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Plenário do Senado Federal durante sessão que deliberava a ida de Jorge Messias ao STF. Painel eletrônico exibe resultado de votação | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Edição 320

Carta ao Leitor — Edição 320

A nova versão do programa de governo do PT e a diferença entre Brasil e Chile para lidar com a corrupção no Judiciário estão entre os destaques desta edição

A seis meses da eleição presidencial, com seus índices de aprovação despencando a cada pesquisa de intenção de voto, Lula acaba de acrescentar mais duas derrotas ao acervo de fracassos. Nesta quarta-feira, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). No dia seguinte, o Congresso derrubou o veto presidencial ao Projeto de Lei da Dosimetria.

Em duas reportagens que compõem a capa desta edição, Augusto Nunes e Adalberto Piotto reconstituem os bastidores de um episódio raríssimo no Congresso. “Pela primeira vez desde 1894, o escolhido pelo presidente da República esbarrou na rejeição do Poder Legislativo e assegurou a inclusão do seu nome na lista dos fiascos políticos históricos”, observa Nunes. Piotto analisa o papel desempenhado pelo presidente do Senado: “Sem Davi Alcolumbre, a oposição não ganharia. Mas sem a oposição, Davi não teria a maioria de votos contrários que impuseram uma marca negativa ao Palácio do Planalto”. 

Nem mesmo a tentativa de subornar os parlamentares com a liberação de R$ 12 bilhões em emendas foi suficiente para garantir os votos. Como destaca Rodrigo Constantino, desta vez o centrão embolsou o dinheiro sem entregar os votos necessários para a aprovação do chefe da Advocacia-Geral da União. Embora o Congresso tenha evitado que ficasse pior o que já está ruim, o STF precisa ser depurado. O Chile deu um exemplo que merece ser seguido, lembra Eugenio Esber. Três ministros da mais alta Corte do país foram afastados depois de vir à tona uma gravação comprometedora.

Por aqui, Alexandre de Moraes ainda não viu motivos para explicar o contrato de R$ 129 milhões entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci, e Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master. Também Dias Toffoli não se deu ao trabalho de comentar a venda de sua parte num resort no Paraná ao cunhado do banqueiro larápio. E Gilmar Mendes continua achando que pode ameaçar políticos e candidatos com a inclusão no interminável Inquérito das Fake News. Foi o que fez recentemente para punir o ex-governador de Minas, Romeu Zema, pré-candidato do Novo à Presidência da República. “A crise é de formação”, afirma Alexandre Garcia. “É moral — ou ética, se quiserem. É de conduta, de comportamento, de princípios, de decoro, de civilidade. É de civilização.”

As derrotas desta semana, contudo, avisam que os tempos são outros. Mas não são só as cabeças de ministros do STF que permanecem estacionadas em algum lugar do passado. A mais recente versão do programa de governo do PT inclui entre suas diretrizes, por exemplo, tratar como “sequestro” a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças militares norte-americanas. A reportagem de Anderson Scardoelli revela outras. Três delas: sair em defesa da ditadura cubana, elogiar o “papel moderador” da China no cenário global e atacar o “imperialismo decadente” dos Estados Unidos. Tanta velharia só poderia ter saído da cabeça de José Dirceu, um dos dinossauros petistas, condenado por envolvimento nos escândalos do Mensalão e do Petrolão. 

O país parece dividido em dois tempos: um que tenta avançar — e outro que insiste em não passar. A campanha eleitoral já começou. Enquanto a direita conservadora tem mais de um nome na disputa, a esquerda, de novo, tem Lula.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 320. Luiz Inacio Lula da Silva (2026) | Foto: Montagem Revista Oeste/Reuters/Mateus Bonomi
6 comentários
  1. Paulo César da Conceição
    Paulo César da Conceição

    A capa ficou excelente para o momento!

  2. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Essa esquerda vai ganhar as eleições sim mas é no inferno

  3. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Edição que registra um feito que restaura a esperança que se encontrava estilhaçada.

  4. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Bom resumo. Sempre temos aqui em casa uma leitura de final de semana. A 2400 kms daí, muito bento, tempo bom, 18 graus, pinhão debulhando, bugius roncando. Dei três tiros para o alto para comermorar.

  5. Maria Kauer
    Maria Kauer

    Tenho até medo de ter esperança em dias de mais segurança política e judicial!!

    1. clarice Bocchese da Cunha Simm
      clarice Bocchese da Cunha Simm

      Esperanca é a ultima que morte Maria

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