Imagine-se provido de um parente rico que banque boa parte das suas despesas e transforme seu nome mundialmente em modelo de sucesso. O mínimo que se esperaria em troca disso é respeito — e alguma colaboração para que essa fonte de prosperidade continuasse crescendo.
Num Brasil nada lógico, as coisas não são assim. Embora o agronegócio represente 25% do Produto Interno Bruto — algo em torno de R$ 3 trilhões —, o setor é cada vez mais negligenciado pelo poder público. No momento, o agro enfrenta uma série de dissabores e obstáculos: preço dos insumos nas nuvens, commodities em baixa, juros absurdos e recorde de recuperações judiciais, fora o resto. Isso sem contar as intempéries, que historicamente assolam os produtores rurais.
Na reportagem de capa desta edição, Artur Piva e Eliziário Goulart Rocha tratam da crise enfrentada pelo homem do campo — situação que pode agravar-se rapidamente caso nada seja feito. “Em vez de fortalecer o segmento que representa a melhor aposta do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT preferem demonizá-lo”, ensina a reportagem. “Graças à sua visão distorcida, o Estado não só pouco ajuda como muito atrapalha.”
Para Alexandre Garcia, a obra dos que trabalham a terra contrasta com a estupidez de governantes. “O Brasil se apoia no agro”, observa. “Sem ele, perdemos a capacidade de importar a radioterapia que cuida do Lula ou comprar blusinhas da China.” Apesar disso, parte do mundo político e da nação parece determinada a exterminar essa galinha dos ovos de ouro.
Enquanto o agro tenta sobreviver à crise, o restante da economia vai de mal a pior. Carlo Cauti detalha como será a herança maldita que o governo Lula inevitavelmente vai deixar no próprio colo ou no de quem assumir o poder no seu lugar. Dívida pública estourada, inflação em alta, novos impostos e inadimplência crescente são só alguns dos problemas que o governo finge não existirem.
Depois de três anos e meio, a economia volta a sair dos trilhos, afirma Rodrigo Constantino. “A perda do poder de compra da moeda é sentida em qualquer mercado, as contas públicas pioraram rapidamente e o país caminha rumo ao abismo”, observa.
Segundo Constantino, Lula está rifando o futuro do país para se manter no Planalto. “Nada disso deveria ser surpresa quando avaliamos o histórico do petismo”, diz. “Tampouco é possível falar em ‘erros’, como se Lula quisesse acertar, mas não fosse capaz.” Constantino é taxativo: o PT não erra tentando acertar. Produz o caos deliberadamente para acentuar a dependência do Estado e se perpetuar no poder.
Em sua estreia na Oeste, Almir Pazzianotto, ex-ministro do Trabalho, evoca três discursos inesquecíveis “pela brevidade e pelos resultados”. Um dos trechos: “O manto da corrupção, agravada pela mediocridade, baixou sobre o Brasil”.
Neste ano, lembra Alexandre Garcia, há uma oportunidade de mudar o rumo das coisas. A Copa do Mundo começou agora e, como escrevem Augusto Nunes e Guilherme Fiuza em suas colunas, é tempo de reviver jogos e crônicas do passado e torcer pelo time do presente. Mas o jogo que mais importa será disputado em outubro. Esse sim será capaz de reverter a goleada que o Brasil está sofrendo.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de Redação





Gentileza cancelar a minha assinatura. Paguei no meu cartão de crédito R$ 79,80 e não consigo acessar a revista. Já estou de saco cheio com tanta dificuldade para ter acesso às reportagens. Gostaria que fosse feito o reembolso do valor pago.
Obrigado
Estava sentindo falta de uma reportagem sobre o agro. Eis que me deparo com esta grande capa. Parabéns mais uma vez, Branca Nunes, e parabéns em dobro ao Piva.
A maior maldição é a teoria visionária marxista que determina que o impossível (comunismo) só poderá ser alcançado se o mundo inteiro for dominado pela revolução.
Graças ao capitalismo a mesma não se aplica. O capitalismo não precisa dominar o mundo inteiro para existir.
É verdade que preocupações ambientais são sérias e que um planejamento que proporcione o desenvolvimento necessário no setor agro -pecuário será melhor considerado dentro do capitalismo, pois a estatização socialista sufoca o progresso brasileiro em todos os setores, com destaque entre os servidores públicos.
Muito bom resumo. Temos leitura para o final de semana. P.S: o Lula está dizendo que a pauta bomba deve respeitar o controle de gastos. É verdade?