Gilmar Mendes imaginou que também André Mendonça cairia na armadilha utilizada com sucesso nos embates com Joaquim Barbosa e Luís Roberto Barroso: provocar o oponente com apartes irritantes até que seja rebaixado a bate-boca o que deveria ser um confronto de ideias ou opiniões. Joaquim lembrou aos berros que Gilmar não estava falando com capangas a serviço do latifundiário mato-grossense. Barroso buscou socorro na baixaria erudita: “Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”, disse ao inimigo que depois virou amigo de infância. Com Mendonça o truque não funcionou.

O que houve na sessão que manteve na cadeia o pai e um primo de Daniel Vorcaro foi o duelo entre um jovem homem da lei e um especialista em soltura de culpados. Se pudesse, Gilmar já teria devolvido o direito de ir e vir aos poucos prisioneiros engaiolados por patifarias vinculadas ao falecido Banco Master. Como até chicana tem limite, o decano resolveu convencer companheiros de turma de que os acusados mereciam a prisão domiciliar. Derrotado por 3 votos a 1 (o dele), já começou a coleta de vícios imaginários que lhe permitirão propor a anulação do processo. A malandragem deu certo com o fim da Operação Lava Jato, assassinada por excesso de êxitos. Deu certo com Lula, transferido da merecidíssima gaiola para a Presidência da República. Por que não recorrer aos mesmos truques para reprisar o triunfo da bandidagem envolvida no escândalo do Banco Master?
Com a serenidade e a firmeza dos que têm razão, o relator do caso no STF avisou que desta vez os chicaneiros e seus fregueses encontrarão no caminho a pedra de bom tamanho: um juiz disposto a enfrentar os torturadores da Constituição e dos códigos legais (além da moral e dos bons costumes). “É importante que nós fiquemos atentos aos fatos, à fundamentação”, começou a provocar Gilmar. Mendonça interrompeu-o: faz questão de publicar suas decisões, sobretudo para que a sociedade possa criticá-las. “Estamos do mesmo lado no que diz respeito ao combate à criminalidade organizada”, recitou Gilmar, que em seguida exigiu respeito à Constituição tratada a socos e pontapés pelos ministros que lidera.

Até recentemente majoritária, essa bancada encolheu. No momento com 10 ministros, o STF está dividido ao meio. Pior: os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ambos com lama pela linha da cintura desde que foram içados do pântano do Master, zanzam como almas penadas em busca de álibis que não há. Moraes continua colecionando perseguições e perversidades, mas virou uma caricatura do antes temido Primeiro Carcereiro. Ao tentar impedir o naufrágio do benfeitor Daniel Vorcaro, a dupla condenou-se ao abraço do afogado. Toffoli já se declarou impedido de participar de julgamentos relacionados com o escândalo. Moraes precisa explicar de que modo se tornou um colosso do ramo imobiliário. Gilmar saberá daqui a cinco anos que, no Brasil, um ex manda menos que o guarda da esquina.
Na terça-feira, a voz do país que presta foi enfim ouvida no STF. Mendonça fez advertências e revelações especialmente bem-vindas. Não vai admitir, por exemplo, que se tente obstruir com falsidades o avanço das investigações. Não vai transformar o certo em errado nem a mentira em verdade. Não vai prender alguém em busca de delações premiadas. Só os efetivamente culpados serão presos. Contou que um advogado a serviço do bando lhe propôs uma “delação seletiva”. E esbanjou objetividade quando Gilmar enxergou possíveis semelhanças entre as investigações sobre o caso Master e a Operação Lava Jato.

