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Vickrum Digwa, que foi condenado à prisão perpétua em 1º de junho de 2026 pelo assassinato de Henry Nowak | Foto: Polícia de Hampshire e da Ilha de Wight/Reuters
Edição 325

A crueldade do Estado woke

Caso Henry mostra que, prostrada diante da nova religião do regime, a polícia britânica está programada para acreditar no "homem pardo" e duvidar do "homem branco"

O wokismo nos arrastou para um abismo moral, um aterro de virtude tóxica. Ali foi lançado um jovem detido por policiais enquanto sangrava até a morte. Um rapaz de 18 anos, esfaqueado cinco vezes, algemado sob a acusação de crime de opinião enquanto lutava para sobreviver. O wokismo nos arrastou para um arremedo distópico e lamentável de sociedade, onde as últimas palavras que um jovem ouve são os gritos difamatórios do homem que o matou. “Ele foi racista”, disse seu assassino. “Não consigo respirar”, disse o jovem, implorando por sua vida.

O caso de Henry Nowak chocou a nação. Ele era um britânico de origem polonesa, calouro na universidade. Durante uma noite de dezembro passado, em Southampton, Inglaterra, teve um encontro fatal com um sikh — religioso monoteísta que rejeita o sistema hindu de castas — chamado Vickrum Digwa. Houve uma discussão. Digwa esfaqueou Nowak cinco vezes com seu kirpan (adaga cerimonial dos sikhs). O jovem foi perfurado no peito, no rosto e nas pernas. Ele escalou uma cerca, deixando um rastro de sangue em seu caminho. “Estou morrendo”, ouviram os moradores locais. Ele estava certo.

O kirpan, a adaga sikh, que Digwa carregava | Foto: CPS/PA

Por mais selvagem que tenha sido o esfaqueamento, o que aconteceu em seguida foi o que mais abalou a alma da Grã-Bretanha. A mãe de Digwa chegou e sumiu com a arma do crime, que mais tarde foi encontrada escondida na casa da família com outras 20 espadas e adagas. Digwa então acusou Nowak de proferir insultos racistas, dar-lhe um soco e derrubar seu turbante. “Mentiras perversas”, ouviu o tribunal durante o julgamento do réu por assassinato. No entanto, havia um grupo de pessoas na cena dessa atrocidade que acreditou nas calúnias sórdidas de Digwa contra o jovem que ele acabara de dilacerar: a polícia.

O comportamento da polícia naquela noite desafia a razão e a humanidade. Eles se curvaram às acusações difamatórias de Digwa, prenderam e algemaram Henry. A reportagem do Telegraph captura o barbarismo da inépcia e credulidade da polícia naquela noite sombria: “Enquanto o adolescente jazia ali, incapaz de respirar com seus pulmões se enchendo de sangue, implorando ajuda aos oficiais, eles ignoraram seus apelos e o prenderam. Ele morreu menos de uma hora depois”. Se existe algo que fará os britânicos decentes perderem a fé na polícia, é isso: a visão assombrosa de um menino sendo tratado com truculência pelo Estado enquanto se afogava em seu próprio sangue.

Esta semana, Digwa foi considerado culpado de assassinato. Sua mãe foi considerada culpada de ajudar um criminoso. E a polícia se desculpou pelo fato de Nowak ter sido “preso momentos antes de perder a consciência”. Este não pode ser o fim da história. A crueldade e humilhação de um jovem à beira da morte pelo Estado certamente forçará um acerto de contas com o veneno social do politicamente correto. Porque isso expõe o ponto a que chegou o culto ao wokismo: a verdade e a virtude enxotadas de nossa sociedade.

Todos sabemos por que acreditaram na mentira atroz de Digwa e por que ignoraram os apelos de ajuda de Henry, ferido e ofegante: porque a palavra “racismo” age como um feitiço sobre a classe dominante. É como uma droga que causa alucinações retóricas. No minuto em que a ouvem, tornam-se ávidos na busca pelo mínimo indício daquele que é o pecado máximo nesses tempos moralmente decaídos: o privilégio branco e o discurso preconceituoso. O objetivo não é descobrir a verdade, é sinalizar virtude. Naquela rua em Southampton, uma vez proferida a palavra “racismo”, o papel dos representantes do Estado mudou súbita e radicalmente: não era mais investigar um crime em potencial, mas encenar com subserviência um roteiro moral.

Henry Nowak, de 18 anos, estava voltando para casa depois de uma noite fora quando foi esfaqueado | Foto: Hampshire Police/PA

Completamente prostrada diante da nova religião do regime, que falsamente se autodenomina “antirracismo”, a polícia estava programada para acreditar no “homem pardo” e duvidar do “homem branco”. Sem dúvida, a Teoria Crítica da Raça, que corre como uma toxina nas veias do establishment, entrou em ação, fazendo com que o sikh que empunhara sua adaga de forma tão implacável se tornasse instantaneamente a vítima, enquanto o alvo de suas facadas — o menino branco — se tornasse o opressor. A política do vitimismo racial extremo empurrou o Estado cada vez mais para um atoleiro de dogmas onde o julgamento moral lúcido é quase impossível.

É importante dizer que algemar um menino à beira da morte não foi um “erro” individual de alguns policiais. Há uma instrução expressa para que a polícia do Reino Unido acredite, sem questionar, em toda acusação de crime de ódio. Policiais são instados a considerar racismo até manifestações apenas percebidas como racistas. São treinados para enxergar “racismo” em todos os lugares — em cada mínimo desentendimento entre brancos e não brancos. A contenção cruel da polícia a um adolescente esfaqueado não foi uma aberração — foi a conclusão lógica e aterradora da nova ideologia da classe dominante, que nos vê menos como cidadãos com direitos e mais como criaturas racistas que precisam de monitoramento e controle. A brutalidade contra o jovem Henry demonstrou o Estado woke em ação.

O Estado fez vistas grossas para o estupro de meninas vulneráveis por gangues majoritariamente muçulmanas por medo de ser considerado “islamofóbico”. A mesma cegueira deliberada, nascida da covardia, levou aqueles policiais a verem um menino esfaqueado como tirano e seu agressor como vítima. As perguntas se acumulam. Por quanto tempo mais aguentaremos essa ideologia de dois pesos e duas medidas, que permite aos sikhs fazerem o que ao resto de nós é proibido: carregar armas letais? Por que o primeiro-ministro Keir Starmer mostrou sua compaixão por George Floyd quando ele morreu a 6 mil quilômetros de distância, mas não pelo jovem Henry, assassinado e abandonado em Southampton? E, mais urgentemente, o que vamos fazer a respeito de um Estado que prende um menino se afogando no próprio sangue enquanto seu assassino se vangloria e o vilaniza? Temos que fazer alguma coisa.

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