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Ilustração: Shutterstock
Edição 328

O miado do leão 

Demitido por Lula, Jaques Wagner tenta escapulir do caso Master

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O senador Jaques Wagner, candidato à reeleição pelo PT da Bahia e líder do governo no Senado, afirmou que sua candidatura está mantida e que confia no apoio do presidente Lula, com quem conversou recentemente. Após uma reunião, Wagner anunciou seu afastamento da liderança do governo para se dedicar à sua defesa e à reeleição de Lula e do governador Jerônimo Rodrigues.

“Minha candidatura está mantida e, repare, minha posição fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje e acho, sinceramente, muito difícil que ele mexa na minha posição”, procurou animar-se o senador Jaques Wagner depois de incorporado por descobertas da Polícia Federal ao elenco de figurões enredados no escândalo do Master. Candidato à reeleição pelo PT da Bahia e líder do governo no Senado, Wagner gaguejou os motivos que o levavam a aguardar com otimismo o socorro de um amigo do peito há quase 50 anos. “Primeiro pela confiança que ele tem em mim, fez questão de me ligar em solidariedade comigo… ele que já teve problemas até maiores do que esse… como eu tive, mas ele muito pior… que foi preso e depois inocentado e está aí como presidente da República”. 

Nesta quarta-feira, depois de outra conversa com Lula, o leão miou. “Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente Lula, uma conversa entre amigos”, começa a tapeação decerto ditada pelo ministro do marketing. “Decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado. Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil”.

A conversa fiada só serve para confirmar uma das tantas frases definitivas de Millôr Fernandes: “Esses políticos todos andam tão ocupados com salvar o país que nem têm tempo de ser honestos”. Desprovidos do sentimento da vergonha, os súditos de Lula sempre se curvam à vontade do chefe supremo. Desde o nascimento do PT, raríssimas ovelhas ousaram contrariar o sinuelo. Todas punidas com a expulsão, todas tentaram voltar ao rebanho. Como obedientes de nascença não se constrangem com humilhações, informaram na eleição presidencial seguinte que votariam no candidato do PT. 

Jacques Wagner, líder do governo do PT no Senado Federal | Foto: Flickr PT no Senado

Assim tem sido desde sempre. Em junho de 2017, na abertura do congresso anual do PT, Lula recordou com orgulho a estupidez ocorrida no século passado. “Esse partido não teve medo de ser massacrado pela imprensa em 1985, quando tínhamos somente oito deputados e decidimos não ir ao Colégio Eleitoral”, gabou-se. “Expulsamos três deputados que desobedeceram. Acharam que a gente ia acabar e não acabou. Quem acabou foram esses deputados.” Punidos pelo crime de ajudar Tancredo Neves a vencer Paulo Maluf, como desejava a imensa maioria dos brasileiros, Airton Soares, Bete Mendes e José Eudes não voltaram ao Congresso. Nem por isso deixaram de apoiar Lula em 2002 e 2006.

“Sempre que aparece algum problema grave, é preciso apontar depressa algum culpado”, vive ensinando Lula. Em meados de 2005, penúltimo ano do seu primeiro mandato, o presidente achou que as dimensões alcançadas pelo escândalo do Mensalão exigiam a escalação de ao menos dois culpados. Os escolhidos foram Delúbio Soares, tesoureiro da direção nacional do PT, e José Dirceu, chefe da Casa Civil e capitão do time de Lula, segundo o próprio presidente do grande clube dos cafajestes. Em junho daquele ano, Dirceu foi obrigado a pedir demissão e entregar o cargo a Dilma Rousseff. Em outubro, um relatório da Comissão de Ética (sim, o PT tem uma comissão de ética) recomendou que Delúbio Soares caísse fora do emprego “por gestão temerária das finanças do partido”.  

O ex-tesoureiro não sossegou até ser readmitido em 2011. No momento, está em campanha para eleger-se deputado federal pelo PT de Goiás. Em São Paulo, José Dirceu disputa o mesmo cargo — a pedido de Lula, repete. Ao deixar a Casa Civil, Dirceu tentou em vão preservar o mandato de deputado federal. Não escapou da cassação, aprovada por 293 parlamentares em 30 de novembro de 2005. De lá para cá, entre uma prisão e outra, valeu-se de antigas amizades para prosperar como facilitador de negócios escusos. Poupado pela companheirada de castigos adicionais, continuou filiado ao PT, mas longe dos palanques. Só neste ano trocou a aparente aposentadoria pelas canseiras de candidato. “O importante é garantir a reeleição do presidente”, recita diariamente em vídeos que tentam suavizar as marcas impostas ao rosto de todo oitentão. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu | Foto: Reprodução

Como fez com Jaques Wagner, Lula nunca se responsabiliza pelas obscenidades que concebe e executa. Centralizador patológico, nada de relevante acontece no partido e no governo sem o amém do reizinho nu. Por algum motivo ainda desconhecido, decidiu aposentar Marta Suplicy no Programa do Ratinho, transmitido ao vivo pela TV. Em 2012, para justificar a candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo, o padrinho alegou que era preciso “renovar a militância e também os líderes do partido”. Ambos nascidos em 1945, Lula chegou ao mundo apenas sete meses depois de Marta. 

Magoada, a mulher alvejada pela grosseria fez acenos ao PSB, filiou-se ao MDB, apoiou o impeachment de Dilma e, há poucos meses, voltou ao colo do PT. Como Dirceu, Marta acha que o Brasil merece mais quatro anos com o algoz da dupla na Presidência da República. Não se trata de algum tipo estranho de fidelidade. É doença ainda não identificada pela ciência. Por enquanto parece não ter cura.

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6 comentários
  1. Fabiano Teles Passos
    Fabiano Teles Passos

    Eu não enxergo o Brasil sem esse câncer de pt e corrupção, perdi a fé nesse país.

  2. Mariza
    Mariza

    Seria a origem dessa doença a abundância material ofertada aos figurões da corte esquerdopata aparelhada? Parece que o hormônio principal (grana e mais grana fácil) alimenta a forte resistência e tentáculos desses demoníacos demolidores da dignidade de milhões e milhões de brasileiros — mantidos na miséria, como um “gado humano” que os nutrem — beneficiando os poderosos com milhões e milhões de doses hormonais ofertados em troca dessa fidelidade canina nos três poderes? Usam as bolsas misérias, a educação degradada tendenciosa, quando muito, para angariar votos e a perpetuação do desgoverno corrupto?! PT e associados nunca mais! Acorda Brasil!

  3. Edson Pichelli
    Edson Pichelli

    O que esperar do Partido das Trevas ou Partido dos Trambiques, ou Perda Total. E alinhados com o Supremos Tiranos Federais.

  4. daise a.scopiato
    daise a.scopiato

    Impressionante mesmo é o essetefe deixar os brasileiros de mãos atadas diante de tanta pouca vergonha , sabendo que tudo isso leva à desordem e a facilidade ao crime e a corrupção !!

  5. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    E as ovelhas vão seguindo o sinuelo (adoro a metáfora) e inevitavelmente são levadas ao curral, ao pasto ou ao pântano.

  6. William Robson Mattos
    William Robson Mattos

    Impressionante a falta de vergonha na cara desses personagens acima citados.

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