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A COP30, realizada em Belém, evidenciou o esgotamento do modelo financeiro das negociações climáticas e levantou dúvidas sobre a continuidade das conferências. O evento enfrentou problemas organizacionais graves e críticas pela falta de mobilização de recursos, com países desenvolvidos cobrando cortes de emissões sem cumprir promessas de financiamento. O legado para Belém foi quase nulo, com questões sociais não resolvidas.
Acta est fabula. (“A peça acabou.”)
(Frase atribuída ao Imperador Augusto
em seu leito de morte)
O verdadeiro legado da COP30 não foi climático, e sim político. A conferência expôs o esgotamento do modelo financeiro das negociações climáticas e lançou dúvidas sobre a própria sobrevivência futura das COPs. Em Belém, duas marcas ficaram evidentes: a incapacidade de mobilizar recursos para sustentar a agenda climática global e os severos problemas de organização do evento. Diante da exaustão do modelo político e financeiro evidenciada em Belém, este ano, de Copenhagen a Bonn, o caminho passou a apontar para uma crise mais profunda do multilateralismo climático e o ocaso das COPs.
A conferência de Belém sofreu com os debates arrastados tradicionais das edições passadas e evidenciou os impasses crônicos entre países desenvolvidos, sobretudo os europeus, e sua incapacidade de financiar mudanças. Enquanto estes cobram mais cortes de emissões, os países em desenvolvimento exigem o cumprimento de metas de repasse financeiro, sem resultados efetivos.

O evento em Belém foi alvo de duras críticas por falhas graves de organização: aparelhos de ar-condicionado quebrados, precariedade em banheiros, falhas de segurança na Zona Azul e até um princípio de incêndio na área dos pavilhões. A escalada abusiva dos preços de hospedagem gerou um impacto econômico negativo. No final, os hotéis reduziram os valores após ficarem com quartos vagos (Revista Oeste, edição 299).
Não bastasse a saída hostil dos Estados Unidos do Acordo de Paris, deixando o movimento ambientalista climático sem perspectiva de financiamento, o desapontamento foi representado pela constrangedora declaração do Chanceler Merz da Alemanha pela organização do evento. Ele chegou ao ponto de manifestar sua satisfação por ir embora. Pior ainda foi a reação do casal presidencial brasileiro, hospedado em um luxuoso iate. Sem responder às críticas sobre a organização do evento, lamentaram o Sr. Merz não ter desfrutado da culinária local, nem das programações noturnas à disposição.
Passados seis meses, o legado para a cidade de Belém é quase nulo. Pobreza, miséria e esgotos seguem a céu aberto. Saúde e educação permanecem relegadas, enquanto irregularidades e gastos faraônicos foram amplamente denunciados por diversos veículos de imprensa.

A exuberante expectativa de recursos da ordem de US$ 1,3 trilhão previstos na COP30 para 2025 foi postergada para 2026. E seguirá sendo postergada, esperando Godot. O documento final da COP30, envolto em grandiloquência, propôs um “Mutirão Global”, sem metas claras nem financiamento correspondente, retrato do vazio da liderança climática brasileira. Restou a expectativa de um compêndio de boas práticas perdidas nas diferentes realidades regionais e socioeconômicas de 195 países.
A ausência de um plano concreto para a eliminação de carvão, petróleo e gás no documento final da COP30, em Belém, frustrou severamente as ONGs. A forte oposição de nações ricas em petróleo impediu a inclusão de um cronograma oficial de transição energética, limitando o acordo a eufemismos. O potencial do Brasil em biocombustíveis e agricultura de baixo carbono foi promovido paralelamente pelo setor privado. Sem ações estratégicas de um Governo agrofóbico, em conflito constante com o agro nacional, não havia como os biocombustíveis (etanol, biodiesel, biometano…) consolidarem-se como um dos motores da transição energética nos textos oficiais.

Considerada a maior derrota política da cúpula de Belém e da diplomacia brasileira, a plenária dos países eliminou por completo as expressões “combustíveis fósseis” ou “eliminação gradual” (phase-out) do texto final. Ante a falta de progresso de uma rota para o fim do uso de combustíveis fósseis, o único “mapa do caminho” segue conducente a um previsível fim das próprias COPs.
A COP permanece sob a presidência brasileira, exercida pelo embaixador Correa do Lago, até a realização da COP 31. Ela ocorrerá na cidade de Antália, na Turquia, de 9 a 20 de novembro de 2026. Sob a batuta do embaixador brasileiro, ocorreu entre 20 e 21 de maio último uma Reunião Ministerial sobre Clima em Copenhagen, na Dinamarca. Ela preparou a Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas (08 a 18 de junho) e deveria encaminhar aspectos técnicos e políticos para a COP 31.
Essa reunião ministerial ocorreu em um cenário crítico para a ONU, para seu organismo para mudanças climáticas, a UNFCCC, e para o multilateralismo em geral. Deveria ser a oportunidade para contraposição da União Europeia ao seu isolamento no final da COP30. Isso afetou sua imagem de poder patrocinador do movimento multilateral de ações climáticas, após ser duramente impactado pela saída dos EUA e pela falta de recursos pela guerra Rússia e Ucrânia. Mas não.

