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Edição 311

Banco Master: a insustentável leveza de Brasília

Enquanto isso, a Ibovespa segue otimista, a inadimplência explode no país e os setores de energia e mineração recebem grandes investimentos

Nas próximas semanas, o escândalo do Banco Master terá novidades importantes que poderão impactar o cenário político em Brasília. A decisão do ministro André Mendonça de dar carta branca à Polícia Federal e empoderar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para que levem adiante as investigações, desfazendo as decisões do ministro Dias Toffoli, poderá levar à emersão de novas informações sobre o caso. Além disso, no dia 10 de março, foi marcado o depoimento do ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, perante a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O presidente do órgão, o senador Renan Calheiros, tem todo o interesse de que o banqueiro fale sobre as operações espúrias que envolveram políticos. Principalmente se ligados ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, seu maior rival no Estado de Alagoas.

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Vorcaro vai ou fica?

Entretanto, Vorcaro já conseguiu evitar um depoimento perante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS graças a um parecer de Mendonça, que excluiu a obrigatoriedade de seu comparecimento. Dessa vez, no entanto, parece que a defesa de Vorcaro se acertou com Calheiros, e o ex-dono do Master deverá falar perante os senadores.

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Caixa pagará o pato do BRB?

Desesperado para salvar o BRB, o governo do Distrito Federal está tentando vender ativos e apelando para a ajuda do governo federal. O objetivo é fornecer liquidez ao banco para que não enfrente problemas operacionais ou até mesmo uma intervenção federal. O BRB está precisando de quase R$ 9 bilhões. A Caixa Econômica Federal está negociando a compra de carteiras de crédito do Banco de Brasília. No total, a operação chegaria a R$ 5 bilhões. Entretanto, existe uma forte resistência por parte do governo federal, que não quer pagar a conta das aventuras de Vorcaro e seus sócios. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, deixou claro que “a União não tem nada a ver com as barbaridades que fizeram lá com o Banco Master” e “quem tem de apresentar uma solução para o rombo, e se explicar, é o governador Ibaneis do Distrito Federal, controlador do BRB e responsável pelo que fez a direção do banco. Não venham espetar essa conta no bolso do povo brasileiro”.

ibaneis rocha
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, durante um evento no Palácio do Buriti | Foto: Renato Alves/Agência Brasília

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Otimismo com o Ibovespa

Os gestores do mercado financeiro estão otimistas com a Bolsa de Valores. Os estrategistas ouvidos pela Pesquisa Reuters indicaram que o Ibovespa deverá terminar o ano em 195 mil pontos. Uma alta de cerca de 3% em relação ao momento atual. Desde o começo do ano, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo acumulou um ganho de cerca de 17%, beirando os 192 mil pontos. A razão dessa alta foi o grande fluxo de estrangeiros, em meio a um movimento de rotação global de ativos. Desde o começo do ano, entraram no mercado financeiro brasileiro US$ 38,5 bilhões de investimento estrangeiro, segundo dados do Banco Central. No mesmo período de 2025, o resultado havia sido positivo, em cerca de US$ 2 bilhões.

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A explosão da inadimplência

A inadimplência de consumidores e empresas chegou a um nível recorde. Segundo dados do Banco Central, os empréstimos concedidos por instituições financeiras com recursos livres no Brasil e não reembolsados subiram para 5,5% em janeiro, nível mais elevado desde agosto de 2017. Em 12 meses, o indicador subiu 1,1 ponto percentual em meio a juros persistentemente altos, com a taxa básica Selic atualmente em 15%.

A inadimplência de consumidores e empresas chegou a um nível recorde | Foto: Shutterstock

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Todo mundo quer um CDB

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) entraram definitivamente no gosto do brasileiro. No ano passado, o volume desse tipo de papéis comprados por brasileiros subiu 27,7% na comparação com o ano anterior, chegando a R$ 288 bilhões. No mesmo período, a poupança perdeu 1,1% de recursos, encerrando 2025 em pouco mais de R$ 961 bilhões. A migração de investidores em direção a títulos com maior rentabilidade explica esses resultados.

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Vendendo o Posto Ipiranga

O Grupo Ultra teria contratado o BTG Pactual para realizar a venda da rede de postos de gasolina Ipiranga, a segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil. A venda já teria atraído várias empresas nacionais e estrangeiras, como a J&F, controladora da JBS, a francesa Total e a saudita Aramco. A venda poderia render para o Grupo Ultra entre R$ 25 e R$ 30 bilhões.

Grupo Ultra teria contratado o BTG Pactual para realizar a venda da rede de postos de gasolina Ipiranga | Foto: Shutterstock

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O que fazer depois?

A pergunta que o mercado se faz é sobre o que o Grupo Ultra fará com esses recursos. Existe a possibilidade de comprar cerca de 15% da Rumo. No entanto, seria uma operação de apenas R$ 4,5 bilhões. Por isso, muitos analistas especulam que essa venda seria o prelúdio para uma aquisição total da Rumo, transação que poderia girar em torno de R$ 35 bilhões, considerando a cláusula de poison pill de 15%. Entretanto, existe a possibilidade de que esse dinheiro seja utilizado para realizar o fechamento de capital da Hidrovias do Brasil, o que demandaria cerca de R$ 2,5 bilhões, dado que a Ultrapar já detém 55% da empresa.

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Portos e bilhões

Os investimentos privados no setor portuário deverão superar os R$ 9 bilhões em 2026. Um volume recorde que reflete o entusiasmo de empresas e fundos com esse tipo de infraestrutura no Brasil. A previsão do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) inclui a formalização de 25 instrumentos contratuais relacionados a Terminais de Uso Privado (TUPs) entre julho de 2025 e janeiro de 2026. O maior volume de recursos ficará na região Nordeste, com R$ 3,7 bilhões.

Os investimentos privados no setor portuário deverão superar os R$ 9 bilhões em 2026 | Foto: Vosmar Rosa/Mpor

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Vai dar trilhão

Outras frentes de investimentos pesados são aquelas dos setores de energia e mineração. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a previsão é de um investimento de R$ 4 trilhões em ambos os setores nos próximos dez anos. Do total projetado, R$ 2,8 trilhões correspondem ao setor de petróleo e gás, quase R$ 600 bilhões à energia elétrica e R$ 130 bilhões à eletromobilidade. Um diagnóstico semelhante havia sido apresentado no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, divulgado no início do mês.

Leia também “Pão de Açúcar, um ícone em crise”

3 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Essa reportagem é de Segré ou de Sidônio?

  2. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Parece que os grandes bancos que atuam no Brasil de maneira correta não gostaram “Nádica de nada” do rombo que terão que pagar no FGC em decorrência do rombo e do roubo do Master. Terão que arcar também com o prejuízo.ossos do ofício

  3. Patricia Bretas
    Patricia Bretas

    Que bom ler este artigo! Cauti disse, ontem, que ainda iria terminar de escrevê-lo depois do Oeste Sem Filtro, e o fez muito bem! O Milan Kundera gostaria do seu título!

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