A essencial lógica foi abandonada no Brasil, nos três Poderes. No Supremo, os supostos coagidos julgam o coator. E o condenam, como condenaram o pai dele, mostrando que não se sentiram coagidos ao condenar o pai, Jair, nem se sentem coagidos e condenam — e coagem — o filho, Eduardo. Foi 4 x 0, o mesmo placar e os mesmos juízes que condenaram o pai. Não se sentiram coagidos pela lógica, pois, se submetidos a ela, teriam se julgado impedidos e transfeririam o julgamento do filho à outra turma, que não julgou o pai — e não poderia ter sido alvo que qualquer suposta ação do filho. O julgamento serviu para confirmar a ilogicidade desnudada pela Corte Suprema de Cassação da Itália no caso Zambelli. Também serviu para mostrar o brilho do defensor público da União, Esdras dos Santos Carvalho, já que Eduardo nem nomeou advogado, tão evidente o absurdo. O defensor público brilhou expondo a lógica do Direito, tal como Fux ensinara em voto magistral à mesma 1ª Turma, no julgamento do pai.
Sem perceber, a 1ª Turma endossou a posição da Procuradoria-Geral da República, de que Eduardo engajou o governo Trump para cometer o crime de coação contra a 1ª Turma do Supremo, o que significa que Eduardo seja a eminência parda da Casa Branca, o todo-poderoso da Magnitsky, da retirada dos vistos, das tarifas. Seria de rir, não fosse trágico constatar que a falta de lógica equivale à falta de pensar. O defensor público precisou ensinar que esse foi mais um julgamento nulo de pleno direito, uma vez que os coagidos é que julgaram o coator. Seria fácil de resolver essa incompatibilidade, bastaria transferir o caso para a 2ª Turma. Não ficaria o estigma de vingança sobre a 1ª Turma. Simples. Seguiria a lógica. O Defensor Público também ensinou que, sendo público e notório que Eduardo está nos Estados Unidos, precisaria ser citado por carta rogatória, não por edital.

Moraes, antes, havia intimado diretamente empresas sediadas nos Estados Unidos e bloqueado brasileiros que estão em território americano, sob as leis americanas. Por isso, está sendo processado na Flórida, num tribunal federal.
Esta semana, Gilmar votou contra manter a prisão cautelar do pai Vorcaro, que age em paralelo ao filho e tinha acesso ao sistema da PF. Gilmar alegou que delação tem que ser livre. O relator André Mendonça corrigiu: a delação parte da vontade do investigado e de sua defesa. E aproveitou para lembrar que outro relator não fez assim. Todos viram Moraes ameaçando Cid de envolver no inquérito o pai dele, a mulher e a filha maior. Todos sabem que Filipe Martins está até hoje preso porque nada tinha a delatar.
No Legislativo, o senador representante do Piauí passou a representar o Master de Vorcaro, que também paga o presidente da Câmara. O senador pela Bahia também representa Vorcaro, mesmo tendo sido governador dos baianos. O senador pelo Rio vira comentarista da Copa. Depois da Copa, tem festas juninas, campanha eleitoral. Deixar de fazer leis é bom, mas deixar de fiscalizar os demais Poderes, função dos deputados e senadores, em nome do povo e dos Estados, é essencial. Isso o Senado presidido por Alcolumbre já deixou de fazer há tempos, permitindo o arbítrio do Supremo, que avançou sobre o Legislativo diante da timidez do Congresso. É a lógica de quem se acha esperto, mas vai afundando o país. Quem paga servidores do público é o imposto do público, não os milhões do luxo de Vorcaro.

