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Jeffrey Epstein | Ilustração: Shutterstock
Edição 308

Epstein e os homens imorais

Esse tipo de comportamento, em que o poder dobra as regras e o sucesso compra a indulgência, não é masculinidade, e sim anarquia moral

“O caso Epstein é tão escandaloso, com tantos fatos, com tanta gente, que nos deixa um tanto perdidos”, escreveu o ex-deputado Paulo Eduardo Martins. Ele conclui: “É como ter um furacão de nojeira girando ao seu redor. Você não sabe nem no que focar”. O foco, aqui, será na imoralidade de tantos homens poderosos, que foi o tema da coluna de Gates Garcia no DailyWire.

Garcia disse que leu os documentos como um pai, pensando no tipo de mensagem que esse caso envia para os meninos. A lição é muito feia: comportamentos inaceitáveis são tolerados quando envolvem o andar de cima, aqueles que possuem muito dinheiro, influência e poder. Num mundo em que feministas atacam como “masculinidade tóxica” qualquer postura masculina, esse tipo de escândalo é um prato cheio para misturar alhos com bugalhos e demonizar todo homem como um potencial predador.

Foto: Shutterstock

Garotos estão em busca do verdadeiro sentido da masculinidade, e o que está sendo revelado a eles no caso Epstein é puro veneno. Diz o autor: “Eles veem homens nos mais altos escalões da sociedade que pregam inteligência, liderança e sofisticação, enquanto, em particular, vivem como meninos mimados e cheios de privilégios. Esses homens tratam o casamento como algo ornamental, a fidelidade como opcional e as mulheres como produtos consumíveis. Para eles, responsabilidade e prestação de contas são coisas destinadas a pessoas menores”.

Esse tipo de comportamento, em que o poder dobra as regras e o sucesso compra a indulgência, não é masculinidade, e sim anarquia moral. A verdadeira masculinidade sempre esteve enraizada na noção de limites, de autocontenção, do uso da força superior para proteger as mulheres e as crianças. Meninos se tornam homens quando aprendem a dominar seus apetites. A autoridade vinha sempre acompanhada da obrigação, do senso de responsabilidade.

o presidente dos EUA, Bill Clinton, e Jeffrey Epstein apertam as mãos durante uma visita à Casa Branca, enquanto Ghislaine Maxwell observa, após o presidente ter feito declarações em um evento para doadores do projeto de restauração da Casa Branca (29/9/1993) | Foto: Domínio Público/Casa Branca

Algo mudou de uns tempos para cá. Cada um deve fazer o que “der na telha”, as mulheres podem ser tratadas como objetos, a traição é amplamente tolerada no clima de hedonismo que se espalhou pelo mundo, e quando se trata de homens da elite, eles estão blindados e isolados dos padrões que publicamente exigem dos outros. E o impacto disso na formação dos meninos é péssimo: “E as crianças percebem. Elas não pensam em termos de nuances legais ou registros sigilosos. Elas pensam em termos de padrões: quem é punido, quem é protegido, quem é perdoado e quem é apagado. O padrão que elas estão vendo é corrosivo”. A cultura vem sendo dominada aos poucos, e muitos pais perderam o controle sobre a formação moral de seus filhos. O resultado é uma garotada com as piores referências possíveis.

O que os arquivos Epstein mostram não é efeito de uma “liberação” masculina, e sim de uma decadência moral. Quando até mesmo “conservadores” idolatram alguém como Andrew Tate, só porque ele ataca as feministas, isso mostra como tem gente que tira a lição equivocada da crise de masculinidade que vivemos. Ter um harém de mulheres bonitas não é o “máximo”, e sim uma fuga de quem não consegue criar um matrimônio feliz com base no amor e no respeito.

Andrew Tate no podcast “Anything Goes With James English” (20/6/2021) | Foto: Wikimedia Commons

O que é preciso hoje é resgatar o código dos cavalheiros. Como diz Harvey Mansfield em Manliness (“Masculinidade”): “O cavalheiro, ao contrário de um canalha ou de um grosseirão, não se aproveita daqueles que são mais fracos do que ele, especialmente das mulheres”. O autor acrescenta: “Um cavalheiro é um homem que é gentil por princípio, não por fraqueza; pode-se contar com ele para não rosnar nem atacar uma mulher quando tem a vantagem ou se sente ameaçado. É claro que pode ser delicioso ser surpreendido, desde que a surpresa seja agradável. Com um cavalheiro, pode-se esperar, talvez até confiar, que a maioria das surpresas será desse tipo”.

Para encerrar, o trecho final do poema “Se”, de Rudyard Kipling, sobre como se tornar um homem:

“Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre Reis, não perderes a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes;
Se a todos podes ser de alguma utilidade
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal, todo valor e brilho:
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo
E — o que ainda é muito mais — és um Homem, meu filho!”

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3 comentários
  1. Renato Perim
    Renato Perim

    Isso aí é só um exemplo do que acontece com TODAS as altas autoridades de Brasília, e de outros lugares também. Promiscuidade, homossexualismo às escondidas, traições, uma indecência e uma nojeira inomináveis.

  2. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Eu tô voando nessa reportagem, eu sou muito desintelectualuzado para essa reportagem. Rodrigo Constantino subiu muito, mas gosto muito dele sei que ele é um homem íntegro e verdadeiro

  3. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    O caso Epstein vai muito além de negociatas e interesses econômicos com a elite americana e europeia. Para mim era um centro de perversão e decadência moral.Pessoas que se permitiram entrar em um espiral de vazio existencial destrutivo sem fim,Ilha de horrores.

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