECIDAS, cujos Processos estavam em supremas gavetas, que rendem MILHÕES, quiçá BILHÕES de Reais, Doutor Sabino? Lhe digo mais, Doutor Sabino. Não sou sequer um rábula, mas ainda não perdi a minha bússola moral para apontar o óbvio. Suponhamos, Doutor Marco Antônio Sabino, que pelos caminhos ensinados por Rui Barbosa e Dalmo Dallari, Astrogildo de Zé Pequeno, brilhante advogado que mora lá para as bandas de Cajazeirinhas, na Paraíba, assumiu a defesa do empreiteiro José Aloysio Machado, que acusou HUGO MOTTA de CORRUPÇÃO “que nas obras executadas haveria uma comissão ao Deputado Federal HUGO MOTTA de 10% (dez por cento), por ser o autor da emenda parlamentar” Como o caso envolve alguém com o DANOSO foro privilegiado, o caso da CORRPÇÃO de HUGO MOTA subiu ao STF, onde o HUGO MOTTA seria defendido por operadores do Direito, coisa como Roberta Rangel, esposa do muito enrolado Ministro Toffoli, Guiomar Mendes, esposa do Ministro Gilmar Mendes, Viviane Moraes, esposa do Ministro Moraes, Gustavo Teixeira Gonet Branco, filho do PGR Paulo Gonet, Sálvio Dino de Castro e Costa Júnior, irmão do Ministro Flávio Dino. Nesse cenário, senhor Marco Antônio Sabino, ganha uma passagem só de ida para a Coreia do Norte, alguém que aposte no sucesso do Doutor Astrogildo de Zé Pequeno, por mais brilhante que seja o seu trabalho na batalha jurídica. Repito que sequer sou um rábula, Doutor Marco Antônio Sabino, mas o nome disso é PROMISCUIDADE INSTITUCIONALIZADA, e ai do esfolado pagador de impostos que reclamar por isonomia, essa coisa tão esquecida no BALCÃO DE NEGÓCIOS ESPÚRIOS em que se tornou o endereço que há muito tempo atrás, funcionou o STF que mereceu Alfredo Buzaid, Dalmo Dallari, Rui Barbosa, Carlos Velloso, Ellen Gracie, Paulo Brossard, entre tantos outros que HONRARAM as togas, ao invés de a EMPORCALHAREM. Onde o senhor estava, Doutor Marco Antônio Sabino, que só agora em 03/02/2026 às 05h30 descobriu essa anomalia, esse sentimento de inimputabilidade que viciou os iluministros do STF desses tristes, perigosos, incompreensíveis juridicamente dias escuros? Onde vosmecê estava, Doutor Sabino?
Magistral, caríssimo Alexandre!
Será que dá pra acreditar MESMO, que teremos eleições limpas? As “caixas mágicas” sem a materialidade do voto, continuarão sob altíssima suspeita. Além disso, mas uma flechada na CF: onde está a apuração pública? Ou um par de pessoas dentro de uma sala fechada, já são público??
Alexandre, um Congresso covarde nos deixou esse legado.
A única saída sem derramamento de sangue para situações análogas são eleições limpas. Vamos poder contar com isso em 2026?
Se a casa não for arrumada com eleições teremos desfechos muito parecidos com Nepal e Irã.
Perfeito o roteiro Sr Alexandre, quem se salva nesse tribunal?