No Executivo, o Presidente preserva o PCC e o CV da classificação de terroristas, alegando soberania, que é subtraída do Estado brasileiro pelas duas facções nacionais e pelo venezuelano Tren de Arágua, demonstrando o caráter transnacional desses bandos armados. O poder do crime que separa extensas áreas do território para fora da jurisdição do Estado brasileiro não ativa nenhuma defesa de soberania por parte do Presidente, o que se agrava com a presença do Tren de Arágua em seis Estados. Embora cuidar das fronteiras seja missão federal, foram as polícias civis que realizaram prisões nesta semana. No exterior, o Presidente vai para a reunião do G7 com o objetivo de demover Trump sobre tarifas, mas, ao contrário, só provoca o Presidente Americano. Atravessou o oceano para piorar a relação. Talvez tenha prevalecido a lógica eleitoral pueril que quer repetir para Trump o ridículo daquele “Fuck you, Elon Musk“.
E a AGU de Messias pretende defender Moraes na Justiça Federal na Flórida, chegando depois do prazo (seria proposital?) e usando o argumento de que decisões do Supremo brasileiro não podem ser submetidas a juízes estrangeiros. Se isso viesse de alguém com notável saber jurídico, esse argumento torto certamente seria proposital. Pois é justamente por isso que um juiz brasileiro do Supremo está sendo processado na Flórida: por ter invadido a jurisdição do judiciário americano, ao intimar duas plataformas e tentar restringir direitos de brasileiros que vivem sob as leis americanas em território americano, um deles naturalizado americano. E na ilogicidade brasileira, a Advocacia-Geral da União quer convencer um juiz federal americano de que os erros de um juiz brasileiro são erros do Brasil, de todos os brasileiros.

No berço do Direito Romano — disciplina que, como Lógica, todos os que queiram ser advogados são obrigados a estudar, porque é o cerne do Direito — a Corte Suprema de Cassação, no caso da extradição de Carla Zambelli, considerou a prática, no Supremo do Brasil, de o ministro Alexandre de Moraes acumular funções, uma illogicitá — uma ilogicidade. Ele é o alvo, a vítima, o relator, o acusador, o julgador — e até o executor. A Corte romana demonstrou que sabe que o arbítrio substituiu o devido processo legal no Supremo do Brasil. No berço do Direito Romano, o “Inquérito do fim do mundo”, baseado na ilogicidade, estaria todo nulo.
O Dicionário Aurélio define “ilogicidade” como a qualidade do que é ilógico, que é incoerente, absurdo, encerra contradição, na ação ou pensamento. É falta de sensatez, de maturidade. A lógica é o império da razão. O pensamento correto se baseia em lógica, para não ser enganado por argumentos falaciosos. Ilógico deixarmos nos enganar. É feio termos que ouvir de uma Corte romana que o rei está nu, enquanto não vemos o que está diante dos nossos olhos.
Leia também “Agruras do agro”
O poder sem limites passa por cima até do Diabo. Queres co nhecer Carlitos? Dái-lhe um Carguito.
BRASIL QUEM NÃO AGE NÃO É
Mestre Alexandre Garcia sim falta lógica e falta vergonha na cara de ministros do STF Falta o código moral do que é correto e do que é errado.A analogia que fez em seu texto é perfeita como comparar Jair Bolsonaro e seu filho,com Vorcaro e seu pai?Vorcaro , seu pai e outros implicados cometeram crimes graves .O caso do banco Master é o maior escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro do país. Sem termos de comparação, querem comparar “banana com alface”.Assim não aceitaremos.
Tanta blindagem… ninguém quer perder a boquinha… para eles tudo precisa ficar como está: então lutando pelas mordomias, pelo poder que permite que vivam com requinte em todas as áreas. Para o povão, impostos, arroz com feijão, ovos e abóboras. SUS com filas intermináveis para obter pensões e aposentadorias, cirurgias, etc, etc… Os três poderes apodrecidos, cuidando simplesmente de seus umbigos. Estado narcoterrorista. Quem serão os grandes cabeças por trás disso tudo? Essa organização é poderosa. Socialismo a brasileira. snif snif…
Meu caro e estimado Alexandre Garcia, atendo-me ao seu primoroso artigo, ouso contestar o seu delicado argumento de que se abandonou a lógica. No meu modesto ponto de vista, o que se abandonou há muito tempo nos três poderes, foi a decência. A lógica, ou a decência, foram substituídas pela má fé, pelos interesses mesquinhos. No fundo, dá na mesma; o Brasil está desgovernado, encontra-se à deriva rumo ao primeiro rochedo que estiver por perto. A coisa está tão feia que nem mesmo os ratos querem abandonar o navio.