“O que estamos investigando e julgando não é a Lava Jato, mas a maior fraude financeira da história do nosso país, uma das maiores do mundo”, ensinou ao decano. “Aqui há contornos de máfia, contornos de crime organizado, de infiltração no sistema policial. Não tenho medo de combater o crime aplicando a lei. Não tenho medo de absolver quem é inocente.” Seguiu-se o recado pessoal e intransferível: “Não ajo por pressões de mídia, não busco a mídia, não tenho grupos de mídia, não dou entrevistas, não busco ser estrela”. Mendonça incluiu entre as numerosas singularidades do escândalo o suicídio de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário. Além de policiais federais, nem todos identificados, a organização criminosa recrutou banqueiros do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Como sabe até o gramado da Praça dos Três Poderes, a grande quadrilha também cooptou figurões do Senado, da Câmara, do empresariado cinco estrelas, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. “Do jeito que as coisas estão, o polo mais frágil sou eu”, diz Mendonça. “É preciso ter coragem.” Isso é o que não lhe falta. É hora de o país decente mostrar que também lhe sobram apoio e admiração. Os brasileiros honestos foram felizes no clímax da Lava Jato: durante algum tempo, foi possível acreditar que todos se haviam tornado iguais perante a lei. A mais bem-sucedida ofensiva anticorrupção da história foi sufocada quando se aproximou do Supremo. É preciso garantir que Mendonça não seja bloqueado pela elite da bandidagem. Não se pode permitir que a esperança morra mais uma vez.

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Ante o Golias, representado pelos poderes superiores, armado com a espada da mentira e engodos narrativos, apresenta-se o pastorzinho de ovelhas Davi com uma funda dizendo: “Não venho a ti com pedras e varapaus, mas venho em nome do Senhor dos Exércitos.”
Lembremos que Davi decapitou Golias com a espada do próprio gigante, assim que ele caiu; neste caso, a arma usada será a própria justiça, ora usada com leviandade.
O embate entre o Ministro André Mendonça e Gilmar Mendes foi histórico, entrará para os anais da República do Brasil. Mendonça elevou a discussão para critérios morais, do que é correto e do que é errado fazer na justiça. Brilhou,lavou a alma dos brasileiros, cansados de tanta corrupção e roubo de poderosos.
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Augusto, para que o pequeno grupo de André Mendonça no STF e STJ tenha sucesso não é necessário que homens corajosos da reserva e da ativa das FFAA, se manifestem para nossa imprensa, como bem faz o coronel GERSON GOMES que em passado recente conviveu com vocês na JOVEM PAN?. Creio que esse é o perfil da maioria das FFAA democrática e respeitosa com a oposição conservadora e liberal.
Convide GERSON GOMES para entrevistas na Revista Oeste e eventuais reservistas que queiram se manifestar.
Seria Vorcaro um mera laranjinha de poderosos no controle desses faturamentos bilionários as custas da quebradeira do Pais? A espera de verdades sobre os verdadeiros Don Corleones e chefoes dessa máfia brasileira. Ministro Mendonça: toda luz protetora divina o cubra sempre.
Ao invés se deglutir cobras e escorpiões, esse Sapão fedorento só faz protege los. Por que???
Infelizmente as esperanças de que a coragem de Mendonça triunfe são escassas. O Sistema está profundamente contaminado e muito atuante, não pretende “largar o osso”.
O escândalo bilionário do Master agita as moitas. Os escondidos debandam desesperadamente. São os beneficiados do Vorcaro, que os oportunizou a vivência de delícias da fantasia masculina de forma gratuita: dinheiro, jatinhos, hotéis luxuosos, festas com Macallan e outras coisinhas prazerosas em quartos com camas muito fofinhas. A moita mais recente foi o achado de dólares e euros, joias e relógios caros, além de indícios de imóveis aspergidos com sugo de laranja. É o número um do humilhado no G-7, que afirmou não ser da esquerda, retornando como guaipeca corrido de um salão de baile. Mendonça deu o recado ao ancião presente na turma dois, que tentou enrolar com argumentos narrativos já com validade vencida: “não vou tolerar interferência em meu trabalho e os culpados serão punidos de acordo com a lei”. A boçalidade, a arrogância e a crista de galo das togas e de outros poderosos estão transparentes. Isso já é um bom começo. A máfia foi atingida no seu cerne. Falta ainda muita caminhada à vitória final. Há ainda muitos Gigabites disponíveis nos celulares ainda fechados.
“Não se pode permitir que a esperança morra novamente!” Mais que um brilhante parágrafo final do artigo, um clamor dos brasileiros de bem!
O QUE ESTÁ HAVENDO, OESTE? INCLUO MEU COMENTÁRIO E ELE NÃO APARECE, QUANDO TENTO NOVAMENTE APARECE A MENSAGEM QUE JÁ FIZ O COMENTÁRIO, EMBORA ELE NÃO APAREÇA NA MATÉRIA PERTINENTE.