“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.” A frase atribuída a Albert Einstein antecipa o provável destino do Desenrola 2, programa criado pelo governo federal para tentar reduzir o número recorde de brasileiros inadimplentes. Ocorre que o Desenrola 1 não resolveu o problema do endividamento. Menos de quatro anos depois, a coisa piorou. Nesse ritmo, o Desenrola 2 parece apenas a etapa anterior a um futuro Desenrola 3.
Na reportagem de capa desta edição, Adalberto Piotto explica por quê. Segundo o jornalista, o programa precisa ser examinado sob três aspectos: “é ineficaz, porque o alívio às famílias será temporário; populista, porque é eleitoreiro e não ataca as razões reais do endividamento familiar; e perverso, ao fazer com que apenas os bancos ganhem de fato”. Hoje, 80% das famílias brasileiras sofrem com o endividamento. O grande problema, afirma Piotto, é que o governo nunca se dispõe a tratar a doença: “talvez porque seja ele próprio a infecção”.
Lula e o PT tampouco se animaram a evoluir. O presidente e o partido seguem presos a propostas ultrapassadas, ideias mofadas e aos líderes de sempre. Uma das consequências desse fenômeno é a perda da capacidade de comunicar-se com o eleitor jovem, como demonstra a reportagem de Rachel Díaz e Eliziário Goulart Rocha. Os investimentos em comunicação digital sob o comando da confraria de veteranos que cerca Lula têm se revelado um desperdício de dinheiro. “As intervenções digitais criadas pela patota do tio Sidônio ficam entre o apenas tolo e o estupidamente ridículo.”
Se a rejeição popular ao presidente está em alta, a situação também desandou na Praça dos Três Poderes, como atestou a dupla derrota de Lula no Congresso. A desastrosa articulação agora inclui também a rejeição de Jorge Messias, indicado para uma vaga no Supremo, e a aprovação do PL da Dosimetria pela maioria dos senadores e deputados. Cristyan Costa revela os bastidores da reprovação do “Bessias”, costurada num jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes. “Alcolumbre aproveitou as conversas reservadas para consolidar o placar que, horas depois, transformaria Messias no primeiro indicado rejeitado pelo Senado para o Supremo desde 1894.”
O “não” ao ex-estafeta de Dilma Rousseff poupou os brasileiros de mais um indicado carente de notório saber jurídico e reputação ilibada. Provavelmente também evitou a elevação no nível de cinismo da Corte. Cinismo como o do ministro Flávio Dino, por exemplo. Ele se declarou espantado com o fato de ninguém ter visto o elefante grande, pintado de azul, desfilando na frente de todo mundo, em referência às falcatruas de Daniel Vorcaro no Banco Master. Eugênio Esber esclarece: “Uma declaração cínica, porque ele deveria incluir-se na questão: ‘Como é que ninguém viu, eu inclusive?’”.
Enquanto Dino se refugia em explicações mal-contadas, Gilmar Mendes desfila com pompa e circunstância por diferentes veículos de comunicação. Foram sete entrevistas em apenas três dias. Augusto Nunes descobriu a causa de tanta exibição: o decano do Supremo está apaixonado. Quanto mais fala, pior fica a situação do STF.
Outra reportagem desta edição passa a limpo a pandemia de coronavírus. Embora o Brasil ainda seja frequentemente descrito por parte da imprensa como um dos países onde mais morreram vítimas da doença, o país despenca para a 21ª posição quando se observa o número de óbitos proporcionais à população. A vacinação completa também avançou com rapidez, antes da Inglaterra, por exemplo, e de vários outros países.
A pandemia deixou marcas profundas — sanitárias, políticas e sociais — que até hoje não foram completamente removidas. Também expôs o comportamento de governos, instituições, veículos de comunicação e parte da sociedade diante do medo generalizado e da pressão coletiva. Num período em que dúvidas foram tratadas como heresias e discordâncias confundidas com desinformação, a Oeste optou por insistir em perguntas. Continua insistindo até hoje.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de Redação

Dei uma mirada na revista. O que mais quero ler é a reportagem sua e do Artur.
3367 é a renda média do brasileiro, segundo o IBGE manipuilador. Se fôssemos descontar a inadimplência. 2800 é só dívida.
Essa foi boa,Gilmar Mendes está apaixonado? Pode está estar problema do próprio, mas não precisa ficar mais insano do que já é. Brasil pede socorro, não consegue mais pagar suas dívidas.