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Desenrola Brasil: governo colocou dezenas de bilhões de reais de dinheiro público para garantir dívidas privadas | Foto: Shutterstock
Edição 329

O fracasso do Desenrola

Enquanto isso, o populismo não funciona mais, as contas públicas estão descontroladas, a Raízen vende sem pressa, a Embraer voa alto e a Caixa domina o crédito

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Desde o início do governo Lula, foram lançados três programas "Desenrola" para renegociar dívidas, mas a inadimplência no Brasil aumentou, atingindo 6,2% em maio, o maior nível desde 2011. O governo introduziu o Novo Desenrola e o programa Crédito do Trabalhador para facilitar o acesso ao crédito, mas a inflação continua a afetar o poder de compra. A dívida pública deve crescer até 2029, com um déficit primário de R$ 53,257 bilhões em maio.

Desde o seu primeiro ano de governo, Lula já lançou pelo menos três programas Desenrola, colocando dezenas de bilhões de reais de dinheiro público para garantir dívidas privadas. Mesmo assim, a inadimplência no Brasil continua crescendo. Segundo dados do Banco Central, no segmento de crédito com recursos livres, a inadimplência cresceu em maio para 6,2%, contra 6,1% no mês anterior, atingindo o nível mais alto desde o início da série histórica, em 2011. O aumento ocorreu a despeito do lançamento pelo governo, no início de maio, do Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares que prevê a utilização de até R$ 15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores, com um impacto fiscal de até R$ 5 bilhões. As taxas de inadimplência em maio atingiram 6,5% nos financiamentos de veículos, 14,2% no crédito pessoal sem garantia e 7,9% nos empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado.

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Populismo não funciona mais

Para tentar melhorar essa situação catastrófica, o governo federal anunciou uma nova etapa do programa Crédito do Trabalhador, permitindo o uso de parte das verbas rescisórias e do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia na contratação de empréstimos. O objetivo do governo é ampliar o acesso ao crédito e reduzir as taxas de juros, limitadas a até 1,99% ao mês. Dificilmente vai funcionar, pois a inflação está corroendo o poder de compra dos brasileiros de forma tão grave que não será uma pequena redução de juros a mudar a situação. Outras medidas populistas tomadas pelo governo no passado também não adiantaram. Em 2024, por exemplo, o Executivo introduziu novas regras para ampliar o crédito consignado para trabalhadores do setor privado. O objetivo era impulsionar o segmento cujo estoque cresceu 140,3% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 10 bilhões em maio. A previsão era que muitos tomadores utilizariam o novo modelo para refinanciar dívidas mais caras por meio de empréstimos consignados mais baratos, cujas parcelas são descontadas diretamente dos salários. Mesmo assim, a inadimplência subiu.

Lançamento do Desenrola Adimplentes
Lula lançou o programa de incentivo à adimplência ao lado de ministros e aliados | Foto: Ricardo Stuckert/PR

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Contas públicas descontroladas

A dívida pública e o rombo fiscal do Brasil não param de crescer. Segundo os dados do Tesouro Nacional, o endividamento público do Brasil continuará aumentando até 2029, alcançando o recorde de 87,9% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão para 2026 é que a dívida pública feche em 83,5%. No ano passado, esse total era de 78,6%. Segundo o Banco Central, a dívida bruta do Brasil subiu mais do que o esperado em maio e o déficit do setor público consolidado foi pior do que a expectativa. Por sua vez, o governo central registrou um déficit primário de R$ 53 bilhões em maio. Um resultado superior às previsões do mercado e pior do que o rombo de R$ 40 bilhões no mesmo mês de 2025.

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Raízen sem pressa para vender

A gigante do açúcar e do biocombustível Raízen está vendendo seus ativos para abater parte dos quase R$ 100 bilhões de dívida. Todavia, esses desinvestimentos estão ocorrendo “sem pressa”, segundo o CEO da empresa, Nelson Gomes. A companhia já vendeu ou desmobilizou quase 20 milhões de toneladas em capacidade de moagem de cana-de-açúcar, dentro de seu plano para reduzir o endividamento. Para o executivo, os desinvestimentos vão continuar, enquanto a empresa busca seu “tamanho ótimo” para voltar a ser a companhia mais eficiente do mercado.

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Brasil petrolífero

A produção de petróleo brasileira continua crescendo. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média de petróleo do Brasil totalizou 4,3 milhões de barris por dia em maio. Uma alta de 16,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Por sua vez, a produção de gás natural somou 206 milhões de metros cúbicos por dia no período, alta de 19,6% na comparação anual. Considerando petróleo e gás natural, a produção total brasileira chegou a 5,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia em maio.

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Embraer sempre voando

A Embraer registrou mais um recorde de vendas no terceiro trimestre de 2026, com uma alta de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. No total, a fabricante brasileira entregou 65 aeronaves entre abril e junho. O melhor desempenho dos últimos 16 anos. Na comparação com o primeiro trimestre, o avanço da Embraer foi ainda mais expressivo: 48%. Entre janeiro e junho, a empresa entregou 109 aeronaves, cerca de 20% acima das 91 unidades entregues no mesmo período de 2025. Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado pelo maior volume de entregas de jatos de pequeno e médio porte, refletindo a demanda sólida do setor e ganhos de eficiência operacional. Para 2026, a Embraer projeta entregar entre 80 e 85 aeronaves na aviação comercial e entre 160 e 170 na aviação executiva, o que representa crescimento médio anual de cerca de 6% em ambos os casos.

Embraer prejuízo
Galpão da Embraer| Foto: Reprodução/Embraer

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Caixa domina o crédito

A Caixa Econômica Federal alcançou o patamar de R$ 1 trilhão em sua carteira de crédito imobiliário em junho. Uma alta superior a 14% em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, o banco também manteve uma participação de cerca de 68% no mercado de financiamento habitacional. No primeiro trimestre de 2026, a Caixa originou R$ 64,2 bilhões em crédito imobiliário, crescimento de 30,6% na comparação anual. Cerca de 58,4% do crédito imobiliário da instituição está ligado ao programa Minha Casa Minha Vida, que financiou 659 mil unidades no último ano.

Leia também “Banco Central já admite: inflação vai estourar em 2026”

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