VOU TENTAR NOVAMENTE, OESTE. ALÔ, ESTADÃO. COMO VOCÊS ESTÃO DE JOELHOS PARA A FARIA LIMA/LULE, PRECISOU O FERNÃO LARA MESQUITA, FAMILIAR DOS DONOS DO ESTADÃO LHES EXPOR DE MANEIRA CONTUNDENTE. SE CENSURAREM, REPLICAREI ESPECIALMENTE PARA A CONCORRÊNCIA DE VOCÊS, AQUI NO BRASIL E MUNDO AFORA.
ANDRÉ MENDONÇA FEZ O QUE O JORNALISMO NÃO FEZ
18 de junho de 2026 § Deixe um comentário
André Mendonça vira o jogo
Por ordem de André Mendonça a Polícia Federal está cumprindo hoje 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em Brasília e em São Paulo, contra Jaques Wagner, líder do governo no Senado e 2.ª maior figura na hierarquia do PT abaixo de Lula, e Augusto “Guga” Lima, sócio de Daniel Vorcaro.
Também estão sendo impostas medidas cautelares contra os dois como cancelamento dos passaportes e proibição de contato entre os investigados.
Foram devassados os endereços de ambos em Brasília, na Bahia e em São Paulo, assim como o gabinete do Senador.
A mulher de Guga Lima, Flavia Carolina Peres e o Instituto Terra Firme, presidido por ela, também são alvos da operação por suspeita de lavagem de dinheiro.
Como é de conhecimento público, mas vinha sendo abafado pela “outra” Polícia Federal sob o comando de Andrei Rodrigues, ex-segurança de Lula, o Banco Master nasceu e foi amamentado por Jaques Wagner e Rui Costa, que se sucederam no governo da Bahia, e passaram às mãos de Guga Lima e Vorcaro o Credcesta, um híbrido de cartão de crédito com porta de acesso aos empréstimos consignados criados por Lula. O dois governadores fizeram, então, todo o funcionalismo baiano “freguês” do Credcesta, com o requinte de cobrar deles não o juro praticado nos consignados comuns, mas o dos cartões de créditos rotativos.
Foi confirmado que ha uma ordem para colocação de tornozeleira em Augusto “Guto” Lima, o sócio e ex-CEO do Banco Master atingido pelos mandados de busca e apreensão da Polícia Federal desta manhã.
Foi confirmado, também, que, ao contrário de casos precedentes por conta da “outra” Polícia Federal (a do Lula), André Mendonça mandou preservar o gabinete de Jaques Wagner no Senado, como manda a lei.
Jaques Wagner, o “Galego”como Lula carinhosamente o chama, assumiu o governo da Bahia em 2007. Desde então o estado é do PT, sem nenhuma interrupção.
O que botou a PF no seu encalço são mensagens trocadas por Wagner e o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, além de documentos, que mostram que ele recebeu pagamentos do Master durante anos pela empresa da enteada, que movimentou mais de R$ 11 milhões, viajou com frequência nos jatos de Daniel Vorcaro e recebeu um apartamento de presente em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões de reais.
De acordo com as investigações, muitos desses pagamentos eram feitos por meio de outros intermediários que também são alvo da ação de hoje.
Também ha provas de que o senador fez lobby pela aprovação da “emenda Master”, aquela apresentada por Ciro Nogueira que propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para investimentos em CDBs, que era a garantia com a qual o Master revendia para outros bancos as carteiras de consignados que amarrava subornando prefeitos e governadores país afora.
