publicidade
Foto: Shutterstock
Edição 321

A fraude dos “justiceiros”

Passar adiante sem checar qualquer texto, atribuído a qualquer pessoa, nem pode mais ser considerado descuido. É no mínimo uma irresponsabilidade

Tem alguma coisa pior no trabalho, na carreira, enfim, na vida profissional do que não gostarem de algo que você fez? Tem. É atribuírem a você o que você não fez. Está circulando por toda parte um artigo assinado por mim que eu não escrevi. Tem também um link para a Revista Oeste, que obviamente não o publicou. Tudo falso, portanto. E uma quantidade expressiva de pessoas tomando como verdadeiro — e passando adiante.

O texto pirata é sobre o militar que discutiu com o deputado no Congresso. Pretende revelar “bastidores” da trajetória desse militar para criticar sua conduta. Usar uma fraude para difundir uma mensagem supostamente virtuosa é grotesco.

Mesmo que a fraude se sustente como verdade para muitos incautos, o delito aparecerá — como estou expondo aqui — e provocará o efeito inverso ao pretendido pelo fraudador. Aquele a quem ele critica poderá mostrar a todos que é criticado de forma criminosa.

O artigo falsificado com a minha assinatura tem o seguinte título: “Quem é o General que intimidou Marcel Van Hattem e por que ele é protegido por generais e juízes”. A pessoa que escreveu e não teve coragem de assumir o que desejava dizer forjou a minha autoria para um texto mal escrito, com vários erros de português e cheio de especulações apresentadas como revelações. Esse é o perfil dos “virtuosos” que querem denunciar desvios políticos nas Forças Armadas?

Foto: Montagem Revista Oeste/IA

O que uma fraude como essa consegue é encorpar as teses autoritárias de que as redes e os aplicativos de mensagens são ambientes tóxicos, propícios à “desinformação” — e que portanto requerem controle especial (outro nome para censura).

Se o farsante usou meu nome por achar que posso dar credibilidade a uma crítica sobre desvios institucionais, ele conseguirá exatamente o contrário: associar minha autoria a um libelo sofrível e obtuso — tomado por muitos até aqui como verdadeiro. É um moralismo deletério que não sabe respeitar nem o que considera respeitável.

O alimento para os delinquentes que se acham justiceiros é o descuido no consumo da informação. Passar adiante sem checar qualquer texto, atribuído a qualquer pessoa, com link de mentira e tudo, nem pode mais ser considerado descuido. É no mínimo uma irresponsabilidade.

Num tempo tão pródigo em éticas de fachada, se responsabilizar pela aferição da informação que você ajuda a circular é um requisito de caráter. A bomba que parece estourar longe de você, mais cedo ou mais tarde, vai atingir a todos.

Leia também “Violência de boa aparência”

Leia mais sobre:

7 comentários
  1. Rafael Lima Bechtlufft
    Rafael Lima Bechtlufft

    Perfeito, fraude não! Queremos apenas o Fiuza verdadeiro, que está aqui na Oeste!

  2. Urias Roberto da Silva
    Urias Roberto da Silva

    É preciso ter o cuidado de avaliar uma notícia, essa responsabilidade é essencial.

  3. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Na época de IA ninguém confia em ninguém nem na própria sombra

  4. COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA
    COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA

    AMIGOS É QUE ISTO QUE DEVEMOS ESPERAR DE UM POVO QUE NÃO TRABALHA NÃO TIRA A B……DA DA CADEIRA.
    PORTANTO É FAZER FAKE NEWS COM A B….DA NA CADEIRA – TRABALHAR É DIFICIL E CANSATIVO !!!!!

  5. André Lima Passos
    André Lima Passos

    Já pensou na possibilidade de ser uma manobra “false flag”? De uma só tacada, ela descredibiliza o suposto “autor”, ao publicar um texto grosseiro e mal escrito; bem com a revista que o teria “veiculado”, além de, obliquamente, aliviar a barra do militar envolvido, que poderá posar de vítima de “fake news”. Por tabela, difunde a idéia de que episódios como esse reforçam a necessidade de um maior controle das redes sociais. Ou seja, tudo atende aos interesses da esquerda.

  6. Leonardo de Almeida Queiroz
    Leonardo de Almeida Queiroz

    Fiuza autêntico: assunto tão sério nao permite nem suas sempre brilhantes ironias e sarcasmos. Parabéns pela forma da tão necessaria chamada à responsabilidade que cada um tem nos destinos do Brasil!

Anterior:
O novo centrão
Próximo:
A geração que salvou o Ocidente
publicidade