Desde o final de fevereiro passado, a escalada militar no Golfo recolocou os combustíveis fósseis no centro das preocupações estratégicas de EUA, China, Índia, países árabes do Golfo e da própria União Europeia, países responsáveis pela maior parcela do PIB mundial. De modo particular, a UE armou para si própria uma enrascada energética. Compra quase todo seu petróleo da Rússia, dos EUA e dos Países Árabes do Golfo. Ao mesmo tempo, financia a Ucrânia e antagoniza ideologicamente os Estados Unidos, a ponto de enfraquecer a OTAN. Negou aos EUA o sobrevoo de seus territórios para ações militares para defender os Países Árabes do Golfo. Uma política energeticamente incoerente e de difícil sustentação pela hostilidade a quem fornece energia essencial para seus cidadãos e sua economia.
Esse quadro levou a UE a reforçar o seu já elevado protecionismo ante o aumento de gastos militares para sua defesa. Também mandou pelos ares suas metas ambientais. Já anunciou: não cumprirá o compromisso assumido de reduzir suas emissões em 90% em 2040. Para o Comissário Europeu para o Clima, Zero Emissões e Crescimento Limpo, o holandês Hoekstra, a partir de 2036, os europeus precisarão comprar créditos de carbono de países africanos e latino-americanos para tentar cumprir suas metas.

A tradicional estratégia da diplomacia climática da UE de liderar pelo exemplo e convencer emissores a segui-los esgotou-se. Acabou-se a época de assediar países em desenvolvimento para aumentar suas ambições climáticas. “Ambition is no longer enough”, nas palavras da Ministra do Meio Ambiente de Chipre.
Na reunião do Conselho de Relações Exteriores da UE (21/04/2026), ocorreu a reversão da estratégia europeia anterior de “Clima e Diplomacia Energética” para “Energia e Diplomacia Climática”. A UE viu-se forçada a encarar a realidade. Está impossibilitada de fazer frente sozinha aos compromissos financeiros do Acordo de Paris, projetado por ela mesma para os países em desenvolvimento, através de metas inconsequentes quando desprovidas da contrapartida financeira. Contou no passado com a cumplicidade do secretário-geral da ONU Guterres, do Secretariado do UNFCCC, do Fórum Econômico Mundial, das ONGs ambientalistas e de governos, ávidos a gastar muito sem precisar prestar contas.
Esse foi o cenário da Reunião Ministerial de Copenhagen. Houve uma desoladora participação anunciada de apenas 40 países. Sequer publicaram a lista oficial de participantes. Quem esteve lá? Provavelmente, os Ministros do Meio Ambiente dos Países da futura COP 31, Turquia e Austrália, o Embaixador Correa do Lago da COP30, o Ministro da Dinamarca e representantes juniores dos demais países, pela foto publicada no site do Ministério da Fazenda do Brasil.
Copenhagen seria a ocasião para os países apresentarem novas NDCs (Contribuições Voluntárias de Redução de Emissões), mais ambiciosas. Condizente com o contraste entre retórica e resultados observado ao longo da COP30, o governo emitiu um comunicado no site do Ministério da Fazenda, em 28.05.2026, sob o seguinte título: “Brasil lidera coalizão que acelera metas climáticas nacionais de 140 países e 120 instituições em reunião na Dinamarca” (sic). Não obstante tudo aqui descrito.
Corroborando o cenário pessimista em Copenhagen, o Presidente do IPCC, Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, Sir Jim Skea, professor de energia sustentável do renomado Imperial College de Londres, fez um pronunciamento histórico. Segundo ele, daria tempo de reverter o cenário de aumento de 3 °C para 1,5 °C em 2050, mas os recursos são insuficientes para os elevados custos de adaptação nos países mais afetados. Mencionou a existência de uma variedade de guidelines, experiências exitosas e de técnicas de monitoramento e avaliação para acompanhar o progresso e a performance de iniciativas a serem aplicadas. Sem recursos financeiros, tudo isso permanece um mero exercício acadêmico.
Não bastassem esses lamentos de Sir Jim Skea, os dois últimos parágrafos da sua intervenção refletem o desânimo do momento. No penúltimo parágrafo, o ilustre professor do Imperial College de Londres passa o pires e solicita reconhecimento e apoio aos 660 autores e pesquisadores dedicados ao IPCC. No derradeiro parágrafo, quase um suspiro, suas palavras finais foram um apelo aos presentes para assegurar apoio ao IPCC para levar a cabo sua missão. Era um elegante modo de antecipar: sem sustentação orçamentária, os trabalhos estarão comprometidos. Sem recursos, sobretudo dos Estados Unidos, o multilateralismo climático e as COPs têm diante de si o mapa do caminho para seu próprio ocaso.
Acta est fabula.
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essas reuniões COP são um grande convescote para elite das ONGs ficarem viajando para cidade turísticas e hospedando-se em hotéis 5 estrelas. nunca vi essas COP em pais pobre da África, o mais perto da miséria que chegaram foi em Belém e podem ter certeza, depois de verem como é a miséria real, reuniões agora só na Europa, de preferencia Paris.