Foi Jaques Wagner, aliás, quem privatizou um supermercado estatal chamado Cesta do Povo, que depois deu origem ao Credcesta, a ferramenta que fez nascer e amamentou o Banco Master até ele alçar voos mais altos.
Lauro Jardim registra que Augusto Lima, ex-sócio principal de Daniel Vorcaro, que tinha sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero e solto logo depois, estava agendado para prestar novo depoimento hoje na Polícia Federal.
Não deu tempo…
Lula já contava com a possibilidade de que a participação de Jaques Wagner e Rui Costa não pudesse ser abafada para sempre e, segundo Mônica Bergamo, está pronto a entregar o amigo “Galego”, da vida inteira, aos leões, com o discurso de campanha do “quem errou (o eufemismo que ele sempre usou para quem rouba e se deixa flagrar) tem de pagar”.
A resposta já tinha sido testada, diz ela, quando apareceram as falcatruas do filho, o Lulinha, no escândalo do INSS.
O blog de Fausto Macedo revela que o apartamento que Jaques Wagner recebeu de presente de Vorcaro fica num prédio ainda em construção, e tem unidades vendidas por valores a partir de R$ 1,7 milhão. A PF diz que a unidade presenteada a ele, no 17º andar, foi avaliada em R$ 2,5 milhões. Trata-se do Poème Horto, no bairro Horto Florestal, próximo ao tradicional bairro do Rio Vermelho, composto por condomínios e prédios de alto padrão.
O prédio tem dois apartamentos por andar, piscina, academia, quadra poliesportiva, espaço de massagens, SPA aquecido e até espaços exclusivos para animais de estimação.
Na casa de Jaques Wagner foram apreendidos 49 mil dólares em espécie.
A Polícia Federal destacou provas e indícios da atuação de Jaques Wagner em favor dos interesses do Banco Master em tramitação no Congresso.
Na famigerada “Emenda Master” de Ciro Nogueira, que tantos petistas “denunciaram”, Jaques Wagner foi um aliado de ponta. Em 13 de agosto de 2024, data da inclusão da emenda de Ciro na pauta do Senado, Augusto Ferreira Lima fez uma ligação de mais de nove minutos para o senador. Logo após a conversa, ele enviou a Wagner o link da proposta legislativa.
Duas semanas depois, em 27 de agosto, após um encontro presencial, Augusto voltou a encaminhar ao parlamentar o mesmo material.
A PF também destaca uma mensagem enviada por Augusto Ferreira Lima a Jaques Wagner em 29 de março de 2025, durante explicações sobre a operação de venda do Banco Master ao BRB. Na conversa, Augusto afirmou ao senador:
“Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.
CNN corrige os números, citando a PF: foram 55 mil dólares e 33 mil euros o dinheiro encontrado na casa de Jaques Wagner.
Lauro Jardim informa que desde o mês passado, Jaques Wagner está morando num novo apartamento. Ele não se mudou para o imóvel avaliado em R$ 2,45 milhões no bairro do Horto Florestal que, segundo as investigações da PF, ele recebeu como propina de Augusto Lima, o principal sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.
Wagner foi morar no 14º andar do edifício Mansão Victory Tower, localizado no Corredor da Vitória, Avenida Sete de Setembro, em Salvador, um dos endereços mais caros da cidade.
É um apartamento de alto padrão, com estrutura de lazer e com píer particular para iates e teleférico que dá acesso direto à praia da Baía de Todos-os-Santos, avaliado em cerca de R$ 10 milhões.
Sobre o apartamento pago por Guga Lima, ele alegou candidamente o seguinte: que precisava dar um apartamento para a filha e, como estava sem dinheiro na hora, pediu a Guga, “que é um investidor, que comprasse o apartamento por ele, que o recompraria mais adiante”.